Saúde

Dengue cai 75% no Brasil e país registra menor número de casos de malária em 50 anos

15 abr 2026 - 16:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Dados apresentados durante a 18ª Expoepi, na capital federal, apontam redução de óbitos em territórios indígenas, novos investimentos no controle da doença de Chagas e a destinação de R$ 150 milhões para vacinação nas escolas
Diagnósticos de dengue caem 75% no Brasil e país atinge menor índice de malária em cinco décadas. Foto: Reprodução

O Ministério da Saúde apresentou nesta terça-feira (14), durante a 18ª edição da Expoepi, em Brasília, um balanço que registra a queda de 75% nos casos prováveis de dengue no Brasil em 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. A retração, atribuída ao fortalecimento da vigilância, testagem e uso de tecnologias de controle vetorial, acompanha o avanço no controle epidemiológico de outras infecções no país, como a malária, que atingiu sua menor taxa de incidência desde 1979, e a doença de Chagas.

De janeiro a 11 de abril de 2026, o país contabilizou 227,5 mil casos prováveis de dengue, número inferior aos 916,4 mil registrados no mesmo período de 2025. A diminuição consolida uma tendência observada desde o ano anterior, que fechou com 1,7 milhão de casos, após o pico histórico de 6,6 milhões de registros em 2024.

“Mesmo com esses avanços, a dengue ainda é a doença que mais nos desafia. Sabemos que há uma grande expectativa em relação à produção de vacinas e ao desenvolvimento de novas alternativas tecnológicas, e seguimos trabalhando para ampliar cada vez mais as ferramentas de prevenção e controle”, declarou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Entre as medidas adotadas de forma coordenada entre o governo federal, estados e municípios, destaca-se a ampliação de ovitrampas, atualmente em 1,6 mil municípios, com meta de alcançar 2 mil até o final de 2026, o uso de insetos estéreis irradiados e o método Wolbachia, direcionado a 72 municípios prioritários. No campo da imunização, mais de 1,4 milhão de doses da vacina contra a dengue foram aplicadas no público de 10 a 14 anos desde 2024. Em 2026, três municípios-piloto passaram a receber a vacina nacional de dose única do Instituto Butantan para a faixa de 12 a 59 anos. Profissionais de saúde também compõem o grupo imunizado, com mais de 300 mil doses administradas.

Malária tem menor número de casos desde 1979
Os indicadores de 2025 apontaram uma queda geral de 15% nos casos de malária em relação a 2024, estabelecendo a menor marca em quase 50 anos. A redução nos diagnósticos chegou a 30%, puxada principalmente pelos territórios indígenas. Os óbitos em decorrência da doença caíram 28%, passando de 54 para 39. Na Terra Indígena Yanomami, especificamente, as infecções diminuíram 22% e as mortes, 80%.

A resposta epidemiológica envolveu a intensificação da busca ativa, maior oferta de testes rápidos e a expansão do tratamento. Mais de 25 mil pacientes receberam a tafenoquina, medicamento cuja versão pediátrica foi introduzida em 2026. Como reconhecimento ao cumprimento de critérios de qualidade na vigilância e controle, cinco municípios de Rondônia (Porto Velho, Candeias do Jamari, Guajará-Mirim, Itapuã do Oeste e Cujubim) receberam o selo bronze de Boas Práticas para eliminação da malária.

Monitoramento da doença de Chagas
Para o controle da doença de Chagas, o Ministério da Saúde anunciou um incentivo financeiro de R$ 11,7 milhões destinado ao fortalecimento da vigilância entomológica em 155 municípios espalhados por 17 estados brasileiros. O foco é apoiar o monitoramento de vetores em áreas de maior risco.

O acesso a testes e medicamentos para a doença registrou um crescimento superior a 130% entre 2023 e 2025. Paralelamente, a rede diagnóstica foi ampliada com a aquisição de 1,15 milhão de testes rápidos, um volume seis vezes maior que o de 2022. Os municípios goianos de Anápolis e Goiânia receberam o selo bronze pelas boas práticas na eliminação da transmissão vertical da doença.

Metas até 2030 e o Programa Brasil Saudável
As ações integram o Programa Brasil Saudável, que atua em 25 estados, no Distrito Federal e em 207 municípios prioritários com o objetivo de eliminar uma série de doenças como problemas de saúde pública até 2030. Os resultados recentes do programa incluem:

  • Certificações alcançadas: Eliminação da filariose linfática (2024) e da transmissão vertical do HIV (2025).
  • Avanços tecnológicos: Incorporação de duotestes (HIV e sífilis) e testes moleculares para tuberculose.
  • Novas medidas: Notificação compulsória de HTLV e hepatite B em gestantes e crianças, além da expansão da tafenoquina para 184 municípios e 16 Distritos Sanitários Especiais Indígenas.

Saúde na Escola
No âmbito do programa Saúde na Escola, que em 2025 aplicou mais de 1,6 milhão de doses em ambientes de ensino, foi anunciado um orçamento de R$ 150 milhões para o ano de 2026. A verba será destinada a estratégias de vacinação escolar e outras prioridades de imunização no Sistema Único de Saúde (SUS). A mobilização nacional ocorrerá de 24 de abril a 30 de maio, focada na atualização das cadernetas vacinais de crianças e adolescentes.

Sobre a Expoepi
Com o tema “Saúde e Mudanças Climáticas”, a 18ª Expoepi reúne em Brasília experiências do SUS, apresentações de pesquisas e práticas de vigilância adotadas nos territórios. O cronograma do evento, organizado entre os dias 13 e 17 de março, abrange ainda uma exposição técnica e educativa focada na prevenção, diagnóstico e tratamento da doença de Chagas, aberta à população e a profissionais de saúde.

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Atualizado: 15/04/2026 16:23

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