
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, e o vice-governador Ricardo Ferraço apresentaram, na manhã da última sexta-feira (12), um balanço da gestão estadual referente ao ano de 2025. Durante coletiva de imprensa realizada no auditório da Secretaria Municipal de Agricultura, no centro de Vila Valério, o Executivo confirmou que o Estado encerra o ano com o maior volume de investimentos de sua história, superando R$ 4 bilhões em infraestrutura, com projeção de alcançar R$ 25 bilhões acumulados ao final do ciclo de oito anos de governo, entre 2019 e 2026.
A apresentação, marcada por dados técnicos e análises da conjuntura política e econômica, delineou o cenário fiscal capixaba e as perspectivas para os próximos anos.
O salto na capacidade de investimento
O ponto central da explanação de Renato Casagrande foi a mudança de patamar na capacidade de execução de obras públicas. Segundo o governador, 2025 deve fechar com investimentos que podem chegar a R$ 4,5 bilhões, superando o recorde anterior de R$ 4,2 bilhões.
“Estamos terminando o ano, mais uma vez, com investimento recorde: mais de 4 bilhões de reais em infraestrutura, podendo chegar perto de 4 bilhões e meio. No passado, fizemos 4 bilhões e 200 milhões, que já havia sido o maior investimento da história do Estado”, declarou.
Casagrande fez um comparativo histórico para ilustrar a evolução fiscal. Ele lembrou que, entre 2010 e 2018, o Espírito Santo investiu cerca de R$ 2,5 bilhões em um período de quatro anos. No cenário atual, a projeção é significativamente superior. “Para vocês terem uma ideia, nesses oito anos, de 2019 até o ano que vem, vamos fazer um investimento de 25 bilhões de reais. Isso significa 12 bilhões e meio a cada quatro anos”, afirmou.
O volume, segundo o governador, é sustentado por disciplina fiscal que coloca o Estado acima da média nacional. Enquanto os estados brasileiros investem, em média, entre 5% e 7% da receita, o Espírito Santo alcançou 20% da receita total, ou 25% quando considerada a Receita Corrente Líquida.
“Mantemos o Estado com nota A na gestão fiscal, equilibrado e como referência de gestão pública. O que fizemos foi um trabalho de desburocratização, com repasses fundo a fundo para cidades, fundos de assistência social e de educação”, explicou. Casagrande ressaltou que os investimentos quadruplicaram sem aumento significativo da estrutura de servidores, resultado de ganhos de eficiência administrativa.
Infraestrutura
O governador destacou que o conceito de infraestrutura adotado pelo governo vai além da pavimentação asfáltica. Os recursos foram destinados à aquisição de equipamentos de saúde, construção de Centros de Referência de Assistência Social (Cras), escolas, unidades de saúde e ações de adaptação às mudanças climáticas. “É uma verdadeira revolução que a gente faz nas escolas do Estado e dos municípios. A quantidade de obras é tão grande que nem sei precisar quantas são, mas é muita obra”, afirmou.
Ainda assim, a malha viária recebeu destaque. Casagrande citou o Espírito Santo como o local onde “mais chega rodovia no Brasil” e mencionou, como exemplo regional, o edital recém-publicado para a obra da rodovia que liga São Gabriel da Palha a Águia Branca. “A gente faz a rodovia que liga para Jaguaré e, daqui a pouco, a comunidade quer outra rodovia. Tudo isso surge a partir da demanda da população”, pontuou.
Recorde no PIB e vocações regionais
Responsável também pela área de Desenvolvimento, o vice-governador Ricardo Ferraço apresentou dados sobre a performance econômica do Estado. Segundo ele, em outubro, o Espírito Santo registrou o maior Produto Interno Bruto (PIB) de sua história, com R$ 242 bilhões em riquezas produzidas.
Ferraço explicou que a estratégia do governo tem sido fortalecer vocações já existentes. No Norte do Estado, o foco está na cafeicultura. “O que nós fazemos aqui na região de São Gabriel, Vila Valério e Jaguaré? Potencializamos a atividade do café, ampliando competitividade e produtividade. Conectamos esse arranjo produtivo a duas das mais importantes plantas de processamento de café do Brasil”, afirmou.
A diversificação industrial também foi citada, com destaque para a fábrica da Marcopolo, em São Mateus, que passou de 100 para quase 2 mil funcionários, além da existência de uma fábrica de aviões em Jaguaré.
O vice-governador alertou, no entanto, para os desafios impostos pela Reforma Tributária, que transferirá a cobrança de impostos da origem para o destino, ou seja, para o consumo. “A reforma tributária é um grande desafio. Precisamos ampliar a nossa capacidade de gerar consumo aqui, e o turismo tem sido uma alavanca”, analisou. “Quem planeja tem futuro; quem não planeja tem destino. Nós queremos futuro”, concluiu.
Indicadores sociais
O balanço também abordou os indicadores sociais, com reconhecimento de avanços e desafios ainda existentes.
Sucessão política e a “poupança intergeracional”
Questionado sobre a continuidade dos projetos após o término de seu mandato, em 2026, Renato Casagrande utilizou a metáfora de uma corrida de revezamento para tratar da sucessão política. “A política é uma corrida de revezamento. Quando eu passo o bastão para alguém que vai continuar a corrida, essa pessoa precisa correr na mesma direção. Se puder correr mais rápido do que eu, melhor ainda”, afirmou.
O governador também revelou a criação de uma reserva financeira estratégica, chamada de “poupança intergeracional”, no valor de R$ 1 bilhão. O recurso, segundo ele, foi separado para garantir estabilidade ao Estado diante de eventuais crises futuras. “O Espírito Santo está reservando um dinheiro que poderia ser usado agora, mas está sendo guardado para o futuro”, explicou.
Ao final, Casagrande elogiou a atuação do vice-governador Ricardo Ferraço, destacando sua lealdade e capacidade técnica. “O Ricardo tem sido um vice-governador muito colaborativo, com estatura, conhecimento e seriedade. A gente confia nele”, concluiu.
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