política

Erika Hilton aciona PGR para investigar ligação de Flávio Bolsonaro com tarifas dos EUA sobre o Pix

04 jun 2026 - 12:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Parlamentar pede inquérito após governo americano sugerir taxação de 25% em produtos brasileiros. Presidente Lula critica atuação do senador, que também enfrenta desgaste e reprovação nas redes sociais
Erika Hilton aciona PGR para investigar ligação de Flávio Bolsonaro com tarifas dos EUA sobre o Pix. Foto: Lula Marques/Agência Brasil.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou nesta terça-feira (2) uma queixa-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O pedido de inquérito visa investigar a conduta do parlamentar durante sua visita à Casa Branca, em Washington, na semana passada, sob a acusação de que ele teria articulado junto ao governo de Donald Trump a proposta de sobretaxar produtos brasileiros em 25% e as investidas contra o sistema de pagamentos Pix.

Na representação, a deputada solicita a adoção de medidas cautelares para preservar a integridade do sistema financeiro nacional e assegurar o andamento da investigação contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em suas redes sociais, Erika Hilton afirmou que a possibilidade de envolvimento do senador é reforçada por uma fotografia publicada por Trump ao lado de Flávio Bolsonaro. “Estou acionando a PGR para que investiguem se o senador Flávio Bolsonaro é responsável pelas tarifas anunciadas ontem pelos EUA e pelo ataque do governo Trump ao Pix. Essa possibilidade, corroborada pela foto publicada por Trump ao lado de Flávio Bolsonaro, precisa de investigação célere, séria e urgente”, declarou a parlamentar.

A deputada também relacionou o episódio a outras pautas políticas em discussão no país.

“Como se não bastasse os ataques dos bolsonaristas ao povo brasileiro, na forma da PEC da Escala 7×0 e do PDL da Pedofilia, seus aliados internacionais agora atacam a nossa economia e tecnologia no que parece ser uma ação articulada. Mas seguiremos na luta para denunciar, ao povo e à justiça, todos os esquemas dos bolsonaristas de retirar e roubar direitos. Sejam os direitos dos trabalhadores ao descanso, o direito das meninas ao próprio corpo ou até mesmo o direito do Brasil, uma nação soberana, de criar seu próprio sistema de pagamentos. Seguirei atenta e, ao contrário dessa gente, trabalhando pelo bem do nosso país”, concluiu.

A proposta do tarifaço americano
A sugestão de aplicar uma tarifa de 25% sobre as importações brasileiras está detalhada em um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), divulgado na noite de segunda-feira (1º/6). O documento representa a conclusão de uma investigação aberta pelo governo americano sobre o Pix, ferramenta brasileira de transferência e pagamento eletrônico instantâneo.

A partir de agora, o resultado da apuração técnica será submetido a audiências públicas, com a primeira sessão agendada para o dia 6 de julho. A decisão final sobre a implementação da tarifa caberá de forma exclusiva ao presidente dos Estados Unidos.

Críticas do presidente Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou-se contra a ação do governo norte-americano e direcionou duras críticas a Flávio Bolsonaro. Durante um discurso em agenda pública no estado de Goiás, na terça-feira (2/6), Lula referiu-se ao senador com os termos “covarde” e “imbecil”.

“Todo covarde é assim. Fala a merda que fala e depois não tem coragem de assumir o que fala e fica tentando mentir. Ele falou. Ele foi pedir arrego: ‘Po, Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições. Não deixa, prejudica o Lula’. Imbecil. Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar os empresários brasileiros”, disse o presidente da República.

Repercussão nas redes sociais aponta desgaste
O caso gerou impacto imediato no cenário digital, afetando a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Um monitoramento realizado pelo analista de redes Pedro Barciela, que avaliou 535 mil citações nas plataformas X, Instagram, Facebook e TikTok, indica que o senador se tornou alvo central das críticas, associado ao apoio a medidas econômicas impopulares.

Segundo o levantamento, 84% das publicações são potencialmente negativas em relação à taxação, tema que aparece diretamente vinculado ao nome do senador. As menções incluem a criação do termo “Tariflávio” e associam o parlamentar à pressão contra o Pix e à submissão aos interesses estrangeiros. Os dados detalham que 47% dos usuários culpam diretamente Flávio ou a família Bolsonaro pelo possível tarifaço.

Outra parcela do debate foca na defesa da ferramenta de pagamentos. Do total analisado, 24% das postagens tratam o Pix como uma conquista nacional, pública e gratuita, utilizando frases como “O Pix é nosso” e “O Pix é do Brasil e do povo brasileiro”. Outros 13% argumentam que o sistema concorre com meios de pagamento privados, como cartões e WhatsApp Pay, reduzindo custos de transação no país.

A viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e o registro fotográfico com Donald Trump são citados por 22% das publicações como o motivo gerador do problema diplomático e comercial. Adicionalmente, 17% das postagens acusam o grupo político de subserviência aos EUA, utilizando expressões como “traidores da pátria”.

Em contrapartida, 11% das menções registradas são potencialmente positivas para a taxação e para Flávio Bolsonaro. Esse grupo rejeita a culpa do senador, argumentando que a investigação americana (Seção 301) já existia previamente, ou atribui a culpa ao presidente Lula, ao Supremo Tribunal Federal, ao ministro Alexandre de Moraes e a questões como desmatamento e corrupção. Alguns conteúdos dessa parcela também afirmam que o senador poderia utilizar sua relação com Trump para negociar e evitar prejuízos. Outros 5% do debate concentram-se apenas em aspectos técnicos da proposta do USTR.

A análise de Barciela mapeou ainda o comportamento das bases políticas nas últimas 24 horas. O agrupamento antibolsonarista concentrou a maior parte do debate, com 52% das interações. O cluster classificado como imprensa respondeu por 30%. O bolsonarismo e a oposição registraram 14% de participação, demonstrando uma postura majoritariamente reativa ao longo do dia, enquanto os usuários não polarizados somaram apenas 3%.

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Atualizado: 04/06/2026 12:38

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