O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta quinta-feira (16) para uma missão internacional de seis dias na Europa, com compromissos oficiais agendados na Espanha, Alemanha e Portugal. Acompanhado por 15 ministros e pelos presidentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), o chefe do Executivo busca atrair investimentos, promover a reindustrialização nacional e assinar acordos estratégicos bilaterais.
A viagem também tem como foco a articulação política em temas como o combate às desigualdades, a transição climática e o apoio à candidatura de Michelle Bachelet ao cargo de Secretária-Geral das Nações Unidas (ONU), às vésperas da entrada em vigor provisória do acordo Mercosul-União Europeia, marcada para 1º de maio.
Primeira parada: Espanha
Lula chega a Barcelona na noite do dia 16 e inicia sua agenda no dia 17, durante a 1ª Cúpula Brasil-Espanha, no Palácio de Pedralbes. O presidente brasileiro será recebido pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, para reuniões restritas e plenárias ministeriais. O encontro deve resultar na assinatura de atos em áreas como igualdade de gênero, saúde, cultura, telecomunicações e serviços aéreos. A Espanha é a oitava maior parceira comercial do Brasil e possui um estoque de investimentos de aproximadamente US$ 50 bilhões no país.
Segundo o embaixador Roberto Abdalla, secretário de Europa e América do Norte do Itamaraty, há uma forte convergência entre as nações. “A Espanha foi um parceiro muito importante na promoção deste acordo [Mercosul-União Europeia]. Desde a primeira hora, a Espanha foi um dos países que trabalhou pela conclusão dessas negociações”, afirmou Abdalla.
No dia 18, o foco se volta para a 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, iniciativa criada em 2024 por Lula e Sánchez. O evento reunirá líderes mundiais no Museu Nacional de Arte da Catalunha. A assessora especial do Itamaraty, embaixadora Vanessa Dolce de Faria, explicou a dinâmica da iniciativa: “A ideia foi promover uma coordenação política de alto nível em defesa da democracia […] e as discussões foram se aprofundando nesses três grandes eixos: em primeiro lugar, o multilateralismo; em segundo lugar, a questão das desigualdades; e em terceiro lugar, o combate à desinformação”. O Brasil defenderá a inclusão do combate à violência política e digital de gênero na declaração final do evento, além da criação de uma mesa internacional de democracia digital.
Alemanha
Na manhã do dia 19, a comitiva parte para Hannover, na Alemanha. A agenda tem início com uma reunião privada entre Lula e o chanceler alemão, Friedrich Merz, seguida de recepção com honras militares no Palácio de Herrenhausen. A principal atividade no país ocorre no dia 20, com a abertura oficial da Hannover Messe 2026, a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, na qual o Brasil atua este ano como país parceiro.
O espaço brasileiro na feira contará com cerca de 2.700 metros quadrados, abrigando 140 empresas presenciais e outras 300 representadas, com destaque para a transição energética, hidrogênio verde, economia circular e inteligência artificial.
Para o chefe da Divisão de Programas de Promoção Comercial e Investimentos do Ministério das Relações Exteriores, Carlos Henrique Moscardo, a presença tem motivação econômica direta. “O objetivo é ampliar a nossa visibilidade internacional, mostrar a integração do ecossistema brasileiro e reforçar o posicionamento do país como um destino de investimentos, tecnologia e negócios. A ocasião torna-se mais crucial em um momento de reorientação geográfica de investimentos de grandes empresas, alemãs e europeias, à luz das circunstâncias geopolíticas correntes”, declarou Moscardo.
A diplomacia prevê a assinatura de dez acordos bilaterais durante a 3ª Reunião de Consultas Intergovernamentais de Alto Nível. A cooperação ambiental também pauta os encontros: a Alemanha é uma das principais parceiras técnicas e financeiras do Brasil na área climática, tendo anunciado na COP30 a contribuição de 1 bilhão de euros para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Está no radar da comitiva, ainda, uma possível visita à sede global da Volkswagen, em Wolfsburg.
Encerramento em Portugal
A missão diplomática termina no dia 21, com uma visita de Estado concentrada em Lisboa. O presidente desembarca pela manhã e segue para o Palácio de São Bento, onde realizará uma reunião de trabalho com o primeiro-ministro português, Luís Montenegro. A pauta engloba ciência, inovação, cooperação aeronáutica, políticas de imigração e estratégias contra a xenofobia.
Posteriormente, Lula dirige-se ao Palácio de Belém para o seu primeiro encontro oficial com o presidente de Portugal, António José Seguro. As autoridades discutirão paz e segurança internacional, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a situação da comunidade brasileira residente no país europeu, estimada em 500 mil pessoas.
“É bom sempre ter presente o caráter especial da nossa relação com Portugal. Há uma expressiva diáspora portuguesa no Brasil, uma numerosa comunidade brasileira em Portugal […] É a nossa segunda maior comunidade no exterior”, ressaltou o embaixador Roberto Abdalla. Após as agendas em Lisboa, o presidente e sua comitiva retornam a Brasília.


















