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Por que o Brasil é sempre o primeiro país a falar na Assembleia Geral da ONU?

22 set 2025 - 15:34

Redação Em Dia ES

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Desde 1955, representante brasileiro é o primeiro a discursar no evento. Saiba quais foram as poucas exceções ao longo dos anos
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa na abertura da 78ª Assembleia Geral da ONU, em 2023. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Todos os anos, a/o presidente brasileira/o dá início à Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Em seguida, entra o presidente americano. Sim, o Brasil sempre fala antes dos outros países, incluindo o anfitrião do encontro.

É mais uma tradição do que uma regra escrita, então não há registros formais das razões. Mas três teorias explicam esse nosso ‘privilégio’.

1. O Brasil se voluntariou nos primeiros encontros
Durante os primeiros anos da ONU, criada em 1945, nenhum país queria ser o primeiro a falar na assembleia. O Brasil, então, se voluntariava, tendo sido o primeiro orador em 1949, 1950 e 1951.

A organização decidiu, finalmente, oficializar o país como aquele que abriria o debate geral a partir de 1955 — etapa em que os países apresentam seus discursos.

“Ao longo do tempo, certos costumes emergiram durante o debate geral, incluindo a ordem dos primeiros a falar”, diz a organização em sua página oficial.

Desde 1955, a ordem de abertura tem sido: o secretário-geral da ONU, seguindo pelo presidente da Assembleia Geral, sucedido pelos representantes do Brasil e Estados Unidos — o país-sede.

Os demais países falam de acordo com a ordem estabelecida por um algoritmo que leva em consideração o nível de representação do orador, pedido de fala, entre outros.

O privilégio brasileiro permitiu que em 2011, durante a 66ª assembleia, a ex-presidente Dilma Rousseff fosse a primeira mulher na história a proferir o discurso de abertura. Na época, ela condenou a espionagem americana revelada por Edward Snowden.

2. Oswaldo Aranha e sua importância
Outra explicação para o privilégio dado ao Brasil é o reconhecimento ao brasileiro Oswaldo Aranha pela sua atuação em 1947, na segunda assembleia.

Aranha presidiu a Primeira Sessão Especial da Assembleia, reunião histórica na qual se começou a encaminhar a criação do Estado de Israel.

O papel do brasileiro ao apoiar a solução de dois Estados e garantir que a votação não fosse adiada rendeu elogios de diversos países e entidades sionistas, que chegaram a cogitá-lo como candidato ao Nobel da Paz.

3. ‘Consolação’
Para o professor e coordenador do curso de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Matias Spektor, a regra é uma espécie de prêmio de consolação pelo Brasil não fazer parte do Conselho de Segurança.

“Isso foi uma troca feita na época da criação da ONU, quando foi criado o Conselho de Segurança, com seus cinco membros permanentes. Houve uma discussão sobre se o Brasil seria um membro. Mas [Winston] Churchill e o [Josef] Stalin vetaram a proposta. Como forma de reconhecer a ascendência do Brasil na América Latina, na época, optou-se então por criar essa regra”, afirma.

Quando o Brasil não falou primeiro na Assembleia Geral?
Desde a 10ª sessão em 1955, o Brasil falou primeiro e os Estados Unidos falaram em segundo, com algumas exceções. São elas:

  • Na 38ª (1983) e na 39ª (1984) sessões, os Estados Unidos falaram primeiro e o Brasil falou em segundo.
  • Na 71ª sessão, em 20 de setembro de 2016, o Chade falou em segundo lugar devido ao atraso na chegada do presidente dos EUA.
  • Na 73ª sessão, em 25 de setembro de 2018, o Equador falou em segundo lugar devido ao atraso na chegada do presidente Donald Trump.
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Atualizado: 22/09/2025 16:38

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