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PF prende MC Ryan, Poze do Rodo e dono da Choquei em operação contra esquema de R$ 1,6 bilhão

15 abr 2026 - 10:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Operação Narco Fluxo cumpre 84 mandados judiciais em nove unidades da federação, incluindo o ES. Investigações detalham o uso de atividades artísticas e criptomoedas para dissimular valores oriundos de crimes
Esquema de R$ 1,6 bilhão: PF mira lavagem de dinheiro no ES e prende MCs Poze, Ryan e criador da página Choquei. Foto: Taba Benedicto/Estadão | Reprodução

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (15), a Operação Narco Fluxo para desarticular uma organização criminosa investigada por movimentar mais de R$ 1,63 bilhão por meio de lavagem de dinheiro e evasão de divisas no Brasil e no exterior. A ação cumpre mandados em oito estados, incluindo o Espírito Santo, e no Distrito Federal. Entre os alvos que tiveram a prisão temporária efetuada estão os funkeiros MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e o influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador da página de notícias Choquei.

A megaoperação, classificada como um desdobramento da Operação Narco Bet, mobiliza mais de 200 policiais federais. Ao todo, estão sendo cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária. As ordens foram expedidas pela 5ª Vara Federal em Santos, no litoral paulista.

Os mandados são cumpridos em endereços localizados no Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.

Durante as incursões, as equipes da PF apreenderam veículos, valores em dinheiro em espécie, relógios de luxo, documentos e equipamentos eletrônicos. Em uma das ações, os agentes localizaram armas e um colar contendo a imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar inserida dentro de um mapa do estado de São Paulo.

A Justiça Federal também determinou medidas de constrição patrimonial contra os investigados. Isso inclui o sequestro de bens e a imposição de restrições à atuação de empresas ligadas ao grupo, com o intuito de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para um eventual ressarcimento aos cofres públicos.

Esquema financeiro
De acordo com as investigações da Polícia Federal, o grupo atuava a partir de um sistema complexo e sofisticado para ocultar e dissimular a origem de valores obtidos ilegalmente. Profissionais do meio musical, que acumulam milhões de seguidores nas redes sociais, mesclavam suas atividades artísticas com métodos financeiros ilícitos.

A corporação detalha que o esquema envolvia:

  • Transferências de criptoativos (moedas digitais);
  • Transporte de dinheiro físico (numerário em espécie);
  • Operações bancárias de alto valor.

“As diligências realizadas indicam a movimentação de quantias expressivas, que, até o momento, ultrapassam o montante de R$ 1,63 bilhão”, informou a Polícia Federal em nota. Os envolvidos responderão pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Prisões de figuras públicas
Três personalidades da internet e da música nacional figuram entre os detidos na operação desta quarta-feira:

MC Ryan SP (Ryan Santana dos Santos, 25 anos): O funkeiro paulista foi preso enquanto participava de uma festa em um imóvel na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, litoral de São Paulo. Com 15,6 milhões de seguidores no Instagram, o artista costuma divulgar “bets” (apostas) e rifas em suas redes. Ryan possui contrato com a gravadora Warner Music Group e alcançou o topo do Spotify Brasil com mais de 10 milhões de ouvintes mensais. No ano passado, foi alvo da CPI dos Pancadões na Câmara Municipal de São Paulo, ocasião em que cantou a música “Cracolândia” ao presidente da comissão após ser questionado sobre letras que fazem apologia às drogas.

MC Poze do Rodo (Marlon Brandon Coelho Couto Silva, 27 anos): O cantor carioca foi detido em sua residência, localizada em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Com 49,1 milhões de seguidores e conhecido por ostentar carros de luxo e joias, o artista também promove apostas e rifas na internet. Poze acumula passagens anteriores pela polícia, com prisões registradas em 2019 e, mais recentemente, em 2025, por suspeita de apologia ao crime e envolvimento com o tráfico de drogas — ocasião em que foi solto após cinco dias. Investigações anteriores citam shows do cantor em áreas dominadas por facções, como na Cidade de Deus, com presença de homens armados com fuzis. Ele também responde a denúncias de tortura e extorsão contra um ex-empresário.

Raphael Sousa Oliveira: Idealizador e criador da página de notícias e entretenimento Choquei, o influenciador digital foi preso na cidade de Goiânia, capital de Goiás.

O que diz as defesas
A defesa técnica de MC Ryan SP emitiu uma nota afirmando que ainda não teve acesso aos autos, que tramitam sob sigilo. O texto defende a inocência do cantor: “Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos (…). A defesa confia plenamente que os esclarecimentos necessários serão prestados oportunamente”.

O advogado Fernando Henrique Cardoso, que representa MC Poze do Rodo, declarou que a “defesa de Marlon Brandon desconhece os autos ou teor do mandado de prisão”. O defensor ressaltou ainda que, “com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário”.

Até a publicação desta reportagem, a defesa do influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, não havia sido localizada para comentar a prisão.

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Atualizado: 15/04/2026 10:40

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