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Artesanato e turismo impulsionam empreendedorismo indígena no Espírito Santo

19 ago 2025 - 09:50

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Com maior visibilidade e apoio institucional, comunidades indígenas em Aracruz ampliam renda com artesanato, turismo de experiência e capacitações voltadas à valorização da tradição e inclusão no mercado
Artesanato e turismo impulsionam empreendedorismo indígena no Espírito Santo. Foto: Reprodução

Indígenas do Espírito Santo avançam em iniciativas de empreendedorismo e turismo cultural que unem geração de renda e preservação da tradição. Grande parte dessas ações ocorre em Aracruz, município que concentra mais da metade da população indígena do estado. Instituições de apoio, como o Sebrae/ES, também participam com capacitações e programas voltados à inclusão.

Um levantamento do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), publicado no início deste ano, aponta a existência de 16 localidades indígenas no Espírito Santo, das quais 13 (81,2%) estão inseridas majoritariamente em Terras Indígenas oficialmente demarcadas. A população indígena do estado soma 14.410 pessoas, o que representa 0,4% do total de habitantes. As mulheres correspondem a 51,1% desse contingente.

A concentração mais expressiva está em Aracruz, que reúne 51,5% da população indígena capixaba, cerca de 7.425 pessoas, distribuídas em 13 aldeias.

Etnoempreendedorismo e turismo de experiência
Com o objetivo de manter vivas tradições ancestrais e ao mesmo tempo garantir autonomia econômica, comunidades indígenas do estado vêm apostando no etnoempreendedorismo, modelo que alia geração de renda à valorização cultural.

Na Aldeia Boa Esperança, do povo Guarani, em Santa Cruz, Aracruz, o turismo de experiência tornou-se uma das frentes de atuação. O visitante tem a oportunidade de conhecer a história e a cultura indígena, participar de atividades tradicionais, provar refeições típicas e adquirir artesanato, que é a principal fonte de renda da etnia Guarani.

“Hoje, com a visibilidade que os povos indígenas vêm ganhando, nós estamos conseguindo vender mais o nosso artesanato. E não somente vender, mas também transmitir a importância do empreendedorismo indígena para todos, que vai além de uma ajuda. É uma forma de incentivar as pessoas a produzirem cada vez mais a sua arte sem precisar de sair da sua aldeia para buscar um trabalho fora daqui, principalmente as mulheres, que têm mais dificuldades para encontrar emprego por conta da maternidade”, afirma Ará Martins, representante do povo Guarani.

Apoio institucional e capacitação
No Espírito Santo, o Sebrae/ES atua em parceria com a prefeitura de Aracruz para incentivar o empreendedorismo nas aldeias. Por meio da Sala do Empreendedor, a instituição oferta palestras e capacitações.

“Entre essas formas de apoio à comunidade indígena do estado, recentemente realizamos uma palestra sobre empreendedorismo feminino para as mulheres indígenas e, também, o evento Empodera Mais, que no ano passado foi realizado na aldeia Caieiras Velha, local escolhido como forma de valorizar a cultura desses povos e de levar conhecimento ao público sobre a sua história”, explica Roberta Vieira Stoco, analista técnica do Sebrae/ES em Aracruz.

Espaços de debate e protagonismo
As discussões sobre empreendedorismo indígena também ganharam espaço em eventos de inovação. A última edição do ESX – Innovation Experience Espírito Santo, em julho deste ano, trouxe a palestra “Empreendedorismo e povos originários: saberes ancestrais, negócios do futuro”. O encontro contou com a participação da cacica Marcela Tupiniquim, da aldeia Pau Brasil, e de Ará Martins, da Aldeia Boa Esperança.

Coordenadora do projeto Nhãdeva Ekuéry, que difunde a cultura indígena além das aldeias, Ará relata a importância da visibilidade conquistada no evento. “Foi muito importante ter aquele lugar de fala e poder mostrar um pouco sobre a nossa história e sobre como tudo funciona de fato. Por mais que hoje em dia nós tenhamos mais espaço, ainda é muito difícil das pessoas respeitarem a nossa cultura. É do conhecimento que nasce o respeito”, destacou.

Lançado em 2024, o Programa Plural integra as ações do Sebrae/ES para promover inclusão e diversidade no empreendedorismo. A iniciativa contempla mulheres, pessoas negras, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência, idosos e a comunidade LGBTQIAP+, entre outros grupos. O objetivo é ampliar o acesso a oportunidades e estimular o empreendedorismo transformador em setores historicamente marginalizados.

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Atualizado: 19/08/2025 11:16

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