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PF combate falsificação de documentos para obtenção de cidadania italiana no ES

29 maio 2026 - 07:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Grupo forjava parentesco europeu. Investigação aponta que incêndio em cartório de Itapemirim, em 2022, pode ter sido criminoso para apagar provas
PF combate esquema de cidadania italiana falsa no Sul do ES e mais dois estados. Foto: Arquivo/PF

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (27), uma operação para desarticular uma associação criminosa suspeita de promover a migração ilegal de brasileiros para a Europa. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão no Espírito Santo, no Rio de Janeiro e em Goiás contra o grupo, que utilizaria documentos cartorários falsos e ideologicamente falsos para simular parentesco italiano e permitir a permanência legal no continente europeu.

Mandados e apreensões
Ao todo, os agentes federais cumpriram seis mandados de busca e apreensão. No Espírito Santo, as ações se concentraram nos municípios de Itapemirim e Marataízes, localizados na região Sul do estado. Os mandados também abrangeram as capitais Rio de Janeiro (RJ) e Goiânia (GO).

Além das buscas físicas, a Justiça determinou o cumprimento de dezenas de medidas cautelares diversas. Entre as restrições impostas aos investigados estão a retenção de passaportes, a proibição de deixar o país, a indisponibilidade de valores e o sequestro de bens móveis e imóveis.

Durante a operação, foram apreendidos os aparelhos celulares dos alvos e documentos relacionados ao esquema. Todo o material será encaminhado para a perícia da Polícia Federal, que tem o objetivo de aprofundar as investigações e identificar outros possíveis envolvidos no caso.

Incêndio em cartório de Itapemirim
A operação desta quarta-feira é um desdobramento de uma ação policial deflagrada inicialmente no ano de 2021. A partir do avanço das investigações, a Polícia Federal colheu indícios de que o incêndio ocorrido no Cartório de Registro Civil e Tabelionato de Notas de Itapemirim, em 2022, pode ter tido origem criminosa, com o intuito de destruir provas do esquema de falsificação.

Na ocasião do incêndio, a proprietária estimou que cerca de 90% de todo o acervo do cartório foi queimado. As chamas também atingiram uma casa vizinha ao antigo imóvel, situado na Vila de Itapemirim, mas nenhum morador ficou ferido.

O episódio gerou manifestação da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), que emitiu uma nota de repúdio. No documento, a associação declarou:

“A entidade lamenta que, em pleno século XXI, ainda se conviva com incêndios criminosos que remontam o tempo de barbárie, quando registros públicos eram alvos prioritários daqueles que desejavam apagar a história e os registros de pessoas e de negócios jurídicos que contrariavam seus interesses.”

A associação também manifestou apoio e solidariedade à registradora civil do cartório, Natália Bastos Bechepeche Antar, destacando que ela vivenciou momentos de terror na cidade, e assegurou que “tomará todas as providências cabíveis para que os culpados sejam punidos”.

Tipificação dos crimes
De acordo com a Polícia Federal, os alvos da operação podem responder judicialmente por uma série de delitos já mapeados. A lista inclui:

Associação criminosa;
Promoção de migração ilegal;
Falsificação de documento público;
Falsidade ideológica;
Uso de documento falso;
Peculato;
Corrupção ativa;
Corrupção passiva.

A corporação ressalta que as tipificações ocorrem sem prejuízo de outros crimes que possam vir a ser apurados no curso contínuo das investigações.

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Atualizado: 29/05/2026 08:17

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