A corrente de comércio exterior do Espírito Santo, que representa a soma das exportações e importações, registrou um crescimento de 15,8% em junho na comparação com o mês anterior, alcançando US$ 2,79 bilhões (aproximadamente R$ 4,36 bilhões).
O resultado foi impulsionado principalmente pelo aumento de 123,4% nas importações de aeronaves e outros equipamentos, que movimentaram US$ 239 milhões no período. A análise foi divulgada pelo Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo) e pelo Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex), com base nos dados do sistema Comex Stat.
Desempenho das exportações e importações
No sexto mês do ano, as exportações capixabas totalizaram US$ 806 milhões. O principal produto enviado ao exterior foi o minério de ferro, com US$ 183 milhões, correspondendo a 22,8% da pauta. O café não torrado ficou em segundo lugar, com um crescimento expressivo de 63,7%, atingindo US$ 143 milhões (17,8% do total). A celulose também apresentou alta de 35%, somando US$ 103 milhões (12,8%). Outros produtos de destaque na pauta exportadora foram os semiacabados de ferro ou aço (US$ 102 milhões) e os óleos brutos de petróleo (US$ 77 milhões).
As importações, por sua vez, somaram US$ 1,99 bilhão. Os veículos automóveis de passageiros continuam a liderar as compras do exterior, movimentando US$ 1,02 bilhão, o que representa 51,3% do total importado pelo estado. As aeronaves e equipamentos relacionados avançaram para a segunda posição no ranking, respondendo por 12% do total. Completam a lista de principais produtos importados os veículos de carga (US$ 160 milhões), o carvão (US$ 92,3 milhões) e os equipamentos de telecomunicações (US$ 45,6 milhões).
Segundo o coordenador de pesquisa do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, os números reforçam a posição estratégica do estado. “Vale lembrar que o Espírito Santo se destaca como o principal ponto de entrada de carros elétricos e híbridos no país. Esse crescimento de junho na movimentação internacional reforça o papel estratégico do Espírito Santo como hub logístico e industrial. Mesmo com desafios no cenário global, os números indicam um ambiente mais favorável para os negócios capixabas, o que beneficia toda a cadeia produtiva e de serviços ligada ao comércio exterior”, avaliou.
Relevância estratégica nacional
Em junho, as exportações do Espírito Santo corresponderam a 6,2% do total da Região Sudeste (US$ 13 bilhões), enquanto as importações representaram 15,6% do total regional (US$ 12,8 bilhões). A corrente de comércio capixaba foi equivalente a 10,8% da movimentação total do Sudeste (US$ 25,8 bilhões). Em relação ao Brasil, que teve uma corrente de comércio de US$ 52,4 bilhões, a participação do Espírito Santo foi de 5,3%.
“A participação do Espírito Santo no comércio exterior, especialmente nas importações, evidencia sua importância logística e estratégica tanto para o Sudeste quanto para o país. A corrente de comércio do estado representa 2,73 vezes sua participação no PIB regional. Já nas importações, essa relação chega a ser quatro vezes maior. No cenário nacional, a participação capixaba nas importações é 4,16 vezes superior à sua representatividade no PIB do Brasil, reforçando o papel do estado como elo logístico da economia nacional”, detalhou Spalenza.
Liderança dos municípios
Entre os municípios, Vitória liderou as exportações em junho, com US$ 270 milhões (33,6% do total estadual), impulsionada principalmente por minérios e escórias. A Serra ficou em segundo lugar com US$ 154 milhões, tendo como destaque os produtos de ferro e aço, seguida por Aracruz, com US$ 105 milhões, majoritariamente de pasta de madeira (celulose). Juntas, as três cidades responderam por 65,9% das vendas externas do estado.
No ranking das importações, Cariacica se destacou como o principal polo, com US$ 1,31 bilhão em compras (65,8% do total), concentradas na entrada de veículos e componentes. Vitória foi responsável por US$ 338 milhões (17%), com foco em aeronaves e aparelhos espaciais, enquanto a Serra movimentou US$ 223 milhões (11,2%), principalmente em combustíveis minerais e seus derivados.
Para o presidente do Sindiex, Sidemar Acosta, os resultados demonstram a relevância do estado no cenário global. “O crescimento da movimentação comercial reforça a eficiência do nosso sistema portuário e a importância do trabalho conjunto entre os setores público e privado para impulsionar a economia capixaba”, destacou.
Termos de troca
A análise apontou também uma deterioração de 6,6% nos termos de troca do comércio capixaba em junho. O indicador, que mede a relação entre os preços de exportação e os de importação, mostra que os produtos exportados pelo estado ficaram relativamente mais baratos em comparação com os importados. Conforme o estudo, esse resultado está associado ao perfil logístico do Espírito Santo, que funciona como uma das principais portas de entrada para itens de alto valor agregado, como os carros elétricos importados da China.
Balanço do primeiro semestre
No acumulado do primeiro semestre de 2025, o Espírito Santo exportou US$ 4,76 bilhões e importou US$ 7,18 bilhões. A corrente de comércio total do estado nos primeiros seis meses do ano fechou em US$ 11,9 bilhões. O destaque do período foi o forte crescimento das importações, que saltaram de US$ 821 milhões em fevereiro para o patamar de US$ 1,99 bilhão em junho.


















