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Fim da escala 6×1 impulsionará economia, mas novas tarifas dos EUA ameaçam pequenos negócios, afirma ministro

03 jun 2026 - 08:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Paulo Pereira defende que a redução da jornada de trabalho aumentará o consumo interno e a produtividade, enquanto o governo federal prepara linhas de crédito para proteger exportadores de possíveis sanções americanas de 25%
Fim da escala 6x1 impulsionará economia, mas novas tarifas dos EUA ameaçam pequenos negócios, afirma ministro. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, afirmou nesta terça-feira (2) que o fim da escala de trabalho 6×1 trará impactos positivos para a economia brasileira, mas alertou que a possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre as exportações do país pode prejudicar os pequenos negócios. O posicionamento ocorre no momento em que o Senado analisa a mudança na jornada de trabalho, aprovada pela Câmara dos Deputados na última quarta-feira (27), e enquanto o governo federal tenta negociar com o país norte-americano para evitar novas sanções comerciais motivadas por disputas políticas.

O fim da escala 6×1 e as projeções para o mercado
A Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala 6×1 foi aprovada na Câmara com 470 votos favoráveis e 22 contrários. O texto reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer redução salarial. Atualmente em análise no Senado, a medida terá um prazo de 60 dias para entrar em vigor, caso não sofra alterações.

Em entrevista ao programa A Voz do Brasil, o ministro Paulo Pereira avaliou que a mudança trará benefícios diretos ao mercado interno e ao desenvolvimento profissional. “A gente acha importante dizer que a gente acha que o grande impacto da redução da escala 6×1 é positivo para a economia. Em primeiro lugar, porque as pessoas vão ter mais tempo e, tendo mais tempo, elas vão consumir mais, vão mais ao cinema, vão mais aos restaurantes, vão estudar mais, as pessoas vão ter mais tempo para se formar, o que movimenta os negócios de educação e, ao mesmo tempo, aumenta a produtividade do trabalhador”, declarou.

Pereira também destacou o impacto na saúde dos trabalhadores e na cultura organizacional das empresas. Segundo o ministro, a redução da jornada diminuirá a rotatividade de funcionários e os afastamentos médicos. Para ilustrar o cenário, ele mencionou que mais de 500 mil trabalhadores e trabalhadoras foram afastados por problemas de saúde no ano de 2025. “Nós vamos ter melhorias no ambiente do trabalho, trabalhadores mais assíduos, que vão ter mais tempo para cuidar da sua saúde, portanto, vão estar menos licenciados por problemas de saúde”, reforçou o chefe da pasta.

Tensões comerciais e a ameaça de novas tarifas americanas
Além das mudanças nas leis trabalhistas, o Ministério do Empreendedorismo monitora as consequências da conclusão preliminar de uma investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil em julho de 2025. O processo aponta para a criação de uma tarifa adicional de 25% sobre os produtos brasileiros exportados ao mercado americano. De acordo com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a ofensiva tem motivações políticas, sendo impulsionada por aliados da família Bolsonaro nos Estados Unidos, e mistura questões comerciais com temas de soberania nacional.

Em entrevista ao portal Poder360, Paulo Pereira demonstrou preocupação com a instabilidade econômica gerada pela possibilidade de novas barreiras, que afetam diretamente empresas com potencial exportador e criam incertezas para os investimentos. O ministro alertou ainda para o risco de restrições no sistema financeiro internacional. A ameaça decorre da discussão americana sobre a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

Segundo Pereira, esse cenário pode afetar as transações internacionais de bancos brasileiros, prejudicando os empreendedores e ferramentas nacionais de pagamento. O Pix é apontado como uma das principais preocupações da pasta, uma vez que o sistema reduziu custos de transação e “permitiu a emancipação de vários empreendedores e empreendedoras”.

“São grupos que fazem muito mal à vida da sociedade mas, se entender esses grupos com grupos ‘terroristas’ e agora uma nova possibilidade de aumento de tarifa. O que isso gera? Primeiro instabilidade. Então você pode aos poucos começar a ter restrições do sistema financeiro internacional contra bancos brasileiros para o mundo dos empreendedores”, explicou. O ministro classificou a postura como uma “agressão desmedida” sem fundamento econômico, atribuindo a escalada da tensão à “irresponsabilidade de parte dos atores políticos brasileiros que querem prejudicar o país a qualquer custo porque estão pensando só na eleição”.

Histórico de sanções e as medidas de contenção do governo
O cenário atual remete a julho de 2025, quando o governo de Donald Trump anunciou tarifas de até 50% sobre mercadorias brasileiras. Naquele período, pequenas empresas exportadoras ligadas à indústria de transformação, alimentos, madeira, calçados e componentes industriais foram as mais impactadas. Para mitigar os efeitos econômicos na época, o governo federal implementou linhas de crédito para os exportadores, ampliou os mecanismos de financiamento ao comércio exterior e adotou ações de suporte às companhias atingidas.

Caso a nova tarifa de 25% seja concretizada, a gestão planeja utilizar os mesmos instrumentos de contenção. “O governo construiu linhas de crédito específicas para os exportadores que foram afetados. Pode vir a acontecer de novo no caso dos micro e dos pequenos empreendedores”, garantiu o ministro.

Entre as iniciativas paralelas para fortalecer o mercado interno e proteger os empregos no Brasil, o Executivo aposta em ações de combate ao endividamento e em projetos como o Contrata+ Brasil, programa criado para conectar empreendedores a oportunidades de prestação de serviços para órgãos públicos.

O Palácio do Planalto mantém as negociações com Washington na tentativa de evitar que as recomendações da investigação se transformem em cobranças tarifárias efetivas. As conversas oficiais seguem até o dia 15 de julho, prazo final estipulado para as tratativas, mas o governo brasileiro sustenta de forma categórica que o funcionamento do Pix e outras pautas de soberania não serão objeto de concessões.

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Atualizado: 03/06/2026 10:10

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