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Maioria dos brasileiros exigem leis de trânsito mais rigorosas, aponta estudo

15 abr 2026 - 15:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Relatório global de mobilidade de 2026 indica que a segurança nas vias é uma preocupação crescente, enquanto a dependência e o apego ao carro particular se mantêm elevados
Maioria dos brasileiros exigem leis de trânsito mais rigorosas, aponta estudo. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Uma pesquisa realizada em 31 países revelou que 72% dos brasileiros apoiam a implementação de leis de trânsito mais rigorosas com o objetivo de melhorar a segurança rodoviária. Os dados compõem o Relatório de Mobilidade 2026, conduzido pela empresa de pesquisa Ipsos entre o final de novembro e o início de dezembro de 2025, com o intuito de mapear como as escolhas de transporte moldam as sociedades atuais. A taxa de aprovação de medidas mais duras no Brasil supera a média global, que é de 66%.

O levantamento aponta que a segurança viária local preocupa, em média, 55% dos entrevistados globais. O índice de apreensão varia conforme a região de moradia: é maior entre os habitantes de áreas urbanas (57%), seguidos pelos residentes de zonas suburbanas (52%) e áreas rurais (51%).

No que diz respeito à redução dos limites de velocidade para diminuir acidentes e a gravidade de lesões, as opiniões divergem a depender do tipo de via. Nas áreas residenciais, a adoção de velocidades menores conta com o apoio de 70% dos entrevistados. No entanto, quando a restrição é proposta para vias expressas ou autoestradas, a aprovação global cai para 56%, sendo minoria em 12 dos países analisados.

Diferenças de gênero e idade
A pesquisa identificou divisões demográficas nas opiniões sobre os limites de velocidade nas autoestradas. As mulheres, em todas as gerações, apresentam maior probabilidade de apoiar reduções na velocidade do que os homens. A discrepância mais acentuada ocorre na geração dos Baby Boomers, na qual 61% das mulheres são favoráveis à medida, contra 47% dos homens da mesma faixa etária.

Dependência do automóvel particular
O Relatório de Mobilidade 2026 destaca a continuidade da dependência global do automóvel particular. No Brasil, 33% dos entrevistados declaram que é impossível viver sem um carro. A média global para essa afirmação é de 43%, atingindo 65% em países como os Estados Unidos.

A posse do veículo, contudo, não está atrelada apenas à necessidade. Quase metade dos brasileiros pesquisados (49%) afirma que poderia viver sem um carro, mas prefere tê-lo, índice superior à média global de 43%. Além disso, em 22 dos 31 países consultados, a condução de veículos é apontada como o meio de transporte favorito da população.

A Diretora de Opinião Pública e Política da Ipsos-Ipec, Patrícia Pavanelli, avalia a relação dos motoristas com a direção. “Isto vai além da utilidade – as pessoas genuinamente gostam de conduzir”, afirma. “Existe um profundo apego emocional e lealdade à posse de um veículo pessoal, o que oferece a oportunidade de explorar os aspetos experienciais/emocionais da posse de um carro no design, marketing e na mensagem da marca”, complementa Pavanelli.

O local de residência também influencia diretamente essa relação. Entre os moradores de áreas rurais, 60% afirmam ser impossível viver sem carro. O índice recua para 46% nas áreas suburbanas e 37% nos centros urbanos.

Fatores como renda e idade geram variações nos resultados. Entre os entrevistados com baixos rendimentos, há um empate estatístico na preferência de locomoção: o carro de passeio (24%) e o transporte público (24%) lideram, seguidos de perto pela caminhada (23%). Na análise por gerações, a Geração Z tem o carro próprio como principal preferência (26%), mas é o grupo que apresenta o maior índice de gosto pelo transporte público (22%), em comparação aos Millennials (15%), Geração X (16%) e Baby Boomers (14%).

Metodologia
A pesquisa foi conduzida pela Ipsos entre 21 de novembro e 5 de dezembro de 2025. Os dados foram coletados por meio da plataforma online Global Advisor e, no caso da Índia, pela plataforma IndiaBus.

Foram entrevistados 23.722 adultos em 31 países, com idades variando conforme a regulamentação local (18 anos ou mais na Índia; 18 a 74 anos no Canadá, Irlanda, Malásia, África do Sul, Turquia e EUA; 20 a 74 anos na Tailândia; 21 a 74 anos na Indonésia e Singapura; e 16 a 74 anos nos demais países).

No Brasil, a amostra foi de aproximadamente 1.000 indivíduos. Os resultados são ponderados para refletir o perfil demográfico da população adulta com base nos dados censitários mais recentes de cada nação. A margem de erro para a amostra brasileira (N=1.000) é de +/- 3,5 pontos percentuais, calculada utilizando um intervalo de credibilidade da Ipsos.

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Atualizado: 15/04/2026 16:21

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