A 3ª edição do Anuário Estadual da Segurança Pública, com dados consolidados de 2024, foi divulgada nesta quarta-feira (9), em Vitória. O levantamento revela uma queda histórica no número de homicídios dolosos, o menor em 28 anos, mas também aponta aumento em outros indicadores, como latrocínios, feminicídios, violência doméstica e mortes no trânsito.
Os dados foram apresentados durante coletiva de imprensa na sede da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) e são resultado do trabalho conjunto do Programa Estado Presente em Defesa da Vida e do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).
O documento consolida as informações criminais do ano anterior, funcionando como ferramenta para análise de tendências e direcionamento de políticas públicas. Os resultados de 2024 indicam avanços importantes em algumas áreas, ao mesmo tempo em que acendem alertas sobre desafios que persistem no estado.
“O Espírito Santo já registrou uma taxa de 58 homicídios por 100 mil habitantes. Em 2024, consolidamos 20,7 homicídios por 100 mil. Essa perspectiva se deve à resiliência da estratégia do Programa Estado Presente”, afirmou o vice-governador Ricardo Ferraço.
Queda nos homicídios e CVLI
O principal destaque positivo do anuário foi a redução dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), que englobam homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte. Em 2024, foram registradas 902 ocorrências de CVLI, queda de 12,5% em relação aos 1.031 casos de 2023.
O número de homicídios dolosos foi o menor da série histórica, iniciada em 1996. O estado encerrou 2024 com 852 assassinatos, uma redução de 12,8% em relação aos 977 registrados no ano anterior. Pela primeira vez em 28 anos, o total anual ficou abaixo de 900 casos. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes chegou a 20,8, também a menor já registrada. Já as ocorrências de lesão corporal seguida de morte caíram 50%, passando de 22 para 11 casos.
Latrocínio e violência contra a mulher em alta
Em contrapartida, os casos de latrocínio (roubo seguido de morte) cresceram 21,9%, com 39 registros em 2024, contra 32 no ano anterior.
A violência letal contra a mulher também aumentou. Os homicídios de mulheres subiram 5,7%, passando de 88 casos em 2023 para 95 em 2024. Dentro desse universo, os feminicídios cresceram 8,6%, de 35 para 38 ocorrências no mesmo período.
Crimes contra o patrimônio: queda em roubos e furtos, alta em fraudes
A maioria dos crimes contra o patrimônio apresentou redução em 2024. O maior destaque foi a queda de 27,7% nos roubos a pessoas em via pública, que passaram de 15.118 casos em 2023 para 10.928 em 2024.
Outras reduções incluem:
. Furto e roubo a residências: queda de 24,5% (de 6.179 para 4.668 casos);
. Furto e roubo em transporte coletivo: redução de 14,6% (de 4.245 para 3.627 casos);
. Furto e roubo de veículos: queda de 10,6% (de 6.879 para 6.148 casos);
. Furto e roubo de celulares: diminuição de 8,8% (de 22.803 para 20.807 casos).
O único indicador patrimonial que registrou crescimento foi o de estelionatos e fraudes, com aumento de 9,9%: foram 45.989 ocorrências em 2024, contra 41.847 em 2023.
Grupos vulneráveis: redução contra LGBTI+, aumento nos demais
A violência contra grupos vulneráveis teve variações. Os crimes contra a população LGBTI+ apresentaram queda de 12,1%, passando de 6.143 registros em 2023 para 5.399 em 2024.
Por outro lado, outros indicadores aumentaram:
. Violência doméstica: aumento de 7,8% (de 21.315 para 22.985 casos);
. Violência contra a pessoa idosa: crescimento de 15,4% (de 4.115 para 4.748 casos);
. Crimes contra a dignidade sexual: aumento de 13,3% (de 3.103 para 3.515 vítimas).
Mortes no trânsito superam homicídios pela primeira vez
Um dos dados mais preocupantes do anuário é que, pela primeira vez na série histórica, o número de mortes no trânsito superou o de homicídios dolosos. Em 2024, foram 984 óbitos em acidentes, aumento de 18,8% em relação às 828 mortes de 2023. No mesmo período, foram registrados 852 homicídios dolosos.
Os motociclistas seguem como o grupo mais vulnerável, representando 52% das vítimas fatais no trânsito, com 513 mortes ao longo do ano.
Estratégia e transparência
Segundo o secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Leonardo Damasceno, o anuário consolida a transparência dos dados e apoia decisões estratégicas. “É fruto de muito trabalho integrado da Sesp com o Instituto Jones dos Santos Neves, que subsidia a formulação de políticas públicas e entrega à sociedade informações que antes ficavam apenas no âmbito interno”, afirmou.
O diretor-geral do IJSN, Pablo Lira, destacou o pioneirismo da iniciativa. “O Espírito Santo é o único estado da Federação, segundo levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que possui uma ferramenta com esse nível de detalhamento para auxiliar na tomada de decisões na área da segurança pública.”


















