A delegada recém-empossada da Polícia Civil de São Paulo, Layla Lima Ayub, foi presa na manhã desta sexta-feira (16) durante a Operação Serpens, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Ex-cabo da Polícia Militar do Espírito Santo, ela é suspeita de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC), praticar advocacia ilegal em favor de membros da facção e realizar lavagem de dinheiro.
A prisão ocorreu em São Paulo e foi realizada em conjunto com a Corregedoria-Geral da Polícia Civil. Além de Layla, o namorado da delegada, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, também teve a prisão temporária decretada. Ele é apontado pelas autoridades da Região Norte como integrante do PCC e um dos chefes do tráfico de armas e drogas em Roraima.
Atuação irregular e advocacia para o crime
Segundo as investigações do MPSP, Layla mantinha vínculo pessoal e profissional com membros da organização criminosa. A apuração aponta que, apenas nove dias após tomar posse como delegada na capital paulista, Layla atuou como advogada na defesa de um dos quatro integrantes do PCC presos em flagrante pela Polícia Militar em Rondon do Pará, a 523 quilômetros de Belém.
A prática viola o Estatuto da Advocacia e normas estaduais, que vedam expressamente o exercício da advocacia privada por delegados de polícia. Promotores do Gaeco suspeitam que a servidora utilizava o cargo público para favorecer interesses da facção. Como delegada, ela teria acesso a inquéritos e bancos de dados com informações restritas.
Além da atuação jurídica irregular, o casal é investigado por lavagem de dinheiro. As apurações indicam que Layla e Jardel teriam adquirido uma padaria em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, com recursos de origem ilícita, utilizando o nome de um “laranja” para ocultar a real propriedade do negócio.
Trajetória no Espírito Santo
Antes de ingressar na Polícia Civil paulista, Layla Lima Ayub construiu sua carreira na Segurança Pública e no sistema de Justiça do Espírito Santo. O Portal da Transparência do Poder Executivo estadual registra que ela atuou como policial militar entre os anos de 2014 e 2022. A reportagem de A Gazeta questionou a PM sobre as circunstâncias de seu desligamento, se a pedido ou por outra motivação, mas a corporação ainda não retornou.
Layla também foi estagiária da Defensoria Pública no Espírito Santo, onde atuou em varas especializadas em tráfico de drogas, homicídios e crimes de trânsito.
De acordo com seu currículo Lattes, ela se formou em Direito no estado em 2016. Sua qualificação acadêmica inclui pós-graduações em Direito Penal, Direito Constitucional, Docência no Ensino Superior, Gestão, Direito Processual Penal, Ciência Forense e Perícia Criminal. Em março de 2025, ela passou a integrar a Comissão da Criança e do Adolescente da OAB no Pará.
Posse recente e curso de formação
A posse de Layla como delegada ocorreu recentemente, em 28 de dezembro de 2025, em uma solenidade no Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo de São Paulo, com a presença do governador Tarcísio de Freitas. Na ocasião, foram nomeados 524 novos delegados.
Como havia assumido o cargo há menos de um mês, Layla ainda frequentava o curso de formação de delegados na Academia da Polícia Civil, que tem duração prevista de seis meses. A academia, localizada na capital paulista, foi um dos alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos nesta sexta-feira.
Operação Serpens
A operação cumpriu, ao todo, sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e Marabá (PA), expedidos pela 2ª Vara Especializada de Crime Organizado da Capital, além dos dois mandados de prisão temporária contra o casal. A ação contou com apoio do Gaeco do Pará.
Em nota sobre o caso, o Procurador-Geral de Justiça, Paulo Sérgio Oliveira e Costa, comentou a gravidade da infiltração criminosa no Estado. “Além da economia formal, o crime organizado tem também se infiltrado em carreiras públicas e estruturas de Estado. Mas em São Paulo, graças aos setores de inteligência, isso tem sido coibido”, declarou.
Até o fechamento desta reportagem, a defesa do casal não havia sido localizada. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) foi procurada, mas ainda não se manifestou. O espaço segue aberto para posicionamentos.


















