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Aluguel dispara no Brasil e população envelhece de forma acelerada, aponta IBGE

22 abr 2026 - 11:00

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Dados da PNAD Contínua revelam que o número de imóveis alugados cresceu mais de 50% em nove anos. Pesquisa detalha ainda um novo perfil demográfico nacional, marcado pela queda de jovens
Número de casas alugadas dispara no Brasil e população envelhece, revela IBGE. Foto: Pexels

O número de domicílios alugados no Brasil registrou um salto de 54,1% entre 2016 e 2025, período em que o país também vivenciou um envelhecimento expressivo de seus habitantes e uma redução drástica na parcela de jovens. O mapeamento completo das condições de moradia e do perfil demográfico nacional foi divulgado nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. O levantamento retrata a realidade de 79,3 milhões de lares brasileiros consolidados no último ano.

O avanço do aluguel e o perfil das moradias
O contingente de domicílios particulares permanentes saltou de 66,7 milhões em 2016 para 79,3 milhões em 2025, um avanço de 18,9%. Dentro desse universo, a opção pelo aluguel foi a que mais cresceu: os imóveis locados passaram de 12,2 milhões para 18,9 milhões. Em paralelo, os domicílios próprios que ainda estão sendo pagos registraram alta de 31,2%, e os já quitados cresceram 7,3%.

De acordo com o analista da pesquisa, William Kratochwill, a locação ganhou força significativa no país. “Foi um aumento de 5,4 pontos percentuais em relação a 2016. Quase um quarto dos domicílios brasileiros são alugados, enquanto a taxa de domicílios próprios ainda pagando não variou muito ao longo do tempo; de 6,2, em 2016, para 6,8, em 2025”, afirma. Os lares próprios já pagos, por sua vez, caíram 6,6 pontos percentuais no período, representando hoje 60,2% do total.

Na estrutura das moradias, as casas continuam sendo a grande maioria, representando 82,7% (65,6 milhões) dos domicílios. Contudo, os apartamentos registraram um crescimento muito mais acelerado: 48,7% entre 2016 e 2025, contra 14,2% das casas.

O material predominante de cobertura no Brasil é a telha sem laje de concreto (48,9%), exceto na Região Sudeste, única a registrar maioria de lares com telha e laje de concreto (49,1%). Nas paredes, a alvenaria ou taipa com revestimento domina (89,7%), e no piso, 82,9% dos lares utilizam cerâmica, lajota ou pedra, evidenciando uma redução contínua do piso de cimento em todas as grandes regiões do país.

Infraestrutura e os abismos sanitários
A PNAD Contínua também revela contrastes na infraestrutura básica. A rede geral de abastecimento de água chega a 86,1% dos domicílios brasileiros. No Sudeste, a taxa alcança 92,4%, proporção que se manteve estável nos últimos nove anos. Segundo Kratochwill, a estabilidade na região indica que a expansão da rede de abastecimento acompanhou o crescimento imobiliário no mesmo ritmo.

O saneamento, no entanto, escancara desigualdades entre áreas urbanas e rurais. Enquanto 99,5% dos domicílios urbanos possuem banheiro de uso exclusivo e 79,3% escoam o esgoto pela rede geral, na zona rural apenas 8,9% têm ligação com a rede de esgoto. Regionalmente, a coleta atinge 90,7% dos lares no Sudeste, mas despenca para 30,6% na Região Norte.

O descarte de resíduos é outro ponto de alerta: a queima de lixo na própria propriedade ainda é o destino final em 4,8 milhões de lares brasileiros, concentrados majoritariamente no Norte e Nordeste (3,6 milhões). Em contraste, o acesso à energia elétrica é quase universal, cobrindo 99,8% dos domicílios do país.

Bens de consumo e veículos
A geladeira é o eletrodoméstico mais comum no Brasil, presente em 98,4% dos domicílios. O destaque da década, no entanto, foi a máquina de lavar roupa, que passou a integrar 72,1% das residências. O analista do IBGE pontua expansões acentuadas na Região Norte (de 41,0% em 2016 para 60,0% em 2025) e no Centro-Oeste, onde o item já está em 83,5% dos lares.

Na mobilidade, 49,1% dos lares têm carro e 26,2% possuem motocicleta. Norte e Nordeste são as únicas regiões onde as motos superam os carros nas garagens. O Sudeste, por outro lado, detém a menor proporção de residências com motocicletas (20,1%).

Transição demográfica
A população do Brasil alcançou 212,7 milhões de pessoas em 2025, com um crescimento anual estagnado em 0,4% desde 2021. Os dados consolidam uma clara tendência de envelhecimento populacional.

A parcela de pessoas com menos de 30 anos sofreu uma redução absoluta de 10,4% desde 2012, caindo de 98,2 milhões para 88 milhões de brasileiros. Proporcionalmente, essa faixa etária, que representava 49,9% do país, encolheu para 41,4%. Em contrapartida, a população com 60 anos ou mais saltou de 11,3% para 16,6% no mesmo período. Sudeste e Sul lideram as concentrações de idosos, ambas com 18,1%.

Outra mudança profunda ocorreu na composição das famílias. Os lares unipessoais, com apenas um morador, saltaram de 12,2% para 19,7%, o que representa 8,2 milhões de novos domicílios desse tipo. Sudeste (20,9%) e Centro-Oeste (20,0%) lideram esse modelo de moradia. O perfil de quem vive sozinho é demarcado pelo gênero e pela idade: 56,6% dos homens solitários têm entre 30 e 59 anos, enquanto 56,5% das mulheres que moram sós têm 60 anos ou mais.

Autodeclaração de cor ou raça
A pesquisa aponta alterações substanciais na autodeclaração racial dos brasileiros nos últimos 13 anos. A parcela da população que se declara branca caiu 3,8 pontos percentuais, passando de 46,4% em 2012 para 42,6% em 2025.

O recuo da população autodeclarada branca foi registrado em todas as regiões, com impacto histórico na Região Sudeste, onde o índice recuou para 48,9%, ficando abaixo da marca de 50% da população local.

Paralelamente, a autodeclaração preta cresceu de 7,4% para 10,4% no país, com expansão mais forte na Região Nordeste. A população parda manteve estabilidade técnica no cenário nacional, oscilando levemente de 45,5% para 45,8%, mas registrou salto específico de 5,3 pontos percentuais na Região Sul.

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