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PF bloqueia R$ 670 milhões do banco do bispo Edir Macedo por suspeita de fraude financeira

23 jun 2026 - 10:15

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Operação Miragem cumpre mandados de busca e apreensão em São Paulo para desarticular suspeitas de fraudes contábeis e manipulação financeira no Banco Digimais
PF bloqueia R$ 670 milhões do banco do bispo Edir Macedo por suspeita de fraude financeira. Foto: Alan Santos

A Polícia Federal cumpre nesta terça-feira (23), nove mandados de busca e apreensão em uma ação que investiga crimes contra o sistema financeiro nacional no Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo. A pedido da corporação, a Justiça Federal em São Paulo determinou o bloqueio de bens de até 670 milhões de reais, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. De acordo com as investigações, os envolvidos teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros para ocultar a real situação econômica da instituição e simular uma boa saúde financeira perante os órgãos de controle.

Investigação de crimes financeiros
A Polícia Federal apura a prática de crimes como gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas. O objetivo das manipulações investigadas era viabilizar operações irregulares ao omitir as reais condições do banco diante das autoridades regulatórias.

O Banco Digimais tem sede em São Paulo, para onde foi transferido após ser adquirido por Edir Macedo em 2020. Anteriormente, a instituição operava sob o nome de Banco Renner, no Rio Grande do Sul. Sob o controle do fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da RecordTV, o banco passou a diversificar suas receitas e, segundo dados de março de 2026 do Banco Central, acumulava 10 bilhões de reais em ativos, concentrados principalmente em financiamento de veículos e crédito consignado.

Alertas em auditoria externa
A operação ocorre em um período no qual o banco enfrenta dificuldades financeiras e restrições apontadas por auditorias independentes. No balanço do segundo semestre de 2025, a auditoria Clifton Larson Allen Brasil apontou que o Digimais investiu 3 bilhões de reais em fundos de investimento cujas demonstrações financeiras não puderam ser auditadas por falta de documentação. O montante correspondia a 73% do total aplicado pelo banco nesse tipo de ativo.

Os auditores também identificaram uma valorização incomum de 178% em cotas de fundos de investimento em participações recém-criados. O Digimais adquiriu 357,6 milhões de reais nessas cotas e, em dezembro de 2025, o valor saltou para 997,5 milhões de reais, gerando um resultado positivo contábil de 639,8 milhões de reais. Na ocasião, a auditoria registrou que não foi possível avaliar a razoabilidade da operação porque os fundos não possuíam balanços auditados.

Outro ponto questionado foi a venda de 741,3 milhões de reais em cotas de um fundo de investimento em direitos creditórios para a B.A. Empreendimentos e Participações, holding de Edir Macedo que controla o banco. A transação gerou um impacto positivo de 126 milhões de reais no balanço de 2025, permitindo que o banco fechasse o ano com lucro líquido de 31 milhões de reais, mas os auditores alertaram que o negócio, com vencimento em 2032, dependia de pagamento e poderia não refletir as condições usuais de mercado.

Deterioração e tentativa de venda
Na segunda-feira (22), véspera da operação policial, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou e retirou a nota de avaliação do Banco Digimais. A agência justificou a medida apontando a falta de informações atualizadas, incertezas sobre o futuro da instituição e processos judiciais envolvendo ativos ligados ao Banco Master.

Financeiramente, o Digimais registrou um prejuízo líquido de 108,35 milhões de reais no primeiro trimestre de 2026. Para tentar reestruturar a empresa e evitar uma liquidação judicial, a administração foi entregue no fim de 2025 ao executivo Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, enquanto o bispo João Luiz Urbaneja passou a chefiar o conselho de administração.

Em abril de 2026, o BTG Pactual assinou um acordo de intenção de compra para adquirir a totalidade das ações do Digimais por meio de um processo competitivo. A conclusão do negócio depende de aprovação do Banco Central, do Conselho Administrativo de Defesa Econômica e de negociações com o Fundo Garantidor de Créditos para financiar a operação e mitigar os passivos existentes.

Manifestações das instituições
Até a publicação desta matéria, o bispo Edir Macedo não havia retornado aos pedidos de comentário feitos por telefone via Igreja Universal. O Banco Digimais também não respondeu aos contatos realizados nesta terça-feira por e-mail e mensagens.

Em manifestações anteriores sobre as ressalvas da auditoria, o Digimais havia declarado em nota que os apontamentos decorriam de prazos diferentes entre os balanços dos fundos e do próprio banco, descartando erros contábeis. A instituição afirmou ainda que os ativos dos fundos foram mensurados a valor justo por laudos de empresas especializadas e independentes, garantindo a transparência e a consistência das demonstrações financeiras, e reiterou que todas as operações seguiam as práticas de mercado.

O BTG Pactual e o Fundo Garantidor de Créditos foram procurados para se pronunciar sobre a continuidade das negociações após a operação policial, mas informaram que não fariam comentários no momento.

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Atualizado: 23/06/2026 10:36

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