Internos do Centro de Detenção e Ressocialização de Linhares (CDRL) apresentaram Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) do Curso Técnico em Logística, ofertado na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), integrado ao Ensino Médio. A formatura é resultado da parceria entre a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Professor Manoel Abreu e da Secretaria da Justiça (Sejus) na oferta da educação formal no sistema prisional do Estado.
O curso, vinculado ao Eixo Tecnológico de Gestão e Negócios, alia conhecimentos técnicos e saberes escolares, permitindo que pessoas privadas de liberdade tenham a oportunidade de reconstruir suas trajetórias por meio do conhecimento.
Durante a defesa dos trabalhos, os estudantes apresentaram projetos com forte potencial de aplicação no próprio contexto prisional. Entre os destaques, estavam propostas como a reciclagem de marmitas e garrafas pet com reaproveitamento logístico para setores internos da unidade; a criação de um sistema de reutilização de água, promovendo economia e sustentabilidade; e o desenvolvimento de um lava jato ecológico, baseado em logística reversa e uso racional de recursos.
O coordenador do curso, professor Leonardo da Vitória, destacou que todas as iniciativas revelam a habilidade dos alunos de aplicar os conhecimentos adquiridos para enfrentar desafios reais, contribuindo diretamente para a melhoria das condições de vida no ambiente prisional.
“Esses trabalhos evidenciam que o ensino técnico integrado à EJA nas prisões vai muito além da certificação. É um instrumento de transformação social que forma sujeitos capazes de refletir criticamente e propor melhorias reais no espaço em que vivem”, enfatizou Leonardo da Vitória.
O aluno E.B.S., um dos formandos, contou com entusiasmo a experiência vivida: “Foi um desafio, mas também uma grande conquista. Poder apresentar um projeto e saber que ele pode ser aplicado aqui dentro é algo que nos dá esperança e motivação para seguir em frente.”
O pedagogo e responsável pela escola na unidade prisional, Rodrigo da Vitória Gomes, destacou o significado desse momento:
“Esses trabalhos mostram que, mesmo em meio ao encarceramento, há potencial criativo, capacidade intelectual e desejo legítimo de mudança. Apostar na educação é afirmar que ninguém é irrecuperável, que todo ser humano tem direito a aprender, a se desenvolver e a sonhar com novos caminhos. A escola no cárcere é, acima de tudo, um espaço de resistência e dignidade”, concluiu.
O diretor do Centro de Detenção e Ressocialização de Linhares (CDRL), Geanderson Oliveira de Carvalho, reforçou a importância institucional da formação profissional. “A educação profissionalizante é uma ferramenta poderosa de ressocialização. Esses TCCs mostram que os internos podem construir alternativas e colaborar com a gestão da própria unidade de maneira propositiva e responsável”, pontuou.
A banca avaliadora foi composta por professores da rede estadual, que acompanharam as apresentações com perguntas e orientações aos estudantes.


















