O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, encerrou nesta quinta-feira (28) uma visita oficial ao México, avaliada como positiva, após uma audiência com a presidenta mexicana, Claudia Sheinbaum, no Palácio Nacional. A missão diplomática e comercial resultou na assinatura de novos acordos para o agronegócio e saúde, avanços na venda de aeronaves e o estabelecimento de um cronograma para ampliar os pactos econômicos entre as duas maiores economias da América Latina.
A comitiva brasileira, que incluiu os ministros Carlos Fávaro (Agricultura) e Simone Tebet (Planejamento), além de empresários, buscou aprofundar as relações comerciais, que em 2024 somaram uma corrente de US$ 13,6 bilhões. “Foi um trabalho bastante amplo e bastante proveitoso. Vou levar ao presidente Lula uma boa notícia de que o Brasil e o México estão mais próximos em benefício das nossas populações e como motor do desenvolvimento da América Latina”, avaliou Alckmin em entrevista coletiva.
Durante o encontro com Sheinbaum, Alckmin estendeu um convite para a participação da líder mexicana na COP30, em Belém, em novembro. “Falamos de multilateralismo, fortalecimento da democracia, inclusão e combate à fome. Então, foi uma conversa muito proveitosa”, destacou o vice-presidente.
Ampliação do comércio
Um dos principais resultados da viagem foi o acordo para iniciar um processo de modernização e ampliação dos acordos comerciais vigentes, que têm mais de 20 anos. Brasil e México se debruçarão sobre a proposta nos próximos 12 meses, com a expectativa de concluir o trabalho em julho de 2026.
Atualmente, o comércio bilateral é regulado pelo Acordo de Complementação Econômica nº 53 (ACE 53), para produtos não automotivos, e pelo ACE-55, focado no setor automotivo. “O que nós estamos trabalhando com o México é atualizar, ampliar os acordos de comércio exterior e investimento. (…) No caso do ACE-53, ele cobre praticamente 12% do fluxo do comércio bilateral. Uma cobertura pequena”, explicou Alckmin.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, ressaltou a produtividade dos encontros. “Nos últimos dois dias, foram realizadas reuniões altamente produtivas entre autoridades mexicanas e brasileiras e líderes empresariais para fortalecer a cooperação em desenvolvimento científico, econômico e ambiental”.
Novos mercados e agronegócio
Acordos imediatos para a abertura de mercados no agronegócio foram anunciados. O Brasil passará a importar aspargos, pêssegos e derivados de atum do México. Em contrapartida, o mercado mexicano será aberto para a farinha de ração animal brasileira destinada a bovinos e suínos.
O governo brasileiro também solicitou a continuidade dos incentivos do Pacote contra a Inflação e a Escassez (Pacic), que facilita a exportação de alimentos para o México, segundo maior destino da carne bovina brasileira. A questão da rastreabilidade individual da carne, uma exigência mexicana, foi discutida. “Vamos cumprir, mas queremos que não se interrompa essa venda enquanto o Brasil caminha na rastreabilidade. O Brasil cumprirá na rastreabilidade, temos um cronograma”, observou Alckmin.
Além disso, foi firmada uma cooperação focada em produção agrícola e pecuária, sanidade animal e vegetal e inovação tecnológica.
Indústria, saúde e defesa
A indústria aeronáutica brasileira também obteve avanços significativos. A Embraer, que já possui uma fábrica de componentes com mais de mil funcionários no México, fechou a venda de 20 aeronaves das famílias E190 e E195 para a companhia estatal Mexicana de Aviación.
No setor de defesa, o governo brasileiro apresentou uma proposta para a venda do cargueiro multimissão KC-390, também fabricado pela Embraer, capaz de transportar até 26 toneladas. “Colocamos a pretensão de oferecer o cargueiro KC-390. Não foi resolvido, mas ficou o pleito brasileiro com todos os argumentos favoráveis”, finalizou Alckmin.
Na área da saúde, foram firmados acordos para parcerias em pesquisa e desenvolvimento de vacinas com tecnologia de RNA mensageiro e para a modernização de processos regulatórios de fármacos. A troca de experiências no combate a arboviroses, como a dengue, também foi pautada.
Outras parcerias incluem a cooperação para impulsionar o setor de biocombustíveis no México, aproveitando a experiência brasileira na produção de etanol, e um memorando entre a ApexBrasil e a Secretaria de Economia do México para promover o intercâmbio de bens, serviços e investimentos.


















