política

Eduardo Bolsonaro sugere substituir Pix por sistema de pagamento privado dos Estados Unidos

04 jun 2026 - 12:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Em vídeo publicado nas redes sociais, ex-parlamentar propõe o uso do Zelle, ferramenta operada por consórcio de bancos, como alternativa ao modelo do Banco Central durante negociação sobre tarifas impostas ao Brasil
Eduardo Bolsonaro sugere substituir Pix por sistema de pagamento privado dos Estados Unidos. Foto: Reprodução

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sugeriu nesta quarta-feira (4) que o Brasil apresente o sistema privado estadunidense Zelle como alternativa ao Pix, modelo público e gratuito, em eventuais conversas com os Estados Unidos. A declaração foi feita em um vídeo divulgado na rede social X e tem como objetivo propor uma saída para compor uma mesa de negociação com o governo norte-americano, que anunciou na segunda-feira (1º) uma taxação de 25% sobre as exportações brasileiras.

O ex-parlamentar, que reside atualmente no país norte-americano há mais de um ano e meio, gravou o pronunciamento no contexto das justificativas apresentadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). No documento que embasa o tarifaço, o governo de Donald Trump questiona as práticas em torno do Pix e acusa o Banco Central do Brasil de favorecer a plataforma ao atuar como regulador e proprietário da ferramenta, limitando as taxas que poderiam ser cobradas por concorrentes estrangeiros.

No vídeo, Eduardo Bolsonaro propõe o mecanismo privado norte-americano como base para as tratativas. “Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos, aqui é o Zelle. Então dá pra você ir pra uma mesa de negociação com os americanos”, declarou o ex-deputado.

Diferenças operacionais entre os sistemas
A sugestão de substituição trazida por Eduardo Bolsonaro expõe as distinções estruturais entre os dois modelos de transferência financeira, que possuem naturezas distintas.

O Pix foi criado e é operado pelo Banco Central do Brasil, constituindo uma infraestrutura pública de pagamentos instantâneos. O sistema brasileiro é obrigatório para as instituições financeiras autorizadas, possui funcionamento ininterrupto (24 horas por dia, sete dias por semana) e garante gratuidade para pessoas físicas. O uso comercial no país é amplo, incluindo integração com empresas, varejo e recolhimento de impostos.

O Zelle, por outro lado, é uma rede de pagamentos digitais lançada em 2017 por um consórcio de grandes bancos privados dos Estados Unidos. Trata-se de uma ferramenta privada cuja oferta depende das instituições participantes. Diferentemente do modelo nacional, o envio de valores não é integralmente gratuito e seu funcionamento está sujeito às regras dos bancos consorciados. O uso nos Estados Unidos concentra-se em transferências cotidianas entre pessoas físicas.

Defesa do modelo pelo setor bancário
A comparação e a menção ao sistema brasileiro pelo governo estadunidense motivaram um posicionamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entidade que representa as maiores instituições financeiras nacionais.

Em resposta ao documento do USTR, a Febraban emitiu uma nota apontando as características do modelo desenvolvido no Brasil. “O Pix é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial, que favorece a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos e consequentemente da atividade econômica. Trata-se de um modelo aberto e não discriminatório, com participação de bancos, fintechs, instituições financeiras nacionais e estrangeiras”, informou o texto da entidade.

Repercussão política e críticas nas redes
A proposta do ex-deputado de equiparar os sistemas gerou reações entre os usuários de redes sociais. O perfil Allan dos Panos publicou: “Prestar vassalagem trocando o Pix pelo Zelle? kkk”. O termo “vassalagem” figurou entre os tópicos mais comentados na manhã desta quinta-feira. Parlamentares da base do governo também usaram a internet para associar a crise ao recente encontro do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro com Donald Trump, publicando frases como “Tariflávio”, “o Pix é nosso” e “Bolsonaros inimigos do Brasil”.

Em evento realizado em Goiás, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os irmãos Bolsonaro. “Ele foi pedir arrego. ‘Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições, não deixa, prejudica o Lula’. Imbecil. Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar é o povo brasileiro, os empresários brasileiros, o agronegócio”, discursou o presidente. Lula acrescentou: “Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores que ele. São vendilhões da Pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores”.

Na terça-feira, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que pediu diretamente a Trump a não imposição de sanções contra empresas brasileiras. O senador, que também enviou uma carta ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, justificou que a tarifa não é direcionada às empresas. “Quem está sendo tarifado é o presidente Lula: é ele e o seu comportamento, são as suas ameaças aos Estados Unidos e o seu sentimento anti-americano. É a sua ideologia sendo colocada na frente do interesse do povo brasileiro que pode fazer com que as empresas brasileiras sejam mais uma vez tarifadas”, afirmou Flávio.

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