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Aneel projeta alta de 8% na conta de luz em 2026, mas consumidores do ES podem ter descontos

20 abr 2026 - 15:25

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Folha de S. Paulo

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Aumento nacional é impulsionado por subsídios e privatização da Eletrobras. No estado, EDP ocupa a 11ª posição em ranking de qualidade, e clientes capixabas serão beneficiados por verbas da Sudene
Conta de luz vai subir 8% em 2026 e terá desconto para o Espírito Santo. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estima que a conta de luz dos brasileiros sofrerá um reajuste médio de 8% em 2026, índice que representa quase o dobro da inflação projetada para o ano. A alta é impulsionada pelo custo crescente de subsídios e pelos reflexos da privatização da Eletrobras (atual Axia). Apesar do cenário nacional de encarecimento da tarifa, que preocupa o governo federal em ano eleitoral, os consumidores do Espírito Santo contarão com descontos provenientes de verbas da Sudene, em um momento em que a qualidade do fornecimento de energia no país apresenta melhora estatística, com a redução na duração e na frequência das quedas de luz registradas ao longo de 2025.

Fatores que pressionam a tarifa
O aumento médio de 8% previsto para 2026 fica acima dos reajustes registrados nos anos anteriores: 7% em 2025, 0,5% em 2024 e 6,2% em 2023. Segundo a agência, cerca de metade do índice deste ano é provocado pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), mecanismo que custeará R$ 52 bilhões em 2026. Esses recursos financiam, por exemplo, o incentivo a energias renováveis e a isenção da conta para famílias de baixa renda.

Outro fator de impacto é a privatização da Eletrobras, ocorrida em 2022. A lei estipulou uma redução gradual das cotas de energia vendidas a preços de contratos antigos, que chegará a 0% em 2027. Com isso, a agora chamada Axia vende parte de sua energia a preços de mercado. Soma-se a isso o acionamento de usinas termelétricas, mais caras, para compensar o baixo volume de chuvas na virada do ano.

Os primeiros reajustes de 2026 já foram aprovados: 23,2% em Roraima, 14,2% para clientes da Enel (RJ) e 6,9% para os da Light (RJ).

Impacto e benefícios no Espírito Santo
Para os capixabas, o impacto dos reajustes deverá ser atenuado. A Aneel confirmou que o governo utilizará recursos da taxa de uso do bem público para aplicar descontos diretos na conta de luz de moradores de estados atendidos pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O Espírito Santo integra a área de atuação da Sudene. A expectativa do governo é de que os reajustes fiquem próximos de zero nas regiões Norte e Nordeste devido a esses repasses extras da CDE.

No que tange à prestação do serviço, a EDP, concessionária que atende a maior parte do Espírito Santo, encerrou 2025 na 11ª colocação entre as 33 distribuidoras de grande porte do Brasil (com mais de 400 mil unidades consumidoras), registrando um Desempenho Global de Continuidade (DGC) de 0,70. O ranking foi liderado pela CPFL Santa Cruz (SP), seguida pela Neoenergia Cosern (RN) e Equatorial PA.

Movimentações políticas e bandeiras tarifárias
O custo da energia tornou-se uma das principais preocupações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) frente ao crescimento do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas, especialmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, justamente onde a tendência é de reajustes maiores.

Inicialmente, segundo informações da Folha de S. Paulo, o Executivo planejava articular um empréstimo de até R$ 7 bilhões junto ao BNDES para as distribuidoras, a fim de diluir o aumento. A proposta, no entanto, foi barrada pelo Ministério da Fazenda devido aos custos de equalização de juros que recairiam sobre o Tesouro Nacional. O Ministério de Minas e Energia (MME) chegou a enviar um ofício à Aneel solicitando o adiamento do processamento dos reajustes para examinar alternativas. “O objetivo dessas discussões é examinar alternativas que possam mitigar os impactos dos reajustes tarifários para os consumidores, buscando soluções que preservem o equilíbrio regulatório sem impor ônus excessivo à população”, diz o documento do MME.

Sem o empréstimo, o governo foca agora em revisar as regras das bandeiras tarifárias para evitar o acionamento da bandeira vermelha no meio do ano, o que poderia encarecer as contas em mais R$ 7 bilhões. O bônus de Itaipu, utilizado nos anos anteriores para abater as tarifas, conta com um saldo estimado entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão para 2026, valor considerado insuficiente para cobrir todo o custo extra.

Melhora na qualidade do serviço em 2025
Apesar da pressão tarifária, os dados oficiais de 2025 mostram uma evolução na continuidade do serviço em todo o país. O tempo médio em que o consumidor brasileiro ficou sem energia (indicador DEC) foi de 9,30 horas no ano, uma redução de 9,2% em relação às 10,24 horas registradas em 2024. A frequência das quedas (indicador FEC) também caiu 4,7%, passando de 4,89 para 4,66 interrupções médias por consumidor.

As compensações pagas pelas distribuidoras por descumprimento de limites de qualidade totalizaram R$ 1.001.494.573,83 em 2025, uma queda em relação ao R$ 1,12 bilhão de 2024. O número de ocorrências compensadas também reduziu de 27,2 milhões para 21,6 milhões. Os valores são devolvidos automaticamente aos clientes afetados na fatura mensal.

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Atualizado: 20/04/2026 15:34

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