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Lula critica na ONU ‘sanções arbitrárias’ e diz que agressão ao Judiciário brasileiro é inaceitável

23 set 2025 - 11:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Presidente responde a nova rodada de sanções do governo Trump contra o entorno do ministro Alexandre de Moraes e afirma que condenação de Bolsonaro é "recado a todos os candidatos a autocratas"
Na ONU, Lula critica sanções e classifica agressão ao Judiciário como 'inaceitável'. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu o discurso na 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nesta terça-feira (23), com uma crítica a sanções internacionais e uma defesa da soberania do Judiciário brasileiro. A fala ocorre um dia após o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, anunciar uma nova rodada de sanções contra autoridades do Brasil e o entorno do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em reação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em seu pronunciamento de 18 minutos, que tradicionalmente abre os debates entre os chefes de Estado, Lula afirmou que o mundo assiste ao aumento do autoritarismo e à crise do multilateralismo. “Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando regra. Existe um evidente paralelo entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia”, declarou o presidente.

Resposta a novas sanções
As declarações de Lula são uma resposta direta às medidas anunciadas pelo governo americano na segunda-feira (22). A nova rodada de sanções inclui a revogação de vistos e a inclusão da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e de uma empresa da família do magistrado na lista da Lei Magnitsky, que visa punir envolvidos em corrupção ou graves violações de direitos humanos.

Sem citar nominalmente o presidente Donald Trump, Lula fez uma defesa enfática da independência judicial brasileira. “A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável. Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias. Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade”, afirmou.

Durante este trecho do discurso, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que tem se manifestado de forma crítica ao ministro Moraes, chegou ao plenário da Assembleia Geral.

Condenação de Bolsonaro
O presidente brasileiro também utilizou o púlpito da ONU para comentar a condenação de seu antecessor, Jair Bolsonaro, tratando-a como um marco na história do país e um exemplo de fortalecimento democrático.

“Há poucos dias, e pela primeira vez em 525 anos de nossa história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito”, disse Lula, referindo-se à pena de 27 anos de prisão imposta pelo STF a Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes correlatos.

Lula ressaltou a lisura do processo judicial. “Foi investigado, indiciado e julgado. Responsabilizado por seus atos em um processo minucioso. Teve amplo direito de defesa, prerrogativa que as ditaduras negam às suas vítimas”, detalhou.

Para o presidente, o resultado do julgamento envia uma mensagem internacional. “Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam. Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis. Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela.”

Crise em Gaza
Outro tema de destaque no discurso foi a situação na Faixa de Gaza. Lula lamentou a ausência presencial da delegação palestina, cujo presidente, Mahmoud Abbas, participará por videoconferência após o governo dos EUA ter revogado os vistos de seus representantes.

“É lamentável que o presidente Mahmoud Abbas tenha sido impedido pelo país anfitrião de ocupar a bancada da Palestina nesse momento histórico”, disse.

O presidente condenou os ataques do Hamas, mas também a resposta militar de Israel. “Os atentados terroristas perpetrados pelo Hamas são indefensáveis sob qualquer ângulo, mas nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza”, afirmou, acrescentando que “a fome é usada como arma de guerra”. Lula expressou admiração aos judeus que se opõem ao conflito e defendeu a solução de dois Estados, afirmando que o povo palestino “corre o risco de desaparecer”.

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Atualizado: 23/09/2025 12:02

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