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Projeto fortalece o ensino da língua originária Tupinakyîa em aldeias de Aracruz

06 maio 2026 - 13:00

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Projeto reúne moradores, professores e estudantes para padronizar o idioma do povo Tupinikim e prevê o lançamento de aplicativo, documentário e materiais didáticos
Projeto fortalece o ensino da língua originária Tupinakyîa em aldeias de Aracruz. Foto: Reprodução

O Projeto Tupinakyîa promove o fortalecimento e a prática do idioma originário do povo Tupinikim nas aldeias do município de Aracruz, no litoral do Espírito Santo. Desenvolvida pela Akangatara Produções, a iniciativa realiza, desde o ano passado, encontros presenciais e virtuais para grupos de estudo e elaboração de materiais didáticos, visando reverter o apagamento histórico da língua causado pelo processo colonial e garantir a sua continuidade entre as novas gerações.

A ação foi selecionada pelo edital de Valorização de Territórios e Diversidade Cultural da Secretaria de Cultura do Espírito Santo (Secult) e conta com o apoio da Associação Indígena Tupiniquim de Comboios (AITC). O Tupinakyîa é um idioma pertencente ao tronco Tupi que, ao longo de gerações, deixou de ser falado em decorrência de ameaças, violências, proibições, preconceitos e invasões dos territórios tradicionais.

Nas últimas décadas, o idioma foi reintroduzido em escolas e iniciativas culturais, como música e cinema. O projeto atual visa expandir esse movimento por meio da criação de cartilhas, vídeos, jogos e conteúdos midiáticos.

Padronização e desafios escolares
O coordenador do projeto e cineasta, Tiago Mateus, também conhecido como T-Kauê, explica que a mobilização conecta interessados de diversas aldeias para alinhar o uso do idioma.

“Nosso grupo é formado por ex-estudantes da língua, jovens, alguns professores que estão lecionando e outros interessados. Nos reunimos e discutimos, entre outras coisas, formas de padronizar a língua, e alguns termos e expressões que são diferentes em algumas aldeias”, afirma o coordenador.

Apesar de o ensino escolar do Tupinakyîa estar presente há mais de duas décadas na região, o tempo de exposição dos alunos ao idioma esbarra em limitações da grade curricular e na infraestrutura educacional das comunidades.

“O ensino escolar da língua está presente há mais de 20 anos no território, mas ainda não é suficiente, tem apenas uma aula por semana, sendo que até a língua inglesa tem duas aulas. E temos o agravante de que em algumas aldeias, os alunos têm apenas até o quinto ano dentro de escola indígena e depois vão para a cidade ou vilas para estudar em escolas não indígenas, em que essa disciplina não existe. Então se não tiver prática, o estudante logo esquece”, detalha Tiago Mateus.

Produção de conteúdo e tecnologia
Para solucionar a escassez de materiais e manter o uso da língua ativo em todo o território, o projeto foca no engajamento da juventude na produção de novos recursos. Em março deste ano, um grupo de alunos do ensino médio da aldeia de Caieiras Velha participou de uma ação voltada à produção de desenhos de objetos do cotidiano, acompanhados de pesquisa e registro dos respectivos nomes em Tupi.

O objetivo é que os próprios jovens criem suas narrativas no idioma indígena, utilizando as tecnologias disponíveis para a construção coletiva dos conteúdos.

“Queremos alavancar esse processo. O Projeto Tupinakyîa é um pontapé inicial”, ressalta T-Kauê.

Durante os encontros recentes, também foram gravados vídeos que se encontram em processo de edição. Como resultado final de suas atividades, o Projeto Tupinakyîa realizará o lançamento de um aplicativo voltado para os estudos de Tupi, uma cartilha educativa e um documentário contendo depoimentos sobre a língua e o território.

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