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PGR denuncia desembargador capixaba e políticos por vazamento de informações sigilosas

16 mar 2026 - 15:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Macário Ramos Júdice Neto é acusado de repassar informações estratégicas para obstruir ações da Polícia Federal. Esquema envolveria deputado que alertou alvo para destruição de provas às vésperas de operação
PGR denuncia desembargador capixaba por vazar operações ao Comando Vermelho. Foto: Reprodução

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o desembargador capixaba Macário Ramos Júdice Neto e mais quatro pessoas por atuarem para obstruir uma investigação da Polícia Federal ligada à facção criminosa Comando Vermelho. Segundo a acusação, o magistrado teria violado o sigilo funcional ao vazar detalhes de ações policiais em fase de preparação, repassando dados estratégicos a políticos que alertaram os alvos, prejudicando o êxito das diligências.

As informações, divulgadas pelo canal de notícias Globonews, apontam que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustenta que as provas reunidas no inquérito “não deixam dúvidas” sobre a existência de uma atuação coordenada para atrapalhar a Polícia Federal e favorecer a organização criminosa armada.

Além do desembargador capixaba, a lista de denunciados inclui:

  • Rodrigo da Silva Bacellar (União Brasil), deputado estadual e presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj);
  • Thiego Raimundo dos Santos Silva (também identificado nos autos como Thiego Raimundo de Oliveira Santos), ex-deputado estadual conhecido como TH Joias;
  • Jéssica de Oliveira Santos, esposa de TH Joias;
  • Thárcio Nascimento Salgado, ex-assessor de TH Joias.

A esposa do desembargador, Flávia Ferraço Lopes Judice, que havia sido indiciada pela Polícia Federal durante as investigações, foi poupada na denúncia apresentada pela PGR.

A dinâmica do suposto vazamento
De acordo com o documento da PGR, o desembargador Macário Júdice Neto detinha conhecimento antecipado sobre quando e como as operações seriam realizadas. A denúncia relata uma relação de amizade e proximidade entre o magistrado e o deputado estadual Rodrigo Bacellar, com quem teria se encontrado pessoalmente em algumas ocasiões.

O foco central da acusação é a Operação Zargun, conduzida pelo próprio desembargador e deflagrada em setembro do ano passado. O principal alvo da ação era o ex-deputado TH Joias. A Procuradoria aponta que o sucesso da operação foi significativamente comprometido porque TH Joias recebeu aviso prévio sobre a investida policial.

Com a informação antecipada, TH Joias retirou computadores e outras mídias do gabinete que ocupava na Alerj e deixou sua residência, deixando o local revirado, na véspera da operação policial. A PGR afirma que o responsável por alertar o ex-deputado foi Rodrigo Bacellar. O próprio parlamentar, segundo a acusação, teria admitido esse repasse de informações em depoimento prestado à Polícia Federal. Bacellar e TH Joias são acusados de utilizar seus cargos públicos para atrapalhar as investigações.

O caso também possui ligações com a 2ª fase da Operação Unha e Carne, na qual o desembargador federal chegou a ser preso pela Polícia Federal, e Bacellar foi alvo de novas buscas. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) também apura os vazamentos.

Agora, o Supremo Tribunal Federal analisará o documento. Caso a Corte aceite a denúncia, os cinco investigados passarão à condição de réus e responderão formalmente a processo criminal.

O que dizem os citados
A defesa do desembargador Macário Ramos Júdice Neto emitiu nota afirmando ter recebido a denúncia da PGR com surpresa e argumenta que os dados do relatório final da Polícia Federal são incongruentes.

Os advogados contestam, por exemplo, a informação de um encontro presencial com Rodrigo Bacellar na noite de 2 de setembro, na churrascaria Assador. Segundo a defesa, dados de antenas de telefonia citados na própria apuração indicam que o magistrado não esteve com o deputado no local apontado.

Em manifestação oficial, a defesa declarou: “A defesa do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto recebeu com surpresa a denúncia da Procuradoria Geral da República oferecida contra o seu cliente e lamenta que toda a narrativa desenvolvida pela acusação seja fruto de ilações e conjecturas que não se sustentam diante da lógica mais elementar e dos elementos concretamente reunidos ao longo da investigação. De toda forma, Macário se mantém sereno em razão da plena confiança que nutre pelo Poder Judiciário e da certeza de que provará sua inocência no processo.”

Ainda de acordo com a Globonews, os demais denunciados não responderam às tentativas de contato da reportagem.

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Atualizado: 16/03/2026 16:16

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