O Espírito Santo registrará um novo pico na produção de petróleo e gás natural em 2027, impulsionado pelo início e pela expansão de operações em campos de águas profundas. A projeção foi divulgada nesta terça-feira (14) pelo Observatório Findes, durante o lançamento da 9ª edição do Anuário da Indústria de Petróleo e Gás Natural no ES, que detalha um crescimento médio anual de 13,5% na produção a partir de 2025, além de mapear R$ 38,4 bilhões em investimentos previstos para o Estado até 2031.
Com o incremento projetado até 2027, o Estado deve chegar à marca de 248,4 mil barris de óleo e 6,2 milhões de metros cúbicos de gás extraídos diariamente. O avanço será concentrado na exploração offshore (no mar), que tem 94,5% das reservas capixabas e apresenta estimativa de crescimento anual de 13,8%.
O gerente de Ambiente de Negócios da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Nathan Diir, detalha os fatores operacionais que garantem esse volume. “Para atingir esse pico, contamos com a aceleração da produção do FPSO Maria Quitéria, instalado no campo de Jubarte, com o início da produção no campo de Wahoo neste ano e com a expansão da produção no campo de Golfinho”, explica.
Impacto econômico e mercado de trabalho
De volta à segunda posição entre os maiores produtores de petróleo do Brasil após seis anos, e ocupando o quarto lugar na produção de gás natural, o Espírito Santo tem no setor um dos motores de sua economia. Já para 2025, a projeção é de 192,9 mil barris de petróleo e 5,08 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. O crescimento específico do gás natural é estimado em 10,6% ao ano entre 2025 e 2027.
O presidente da Findes, Paulo Baraona, ressalta a relevância contínua do segmento. “Ela [a indústria] foi importante há 20 anos e continua sendo hoje. No último ano, reassumimos a segunda posição entre os maiores produtores de petróleo do país. Para este ano, a expectativa é de continuidade do crescimento, e seguimos atentos ao próximo pico de produção e às formas de fazer com que ele gere impacto positivo em diferentes segmentos”, afirma.
A cadeia produtiva local é formada atualmente por 652 empresas, número 7,3% maior que o registrado na edição anterior do anuário. A gerente executiva do Observatório Findes e economista-chefe da instituição, Marília Silva, aponta que o setor é responsável por 17,2 mil empregos formais diretos. “Esse é um segmento que gera empregos com salários melhores e que demanda diversos segmentos. Os dados do Ministério do Trabalho mostram que […] geram salário médio de R$ 7.954,70”, destaca a economista. A título de comparação, a média salarial do setor no cenário nacional é de R$ 8.409,99.
Descomissionamento de plataformas gera mercado de R$ 4,8 bilhões
O levantamento inédito também traça o cenário para a fase posterior ao pico. A partir de 2028, iniciará um processo de declínio natural da produção nos campos capixabas devido ao amadurecimento das reservas, o que resultará no encerramento das atividades de diversas plataformas. O movimento, que é uma tendência nacional, abre as portas para uma nova cadeia industrial.
Até o momento, 26 projetos de descomissionamento offshore (desmontagem e destinação das estruturas) já estão aprovados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para o Espírito Santo, somando R$ 4,8 bilhões em investimentos.
“Esse é um volume expressivo, capaz de atrair empresas especializadas e posicionar o Espírito Santo como referência nacional nesse novo mercado. Temos a oportunidade de sermos pioneiros na estruturação dessa cadeia no Brasil. Esse é um mercado que se abre para o país e no qual a Findes está atuando para que se desenvolva e ganhe escala”, avalia Paulo Baraona.
Sobre o Anuário
Produzido desde 2017 pelo Observatório Findes, o Anuário compila dados de fontes oficiais como ANP, Rais e MDIC. O documento monitora o número de poços perfurados, a arrecadação de royalties e as participações especiais do setor. A 9ª edição foi elaborada com o apoio do Fórum Capixaba de Petróleo, Gás e Energia (FCPGE), do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), da Organização Nacional da Indústria de Petróleo e Gás (Onip), da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (Abpip) e do Governo do Estado do Espírito Santo.


















