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Lula sugere aliança com Trump e China para explorar terras raras, mas exige soberania nacional

18 maio 2026 - 14:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de g1 e CNN

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Em evento no interior paulista, presidente cobrou fim da disputa entre Trump e Xi Jinping, defendeu o processamento local dos minérios e cobrou maior uso da ciência nacional para mapear o território
Lula condiciona exploração de terras raras à soberania nacional e sugere aliança global. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (18), em Campinas (SP), que o Brasil está aberto a parcerias com qualquer país para a exploração de terras raras e minerais críticos, desde que a soberania nacional seja rigorosamente respeitada e a industrialização ocorra em território brasileiro. Durante a cerimônia de entrega de novas linhas do acelerador de partículas Sirius, Lula sugeriu que os Estados Unidos e a China deixem as disputas de lado para investir no Brasil, destacando o papel fundamental da ciência para acelerar o mapeamento das riquezas minerais sem a necessidade de “cavar buracos”.

Ainda em Campinas, o chefe do Executivo criticou a influência exclusiva do mercado na escolha de graduações pelos jovens, citando especificamente a área médica. “Muita gente que estuda medicina não é pra trabalhar no Sistema Único de Saúde (SUS), mas pra abrir uma clínica e ganhar muito dinheiro”, afirmou, defendendo que o Estado oriente a formação de profissionais em áreas estratégicas para o país.

Soberania e mercado global
O Brasil detém atualmente a segunda maior reserva mundial de terras raras, um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de smartphones, baterias, turbinas e equipamentos de defesa militar. Apesar do volume, o país enfrenta o desafio de avançar para a fase industrial, um setor hoje dominado pela China, que concentra 90% do processamento global.

Ao abordar a geopolítica do setor, Lula enviou um recado direto aos governos norte-americano e chinês. “Nós não temos veto a ninguém, nós não temos preferência por ninguém. Aqui pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano. Pode vir quem quiser, desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania. Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas, e a gente quer explorar aqui dentro”, declarou o presidente.

O petista também pontuou que, em uma reunião de quase três horas na Casa Branca com Donald Trump, alertou que a ausência de investimentos dos EUA no Brasil abriu espaço para a presença chinesa. Ele manifestou o desejo de que o líder americano “deixe de brigar com o Xi Jinping e venha se associar a nós para que a gente possa explorar aqui”.

No início deste ano, os Estados Unidos chegaram a apresentar uma proposta de cooperação para a exploração desses minerais, mas o modelo foi rejeitado pelo governo brasileiro sob a justificativa de que feria princípios de soberania nacional. O objetivo do Executivo é evitar que as terras raras sigam o padrão histórico de exportação de commodities brutas, como ocorre com o ouro e o minério de ferro. A meta é garantir que o processamento agregue valor à produção internamente.

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Atualizado: 18/05/2026 16:13

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