política

Lula empossa Wellington César e endurece discurso contra o crime organizado

16 jan 2026 - 08:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Brasil

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Em cerimônia no Planalto, novo ministro define inteligência e cooperação federativa como prioridades. Governo articula ofensiva integrada com Judiciário e Ministério Público para asfixiar poder econômico de facções
Lula empossa Wellington César e eleva combate ao crime organizado a ação de Estado. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou, na noite desta quinta-feira (15), a troca de comando no Ministério da Justiça e Segurança Pública, empossando Wellington César Lima e Silva como sucessor de Ricardo Lewandowski. Durante a cerimônia realizada no Palácio do Planalto, o governo federal anunciou uma mudança estratégica na segurança pública, classificando o enfrentamento às organizações criminosas como uma ação de Estado que envolverá a atuação integrada e permanente entre o Executivo, o Ministério Público e o Poder Judiciário.

A solenidade marcou a saída de Lewandowski, que chefiava a pasta desde fevereiro de 2024, e a chegada de Lima e Silva com a missão de continuidade e aprofundamento das ações de inteligência. O evento contou com a presença de ministros, autoridades do sistema de Justiça e dirigentes de órgãos estratégicos, como a Polícia Federal (PF), a Receita Federal e o Banco Central.

Foco no “andar de cima” e descapitalização do crime
Em seu discurso, o presidente Lula enfatizou que a nova diretriz de segurança busca atingir o financiamento e a estrutura logística das facções, distanciando-se de políticas focadas apenas no confronto direto em comunidades vulneráveis.

“Não é ficar prendendo pobre; vamos chegar à cobertura do crime organizado e saber quem é efetivamente responsável, quem não paga imposto, quem sonega no Brasil, que é uma das razões do empobrecimento do nosso país”, afirmou Lula.

O presidente destacou que o objetivo é que o país, pela primeira vez, foque em não “ficar matando gente em favelas”, mas sim em coordenar esforços com a PF, Receita e Banco Central. Lula citou investigações recentes como exemplos do novo padrão de atuação, incluindo a “Operação Carbono Oculto”, classificada por ele como a maior já realizada pela PF em conjunto com a Polícia de São Paulo e a Receita Federal, focada em fraude fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, a apreensão de cinco navios com 250 milhões de litros de gasolina contrabandeada na operação Refit, e as apurações envolvendo o Banco Master.

“Nós nunca estivemos tão perto e nunca tivemos tanta oportunidade, tanta chance de chegar ao andar de cima da corrupção e do crime organizado neste país como agora”, declarou o presidente.

Integração entre Poderes
A decisão de elevar o combate ao crime ao status de ação de Estado foi detalhada pelo novo ministro, Wellington César Lima e Silva, após uma reunião prévia convocada por Lula. A estratégia prevê que órgãos de persecução penal e fiscal atuem em sintonia institucional com o Judiciário e o Ministério Público para garantir maior efetividade a investigações e denúncias.

Segundo o ministro, a iniciativa conta com o apoio do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Alexandre de Moraes. “Houve uma decisão do presidente da República, compartilhada por todos os atores presentes, de elevar ao status de ação do Estado o combate ao crime organizado”, explicou Wellington César. Ele ressaltou que a coordenação respeitará as autonomias constitucionais de cada Poder.

Os quatro pilares da nova gestão
Wellington César Lima e Silva delineou os eixos que guiarão sua administração à frente da Justiça e Segurança Pública. “A questão da inteligência, o fortalecimento das instituições, a atitude de cooperação federativa e a eficiência no gasto público são quatro eixos fundamentais”, pontuou.

O novo ministro enfatizou a urgência do trabalho e a necessidade de uma visão de longo prazo. “Estou absolutamente convencido de que a sociedade brasileira precisa entender que o combate ao crime organizado não é uma tarefa deste ano. É uma tarefa de todo o período do porvir e que repercutirá em efeitos para esta e futuras gerações.”

Sobre a equipe, Wellington confirmou que os diretores-gerais da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) permanecerão nos cargos. Em relação aos secretários nacionais da pasta, o ministro afirmou que terá conversas individuais para definir a manutenção ou substituição dos nomes, tendo recebido “plena liberdade” do presidente para montar seu time.

Continuidade e Legislação
Ricardo Lewandowski, ao transmitir o cargo, descreveu o momento como um símbolo de continuidade, e não de ruptura. “Tenho certeza de que o nosso novo ministro, Wellington César Lima e Silva, é um homem predestinado a dar continuidade aos importantes trabalhos que a nossa equipe iniciou”, disse o ex-ministro, elogiado por Lula pela qualificação jurídica e condução da pasta nos últimos dois anos.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reforçou a importância da pauta legislativa deixada pela gestão anterior, citando especificamente a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e o projeto de lei anti-facção. Lula também defendeu o avanço da PEC no Congresso Nacional para definir com clareza o papel da União, da PF e de uma futura Guarda Nacional, superando as limitações da Constituição de 1988 que concentrou responsabilidades nos estados.

Wellington César demonstrou otimismo quanto à tramitação das propostas. “Eu acredito piamente no sentido de responsabilidade do Congresso”, afirmou a jornalistas após a posse.

Resultados operacionais
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, corroborou a diretriz de asfixia financeira, citando a cooperação internacional como chave para o sucesso. Ele mencionou uma operação recente que resultou na apreensão de quase 10 toneladas de drogas na Espanha a partir de investigações brasileiras. “Enfrentar o poder econômico do crime organizado é essencial para que a gente tenha resultados efetivos e perenes”, concluiu o diretor.

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Atualizado: 16/01/2026 10:05

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