O Governo do Espírito Santo completou o primeiro ano de atuação do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) de Arboviroses, órgão criado em 10 de fevereiro de 2025 para unificar o enfrentamento à dengue, chikungunya, Zika e febre Oropouche. Coordenada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), a iniciativa marcou o período com a expansão de tecnologias de controle vetorial e o treinamento de equipes municipais, com o objetivo de fortalecer a vigilância epidemiológica e monitorar a transmissão das doenças em todo o território capixaba.
Estratégias de controle vetorial e novas tecnologias
Durante o primeiro ano de operação do CICC, o combate aos mosquitos transmissores passou por uma ampliação tecnológica orientada pela Diretriz Nacional para a Prevenção e Controle das Arboviroses Urbanas, do Ministério da Saúde. O Estado investiu R$ 211 mil na aquisição de 50 mil kits de ovitrampas — armadilhas de oviposição utilizadas para identificar áreas de risco a partir da contagem de ovos do mosquito.
A estratégia, coordenada pelo Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Ministério da Saúde, saltou de 15 municípios atendidos em 2024 para 58 em 2025. A partir de março, outras oito cidades adotarão a metodologia.
Além das ovitrampas, a Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI) foi implementada nos 78 municípios do estado. A técnica consiste na aplicação periódica de inseticida em imóveis estratégicos, como creches, escolas, unidades de saúde e terminais rodoviários.
Em relação ao Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, o Governo do Estado, o Ministério da Saúde e a Fiocruz iniciaram estudos conjuntos para testar a eficácia de moléculas inseticidas e repelentes contra o inseto.
“Com o CICC temos conseguido ampliar as estratégias de enfrentamento às arboviroses de maneira coordenada. Temos um importante foco no combate aos vetores, além da capacitação da APS. As ações voltadas aos vetores auxiliam principalmente que consigamos evitar a transmissão das doenças causadas por vírus que elas carregam”, explicou Orlei Cardoso, subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde.
A expansão dessas metodologias foi acompanhada pelo Núcleo Especial de Vigilância Ambiental (NEVA) da Sesa, que realizou capacitações sobre estratificação de risco, novas tecnologias, integração entre agentes e monitoramento entomológico para mais de 200 profissionais. “Os municípios conseguem direcionar melhor as ações de enfrentamento orientados pelo monitoramento e muitos deles já apresentam melhora em relação à infestação pelo Aedes”, relatou Luana Morati, referência técnica do NEVA e doutora em Biologia.
Capacitação profissional e dados epidemiológicos
A educação em saúde foi outro eixo de atuação do CICC. O Núcleo Especial de Atenção Primária (NEAPRI) e o Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica (NEVE) conduziram nove capacitações, alcançando mais de 700 trabalhadores municipais da Atenção Primária à Saúde (APS) e da Vigilância em Saúde.
O secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann, avaliou o foco das atividades. “Foi um ano de foco em ações estruturantes, ações que nos dão subsídios para desenvolver um trabalho cada vez mais direcionado e assertivo, tanto para o controle do vetor, como o foco na capacitação contínua dos profissionais de saúde de maneira a integrar diferentes áreas”, pontuou.
As formações incluíram o “Seminário de Preparação dos municípios do Espírito Santo para o Período Sazonal das Arboviroses”, ocorrido em dezembro, além de ações de mobilização entre março e abril. “Fizemos capacitações específicas que surgiram como resposta às demandas que os próprios profissionais traziam e eram discutidas no CICC, como a investigação de óbitos por arboviroses e o manejo da dor na Chikungunya”, afirmou João Paulo Cola, referência técnica do NEVE.
Para conferir transparência aos dados, foi lançado o painel virtual “Monitoramento das Arboviroses no Espírito Santo”, com atualizações diárias. Segundo os registros consolidados de 2025, o estado apresentou um cenário de casos menor em relação aos anos anteriores:
- Dengue: 88.747 casos notificados, 32.001 confirmados e 2 óbitos.
- Chikungunya: 5.836 casos notificados, 2.260 confirmados e nenhum óbito.
- Zika: 1.194 casos notificados, nenhum confirmado e nenhum óbito.
- Oropouche: 6.392 casos confirmados e 1 óbito.
Estrutura do CICC
Considerado um centro estratégico pelo Governo do Estado diante do cenário de epidemia de dengue e Oropouche, o CICC atua de forma interinstitucional. Além da Sesa, integram o comitê as secretarias da Educação (Sedu) e da Agricultura (Seag); Incaper; Corpo de Bombeiros (CBMES); Defesa Civil (CEPDEC); Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN); Ministério da Saúde; Conselho Estadual de Saúde (CES); e Colegiado de Secretários Municipais de Saúde (COSEMS/ES).


















