política

Vorcaro bancou hotel de luxo em Lisboa para Hugo Motta e Ciro Nogueira, aponta PF

16 jun 2026 - 16:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Folha de S. Paulo

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Documentos apreendidos indicam reserva de suítes e pedidos de privacidade absoluta. Caso integra investigação que apura repasses financeiros a políticos e resultou no reforço da segurança do ministro André Mendonça
Polícia Federal aponta que Daniel Vorcaro bancou hotel para Hugo Motta e Ciro Nogueira em Portugal. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A Polícia Federal identificou, a partir da análise de material apreendido, que o dono do Banco Master, e agora presidiário, Daniel Vorcaro, pagou a hospedagem do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Lisboa, no final de junho de 2024, conforme revelado pela Folha de S. Paulo. A revelação ocorre no contexto de uma ampla investigação sobre a instituição financeira, que apura desde o pagamento de mesadas a parlamentares até a atuação de uma suposta milícia privada, fator que levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a reforçar o esquema de segurança do ministro André Mendonça, atual relator do caso.

Hospedagem e exigência de privacidade
As reservas financiadas por Vorcaro foram feitas no hotel Four Seasons para o período de 24 a 30 de junho de 2024. Na mesma época, a capital portuguesa sediava o Fórum Jurídico de Lisboa, evento capitaneado pelo ministro do STF Gilmar Mendes. No dia 18 de junho, o ex-banqueiro solicitou a um auxiliar a reserva de um quarto para si e mais duas suítes para os parlamentares.

Os dados da Polícia Federal mostram que Vorcaro exigiu um forte esquema para evitar que o grupo fosse visto. Em áudio interceptado, ele detalhou as instruções ao seu assistente. “Preciso muito que você dê uma atenção na questão de segurança. Cidade está lotada, eu tive lá no lugar agora. Tive uma reunião lá no clube. Tem que ter certeza que o lugar em frente ao restaurante também esteja privatizado porque senão dá pra ver tudo lá dentro”, ordenou o empresário. Ele acrescentou ainda o rigor do controle de acesso: “Pode ser o papa que não pode entrar ninguém que não esteja na lista”.

Procurados por meio de suas assessorias, Hugo Motta e Ciro Nogueira não se manifestaram sobre o caso.

Operação Compliance Zero e suspeita de mesada
O envolvimento do senador Ciro Nogueira, que é presidente nacional do PP e ex-ministro da Casa Civil, já havia sido alvo da Polícia Federal em maio, durante uma fase da Operação Compliance Zero. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar sob a suspeita de que ele recebia valores mensais repassados por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro.

Segundo as investigações, Felipe mantinha uma parceria que envolvia pagamentos iniciais de R$ 300 mil mensais ao senador, com indícios de que o valor foi posteriormente elevado para R$ 500 mil. A polícia também apura o custeio de outras despesas pessoais do parlamentar, como viagens em jatinhos particulares. Na época da operação, Ciro Nogueira negou o cometimento de qualquer irregularidade. Felipe Vorcaro encontra-se preso.

Votações no STF e delação recusada
O futuro dos familiares do dono do Banco Master está nas mãos da Segunda Turma do STF, em sessão presencial marcada para a tarde desta terça-feira (16). O ministro Gilmar Mendes devolveu o pedido de vista do processo que avalia a manutenção da prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel, com decisão que se estenderá ao primo Felipe.

Henrique foi preso há um mês, acusado de atuar como operador financeiro do filho e de coordenar um esquema de intimidações contra adversários do grupo. O relator do processo, ministro André Mendonça, e o ministro Luiz Fux já votaram pela manutenção das prisões. Gilmar Mendes, que tem criticado prisões preventivas por considerá-las ferramentas para forçar delações, é tido como voto favorável à soltura.

Como o ministro Dias Toffoli se declarou impedido de atuar nos casos do Banco Master, a decisão final dependerá do voto de desempate do ministro Kassio Nunes Marques, que tem sofrido pressão de aliados do ex-banqueiro.

As tentativas de colaboração premiada de Daniel Vorcaro sofreram um revés na última segunda-feira. A Procuradoria-Geral da República (PGR) recusou a delação do ex-banqueiro, argumentando que as informações fornecidas eram insuficientes para justificar os benefícios legais. A Polícia Federal já havia rejeitado os termos anteriormente.

Ameaças e segurança reforçada para relator
A gravidade das descobertas em torno do Banco Master motivou o STF a ampliar a proteção física do ministro André Mendonça. A medida foi tomada após o tribunal identificar um aumento do risco à integridade do magistrado, que assumiu o inquérito em fevereiro após a saída de Dias Toffoli (afastado após a revelação de suas ligações com o banco).

A segunda ordem de prisão contra Daniel Vorcaro foi expedida por Mendonça em março, após a Polícia Federal extrair do celular do empresário mensagens sobre a manutenção de uma milícia privada autodenominada “A Turma”, voltada para coagir e ameaçar desafetos.

O novo protocolo de segurança do ministro inclui maior contingente de policiais, uso de equipamentos especiais e agentes à paisana acompanhando-o em todas as suas atividades externas, que incluem aulas nas universidades Mackenzie e de Salamanca, direção do Instituto Iter e pregações como pastor na Igreja Presbiteriana de Pinheiros. Mendonça também é o relator do inquérito sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Na condução dos casos, o magistrado tem fragmentado as apurações para evitar vazamentos e garantido maior autonomia à Polícia Federal.

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