O governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB), oficializou nesta quinta-feira (16) mudanças no primeiro escalão de sua equipe, nomeando a jornalista Flávia Mignoni para a chefia de gabinete e promovendo Raphael Marques ao comando da Secretaria de Comunicação (Secom). As alterações, publicadas no Diário Oficial do Estado no dia em que a gestão completa duas semanas, abarcam ainda a exoneração na Secretaria de Direitos Humanos e o remanejamento de quadros após a desincompatibilização eleitoral de abril.
A nova Chefia de Gabinete e a saída de Valésia Perozini
Após atuar por quase dez anos como superintendente de Comunicação do Estado nos governos de Renato Casagrande (PSB), Flávia Mignoni deixa a pasta para assumir a chefia de gabinete de Ricardo Ferraço. Ela substitui Valésia Perozini Inácio (PSB), exonerada a pedido para organizar a pré-campanha de Casagrande ao Senado Federal. Valésia já atua no comitê político do ex-governador, localizado em uma sala comercial na Praia do Canto, em Vitória.
Na prática, a chefia de gabinete confere a Flávia status de secretária com atuação direta na articulação político-administrativa. O cargo envolve a coordenação da agenda governamental, o alinhamento de decisões estratégicas operando nas engrenagens internas e com atores externos, e aconselhamento político do Executivo.
Com formação em Comunicação Social pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e pós-graduação em Comunicação Organizacional, Flávia tem histórico de mais de 20 anos como repórter e colunista política nos jornais A Tribuna e A Gazeta. Na comunicação institucional, coordenou campanhas eleitorais diversas e chefiou a Secom em três ocasiões (entre 2013 e 2014, e consecutivamente desde o início de 2019).
Raphael Marques assume a Secom
Para o lugar de Flávia Mignoni, o Governo do Estado efetivou Raphael Pereira de Assis Marques, de 39 anos, no cargo de secretário (tecnicamente, superintendente) de Comunicação. Até a nomeação, ele ocupava a função de subsecretário de Imprensa, sob comando direto da agora chefe de gabinete.
A ascensão de Marques mantém o fluxo administrativo na Secom, visto que ele atuava como braço operacional de Flávia desde 2013. “Raphael Marques é o que nós chamamos de um ‘secretário prático’”, definiu uma fonte ligada ao Palácio Anchieta sobre seu perfil resolutivo em meio a um mandato curto e próximo ao período eleitoral.
Natural de Guaçuí, Marques formou-se em Jornalismo pela Universidade de Vila Velha (UVV) em 2008 e possui pós-graduação em Comunicação e Marketing pela universidade Candido Mendes. Ingressou no serviço público estadual em 2009, como assessor da Secretaria de Educação (Sedu) no governo Paulo Hartung. Trabalhou na Prefeitura de Vila Velha (2009-2012) e, a partir de 2013, iniciou atuação no Governo do Estado ao lado de Flávia. Também assessorou Renato Casagrande diretamente entre 2015 e 2018, período em que o político esteve sem mandato.
Troca nos Direitos Humanos
O Diário Oficial também trouxe a exoneração da secretária estadual de Direitos Humanos, Nara Borgo (PSB). A saída ocorreu por decisão do governador Ricardo Ferraço, uma vez que a ex-titular não deixou o cargo para ser candidata nas eleições deste ano. Ela comandava a pasta desde 2019 e preferiu não emitir declarações sobre a saída.
Para a posição de Borgo, o governo designou interinamente a subsecretária da pasta, Karolayne Cesquim Piassi. A expectativa é que um nome definitivo seja anunciado até o mês de maio.
Secretaria de Governo permanece interina
Apesar das novas definições, a Secretaria de Estado de Governo (SEG) segue sem titular definitivo desde a saída de Emanuela Pedroso (PSB), que deixou a gestão no início de abril para concorrer à Câmara dos Deputados. Pedro Caçador Neto responde interinamente pela pasta.
O secretário estadual de Planejamento e coordenador do programa Estado Presente, Álvaro Duboc, chegou a ser cotado para assumir a SEG. Contudo, Ricardo Ferraço declinou do convite sob a justificativa de não sobrecarregar o gestor, que já acumula funções estratégicas prioritárias para a administração.
A Secretaria de Governo é responsável pela passagem dos principais projetos do Executivo e pela coordenação das ações das demais pastas, exigindo um perfil que concilie qualidades técnicas e políticas. A cadeira, junto com a definição titular dos Direitos Humanos, representa as últimas peças pendentes na equipe principal da administração atual.


















