Uma pesquisa nacional realizada pelo instituto Ipespe entre os dias 19 e 22 de setembro revela que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem é rejeitada por 72% dos brasileiros. A proposta, que já foi aprovada na Câmara dos Deputados, encontra oposição majoritária inclusive entre os eleitorados do presidente Lula (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A matéria em questão prevê que o Supremo Tribunal Federal (STF) seja obrigado a solicitar uma licença prévia ao Congresso Nacional para poder iniciar processos criminais contra deputados federais e senadores. O texto avançou na Câmara com apoio maciço de partidos do centrão, do PL, e com votos favoráveis de uma minoria de deputados do PT.
Oposição em diferentes espectros políticos
A análise dos dados da pesquisa, que ouviu 2.500 pessoas em todo o país, mostra que a rejeição à proposta é expressiva em diferentes grupos. Entre os eleitores que declararam voto em Lula, 87% são contrários à PEC, enquanto apenas 11% se manifestaram a favor. Outros 3% não souberam ou não responderam.
Mesmo na base de apoio de Jair Bolsonaro, a medida não possui ampla aceitação. De acordo com o levantamento, 52% dos seus eleitores afirmaram ser contra o projeto. Os favoráveis somam 38%, e 10% não souberam ou não responderam.
Quando a estratificação é feita por posicionamento ideológico, a rejeição se mantém alta. Entre os entrevistados que se autodefinem como de esquerda, 93% são contra a PEC da Blindagem. O índice de desaprovação também é majoritário entre os que se identificam como de centro (81%) e de direita (51%).
Proposta de anistia também divide opiniões
A pesquisa Ipespe também questionou os entrevistados sobre um eventual projeto de anistia para os envolvidos nos atos golpistas. A maioria, correspondente a 46%, posicionou-se contra a proposta. Outros 28% afirmaram ser a favor de uma anistia geral, enquanto 18% apoiam uma anistia parcial, com redução de pena apenas para os que tiveram menor envolvimento. Não responderam ou não souberam opinar somam 8%.
Neste tema, a diferença entre os eleitorados é mais acentuada. Entre os apoiadores de Bolsonaro, 63% são favoráveis à anistia geral, que poderia beneficiar o ex-presidente. Outros 19% apoiam a anistia parcial, e 9% são contrários a qualquer tipo de perdão.
Já entre os eleitores de Lula, a rejeição a um perdão amplo é de 74%. No entanto, 17% se disseram favoráveis a uma anistia parcial, e apenas 4% apoiam a proposta de anistia geral.
A pesquisa foi realizada em todo o país entre os dias 19 e 22 de setembro, com 2.500 entrevistados. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.


















