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Lula diz que novo salário mínimo de R$ 1.621 é “muito baixo” e defende valorização

16 jan 2026 - 14:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Brasil

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Em evento de 90 anos da lei, presidente exalta criação do benefício em 1936, mas aponta insuficiência atual. Novo piso de R$ 1.621 vigora desde o dia 1º e deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia
Lula classifica valor do salário mínimo como “muito baixo” durante celebração de 90 anos da lei. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, que o atual valor do salário mínimo adotado no Brasil é “muito baixo” e ainda não cumpre integralmente os requisitos previstos na legislação. A declaração foi dada durante a cerimônia alusiva aos 90 anos de criação do salário mínimo, realizada na Casa da Moeda, onde também foi lançada uma medalha comemorativa. Apesar da crítica ao patamar atual, o presidente celebrou a existência do mecanismo de proteção ao trabalhador.

“Não estamos fazendo esse ato de apologia ao valor do salário mínimo. Porque o valor do salário mínimo é muito baixo no Brasil”, declarou Lula. “Estamos fazendo apologia aqui à ideia de um presidente da República que, em 1936, criou a possibilidade de se estabelecer um salário que garantisse aos trabalhadores os direitos elementares.”

Segundo o presidente, desde sua criação, o piso nacional deveria assegurar direitos básicos como moradia, alimentação, educação e transporte, requisitos que, em sua avaliação, ainda não são plenamente atendidos.

Reajuste e impacto econômico
Desde o dia 1º de janeiro de 2026, está em vigor o novo salário mínimo de R$ 1.621. O montante representa um reajuste de 6,79% (ou R$ 103) em relação ao valor anterior, de R$ 1.518.

O cálculo para o novo valor considerou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado de 4,18% até novembro de 2025, somado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Embora o IBGE tenha revisado a expansão do PIB de 2024 para 3,4%, o novo arcabouço fiscal limitou o ganho real a um teto, resultando no valor final arredondado de R$ 1.621.

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o aumento do mínimo terá um impacto direto na economia nacional, com a injeção estimada de R$ 81,7 bilhões ao longo do ano. O reajuste influencia a renda de 62 milhões de brasileiros, incluindo aposentados, pensionistas e beneficiários do seguro-desemprego.

Política de valorização
Durante o evento, o governo destacou a retomada da Política de Valorização do Salário Mínimo em 2023. Segundo dados apresentados, se essa política não existisse, o valor atual do piso nacional seria de apenas R$ 823.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, ressaltou a importância econômica da medida. “Esse crescimento injeta na economia cerca de R$ 7 bilhões por mês. Ajuda a gerar emprego e a economia a funcionar bem”, afirmou Marinho. Desde a retomada da política, o governo acumula um aumento real (acima da inflação) de 14,8% no salário mínimo.

Contexto histórico
A cerimônia marcou as nove décadas da Lei nº 185, de 1936, implementada pelo então presidente Getúlio Vargas. Historiadores ouvidos pela reportagem apontam que a criação do mínimo foi uma resposta às pressões populares e greves ocorridas nas décadas de 1910 e 1920, em um período de transição do Brasil de uma sociedade agroexportadora para urbano-industrial.

“Até então, o contrato era civil, de prestação de serviços. Não existia um valor mínimo que o empregador deveria pagar”, explica Mateus Gamba Torres, professor de história da Universidade de Brasília (UnB). A legislação consolidou-se como uma ferramenta fundamental para a regulação das relações de trabalho e redução das desigualdades no país.

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Atualizado: 16/01/2026 15:17

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