Um ciclo de palestras marcou o 1º Congresso Estadual de Mulheres na Segurança Pública, realizado na última sexta-feira (19), em Vitória. O evento reuniu representantes das forças de segurança do Espírito Santo e de instituições federais, com uma programação diversa sobre os avanços conquistados pelas mulheres, os desafios ainda presentes nas carreiras da área e a importância da formação profissional para o fortalecimento da atuação feminina nas polícias.
A abertura da programação ficou por conta da tenente-coronel Lorena Rezende, coordenadora estadual adjunta da Defesa Civil Estadual e presidente da Comissão Permanente para Questões da Bombeira Militar do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES), que apresentou a palestra “Equidade de Gênero no Corpo de Bombeiros: Conquistas, Estruturas e Desafios”.
Segundo a oficial, o congresso representa uma oportunidade para compartilhar experiências e fortalecer o diálogo entre as instituições. “Mais do que discutir a presença feminina na segurança pública, o evento demonstra o compromisso das nossas instituições com a valorização das pessoas, o desenvolvimento de lideranças e a construção de ambientes de trabalho cada vez mais respeitosos, inclusivos e preparados para servir melhor à sociedade”, destacou.
A primeira mulher a comandar a Academia de Polícia Militar do Espírito Santo, coronel PM Adriana Bravin, abordou o tema “Capacitação profissional: o conhecimento como legado e alicerce da liderança feminina na segurança pública”. Durante a palestra, ela ressaltou a importância da qualificação contínua como ferramenta para fortalecer a atuação das mulheres e ampliar sua participação nos espaços de liderança.
Também integrou a programação a policial rodoviária federal Ana Carolina Albuquerque, com o painel “Direitos Humanos e equidade de gênero na PRF: Avanços, desafios e perspectivas”. Ela apresentou iniciativas desenvolvidas pela instituição e destacou a relevância da troca de experiências entre as forças de segurança.
“Essa troca de experiências é fundamental para fortalecer as instituições e promover boas práticas. Participar deste encontro foi uma experiência inspiradora. Estar ao lado de mulheres tão fortes, competentes e comprometidas reforça a importância da união e da representatividade na segurança pública”, afirmou.
Experiências, representatividade e enfrentamento à violência
A atuação feminina em áreas tradicionalmente ocupadas por homens também esteve em pauta. A policial penal Adriana Fernandes Camponez, integrante da Divisão de Operações Táticas (DOT) da Polícia Penal do Espírito Santo (PPES), ministrou a palestra “Mulheres nas Forças Especializadas” e destacou a crescente presença feminina em funções operacionais de alta complexidade.
“A cada dia, mais paradigmas são quebrados, à medida que mulheres demonstram competência, dedicação e resiliência no desempenho de suas funções, provando que capacidade não tem gênero. Mais do que ocupar espaços, estamos construindo caminhos, inspirando novas gerações e contribuindo para uma sociedade mais justa e preparada para reconhecer o valor da diversidade e da igualdade”, ressaltou.
A perita oficial-geral adjunta da Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES), Daniela de Paula, conduziu a palestra “Mulheres na Segurança Pública: passado, presente e futuro”, abordando a evolução da participação feminina nas carreiras policiais e os avanços conquistados ao longo das últimas décadas.
“O maior avanço foi ver as mulheres deixarem de ser exceção e passarem a ocupar, de forma concreta, espaços técnicos, operacionais e de gestão na segurança pública. Hoje, elas lideram, decidem, produzem conhecimento e contribuem diretamente para a qualificação das instituições”, pontuou.
O enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher também integrou a programação. A delegada Cláudia Dematté, chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (DIV-Deam), destacou a importância da conscientização e do fortalecimento das redes de apoio para romper o ciclo da violência.
“A violência doméstica e familiar contra a mulher não faz distinções e pode atingir mulheres das mais diversas realidades. Espaços de debate como este são fundamentais para ampliar a conscientização, romper silenciamentos e mostrar que nenhuma mulher está sozinha. Quanto mais informação e diálogo tivermos sobre o tema, maiores serão as chances de identificação precoce da violência e de proteção efetiva às vítimas”, enfatizou.
O debate sobre a proteção dos direitos das mulheres também abordou o tráfico internacional para fins de exploração sexual. A delegada da Polícia Federal, Helena Rezende Mazzoco, apresentou o tema “Tráfico internacional de mulheres para exploração sexual: o papel da Polícia Federal na responsabilização de criminosos”, alertando para a subnotificação desse tipo de crime e para a necessidade de acolhimento às vítimas.
“O tráfico de mulheres é uma realidade, mas um crime de baixíssima notificação. As vítimas, por vezes, têm vergonha de admitir a violência que estão sofrendo e medo do julgamento alheio. Combater esse crime também significa acolher essas mulheres que, independentemente da razão pela qual saíram do país, não podem ser submetidas à grave exploração a que são expostas no exterior”, explicou a delegada Helena Rezende Mazzoco.
Além das palestras, a programação do congresso contou com debates sobre saúde mental, socioeducação, protagonismo feminino nas guardas municipais, enfrentamento ao tráfico internacional de mulheres e a participação feminina no movimento sindical, consolidando o evento como um espaço de valorização, integração e fortalecimento das mulheres que atuam na segurança pública.


















