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Vítimas de crimes no ES reforçam segurança em casa e têm menos laços com vizinhos, diz pesquisa

30 abr 2026 - 09:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Pesquisa do IJSN aponta que invasões residenciais e furtos impulsionam a instalação de grades e alarmes, enquanto dados evidenciam o papel protetivo da convivência comunitária na redução da violência
Vítimas de crimes no Espírito Santo adotam mais medidas de segurança e relatam laços mais fracos com a vizinhança. Foto: Reprodução/Canva/Vinícius Rodrigues de Souza

O Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) divulgou o segundo módulo da Pesquisa de Vitimização do Espírito Santo. Intitulado “Medidas Autoprotetivas e Laços com a Vizinhança”, o estudo inédito traça um panorama das estratégias de autoproteção adotadas pela população e da relação dos moradores com suas comunidades. O objetivo do levantamento é captar a experiência direta dos capixabas com a violência, revelando a chamada “cifra oculta” da criminalidade, ocorrências que não chegam a ser registradas nos sistemas oficiais, fornecendo assim subsídios mais precisos para o planejamento de políticas públicas de segurança.

Mudança de comportamento e autoproteção
A pesquisa evidencia que a experiência de vitimização afeta diretamente as atitudes em relação ao medo e a adoção de medidas de segurança residencial e pessoal. Os dados revelam que 50,5% da população geral não tomou nenhuma medida protetiva recente. No entanto, entre os indivíduos que foram vítimas de furtos nos 12 meses anteriores à entrevista, o índice dos que não adotaram medidas de segurança cai para 34,4%.

O impacto é ainda mais expressivo entre as vítimas de invasão de residência, crime que envolve a violação direta do espaço doméstico. Nesse grupo, as medidas mais comuns foram a instalação de grades em portas e janelas (37,9%) e a colocação de novas fechaduras (36,7%). Na população geral, essas taxas são significativamente menores, atingindo 21,7% e 18,5%, respectivamente.

As vítimas de roubo também apresentam maior adesão a equipamentos de segurança. A instalação de alarmes ou sensores de movimento foi registrada por 24,5% dessas vítimas, contra 16,4% no total da população. A aquisição de cães de guarda (23,1%) e a instalação de grades no perímetro da propriedade (22,5%) também se mostraram superiores às médias gerais (18,8% e 16,6%, respectivamente).

O papel protetivo dos laços comunitários
Além das barreiras físicas, a pesquisa avaliou o impacto das relações sociais, sugerindo que a coesão social possui um papel protetivo no cotidiano. O estudo cruzou dados de convivência, confiança e comunicação entre vizinhos com os índices de crimes contra a pessoa (agressão física, violência doméstica, agressão sexual e tentativa de assassinato).

Os números mostram que vítimas de crimes violentos possuem conexões locais mais fragilizadas. Enquanto 42,2% da população geral afirma que “sempre” conversa com vizinhos na rua ou por telefone, esse percentual cai para 33,0% entre as vítimas. A confiança para emergências também reflete essa disparidade: 54,3% da população geral sente que sempre pode contar com os vizinhos em caso de necessidade, contra 36,5% das vítimas.

Quando questionados se os vizinhos se organizariam para ajudar um morador enfrentando dificuldades (como desemprego ou doença), 46,0% da população geral acredita que isso sempre ocorreria. Entre as vítimas de crimes contra a pessoa, a confiança nessa mobilização solidária é de apenas 32,0%.

Metodologia e continuidade do estudo
Para garantir a precisão e a leitura regionalizada, o levantamento aplicou entrevistas presenciais (face a face) nos 78 municípios capixabas. As cidades foram agrupadas conforme as Regiões Integradas de Segurança Pública (RISPs). Com uma amostra probabilística, foram realizadas 1.067 entrevistas para cada uma das cinco RISPs, totalizando 5.335 questionários aplicados no Estado. O estudo possui intervalo de confiança de 95% e margem de erro de três pontos percentuais por região.

A divulgação integra as ações comemorativas dos 50 anos do IJSN e será dividida em quatro edições especiais. O projeto completo engloba os temas:

  • Percepção de risco, sensação de segurança e vitimização
  • Perfil das vítimas (comportamento e estilo de vida)
  • Confiança nas instituições de segurança e avaliação da atuação
  • Prevalência da vitimização nos diferentes tipos criminais

O relatório completo do segundo módulo está disponível neste link.

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Atualizado: 30/04/2026 10:36

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