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Casal é preso por fraude milionária em vale-alimentação no ES

04 mar 2026 - 08:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Esquema cobrava taxa de até 40% para converter o saldo dos benefícios em dinheiro. Operação apreendeu quase dois mil cartões e revelou desvios iniciados por ex-funcionária de uma empresa da Grande Vitória
Polícia prende casal na Serra que movimentava R$ 1 milhão por mês com fraude em vales-alimentação. Foto: Divulgação/Sesp

A Polícia Civil prendeu em flagrante um homem e uma mulher, ambos de 43 anos, suspeitos de chefiar um esquema de fraude em cartões de benefícios que movimentava cerca de R$ 1 milhão por mês no Espírito Santo. A prisão ocorreu na última quinta-feira (26), em um condomínio de luxo no bairro Feu Rosa, na Serra, durante a Operação “Onerado”, cujos detalhes foram divulgados nesta terça-feira (3). Os investigados utilizavam máquinas registradas em nome de “laranjas” para converter o saldo de tíquetes-alimentação em dinheiro, cobrando taxas de 20% a 40% dos usuários que procuravam o serviço.

Como funcionava a fraude
O grupo criminoso mantinha uma loja física no bairro Goiabeiras, em Vitória, para onde os donos dos cartões se dirigiam com o objetivo de vender o saldo do vale-alimentação. No local, os investigados verificavam o saldo disponível e simulavam compras em máquinas de cartão registradas em CNPJs de terceiros.

Após a transação, o casal repassava o valor ao usuário por meio de Pix ou dinheiro em espécie, retendo a porcentagem referente à taxa cobrada. Os valores retidos pelo esquema também eram repassados a terceiros, incluindo empresas fora do estado, fomentando uma vida de luxo para os suspeitos.

“Eles retinham o cartão da pessoa. Automaticamente, eles utilizavam máquinas de empresas simuladas e já devolviam, na hora, a partir do saldo verificado, o valor com desconto de 30% ou 40% para a pessoa, que levava o dinheiro em espécie ou pix”, explicou o delegado adjunto da Divisão de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Diccor), Vinicius Landeira.

Origem da investigação
A apuração teve início após uma empresa da Grande Vitória denunciar uma ex-funcionária de 38 anos, que atuava no setor financeiro. A mulher era a responsável por recarregar os cartões de benefícios dos trabalhadores da companhia.

Aproveitando-se do acesso ao sistema, a ex-funcionária passou a realizar repasses irregulares para o próprio tíquete. Em seguida, ela se dirigia à loja do casal para converter o saldo em dinheiro. O desvio ocorreu ao longo de 16 meses, gerando um prejuízo de aproximadamente R$ 200 mil à empresa.

“Encarregada de recarregar os cartões do benefício dos funcionários dessa empresa, ela passou a colocar valores exorbitantes no próprio cartão e procurou esse grupo para repassar o valor”, detalhou o delegado. A mulher não foi presa e é investigada pelo crime de furto. Dois funcionários que trabalhavam para o casal também estão sob investigação.

Apreensões e histórico
Durante a ação policial, foram apreendidos 1.892 cartões de benefícios em nome de terceiros, quatro máquinas de cartão, quatro aparelhos celulares, cheques, notas promissórias, documentos contábeis e veículos de luxo.

A polícia estima que, apenas nos cartões recolhidos, haja cerca de R$ 300 mil em benefícios que ainda poderiam ser sacados.

“O próprio preso disse que nesses cartões havia um valor de R$ 300 mil de saldo. Eles assumiram, mas para eles não cometeram nenhum tipo de crime. Nós pesquisamos a vida pregressa e o homem tem histórico de agiotagem com violência”, afirmou Landeira, acrescentando que o suspeito confessou atuar dessa forma há pelo menos 20 anos.

O casal, apontado como integrante do alto escalão financeiro do grupo, foi autuado por receptação qualificada, lavagem de dinheiro e crime contra a economia popular. A Polícia Civil continua a análise do material apreendido para identificar outros envolvidos e calcular o prejuízo total.

Venda de benefício é crime
A polícia alerta que a comercialização do vale-alimentação é uma prática ilegal. O trabalhador que vende o benefício pode ser demitido por justa causa pelo empregador e responder criminalmente por estelionato.

“A partir do momento que você leva seu cartão de benefício pessoal, dado por sua empresa, e você aceita ter esse deságio de 30% a 40%, você pode estar colaborando com uma organização criminosa”, concluiu o delegado.

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Atualizado: 04/03/2026 10:07

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