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Previsão de inflação sobe para o teto da meta puxada por alta do petróleo

18 maio 2026 - 14:00

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Brasil

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Projeção do PIB é mantida em 2,3% e mercado de trabalho sustenta otimismo econômico. Indicadores balizam o documento que definirá eventuais bloqueios no Orçamento federal esta semana
Inflação projetada para o ano atinge teto da meta sob impacto da alta do petróleo. Foto: Rmcarvalho / Getty Images

O Ministério da Fazenda elevou de 3,7% para 4,5% a projeção de inflação para este ano, atingindo o limite máximo de tolerância da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), cujo centro é de 3%. A revisão consta no Boletim Macrofiscal divulgado nesta segunda-feira (18) pela Secretaria de Política Econômica (SPE) e reflete os desdobramentos da guerra no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo, que já ultrapassaram a marca de US$ 110 por barril.

Segundo a equipe econômica, o impacto direto do combustível deverá ser parcialmente amenizado pela valorização do real e por medidas adotadas pelo governo federal para frear o repasse dos custos ao consumidor. Para 2027, a estimativa de inflação também sofreu ajuste de alta, passando de 3% para 3,5%.

Os dados apresentados orientam a elaboração do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, que deve ser enviado ao Congresso Nacional na próxima sexta-feira (22). O documento é a principal diretriz para a execução do Orçamento e indica a necessidade de bloqueios, para cumprir o limite de gastos, ou de contingenciamentos, visando garantir a meta de superávit primário.

Crescimento econômico mantido
Apesar da deterioração do cenário inflacionário, a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permaneceu estável em 2,3% para este ano. A expectativa de avanço para 2027 também foi preservada em 2,6%, patamar projetado para os anos subsequentes.

A SPE avalia que o ritmo da atividade sofrerá uma desaceleração mais acentuada no segundo e terceiro trimestres, consequência natural da atual política monetária restritiva, seguida de uma recuperação gradual da indústria no fim do ano. No fechamento do primeiro trimestre, o crescimento agregado foi mantido, mas sua composição mudou: a indústria perdeu força, o setor de serviços ampliou sua participação e a agropecuária seguiu com contribuição estável.

Divergência com o mercado
O panorama traçado pelo governo diverge das expectativas do mercado financeiro, apresentando-se mais otimista. De acordo com o último boletim Focus do Banco Central, que reúne projeções de instituições financeiras, os analistas estimam uma inflação de 4,92% e um avanço econômico de apenas 1,85% para este ano. A secretaria, no entanto, justifica que, embora monitore os riscos do cenário internacional, a resiliência demonstrada pelo mercado de trabalho brasileiro sustenta a manutenção da atividade.

Aumento na arrecadação
Se, por um lado, o encarecimento do petróleo pressiona os índices de preços, por outro, reforça o caixa federal. O choque na commodity tem potencial para ampliar a arrecadação em cerca de R$ 8,5 bilhões mensais, conforme cálculos da pasta.

Esse montante adicional considera os recolhimentos ligados ao setor petrolífero referentes a royalties, dividendos, Imposto de Exportação, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Para o governo, esse ganho arrecadatório é fundamental para viabilizar uma resposta fiscal firme, mantendo o alinhamento com a política monetária e o compromisso de consolidação das contas públicas.

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Atualizado: 18/05/2026 16:30

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