Um bombom que viralizou nas redes sociais, conhecido como “morango do amor”, está provocando uma alta repentina no preço do morango no Espírito Santo. Na Central de Abastecimento do estado (Ceasa), o valor médio da fruta in natura subiu 38% de segunda-feira (21) para terça (22), saltando de R$16,67 para R$23,10 o quilo. O aumento abrupto na demanda, principalmente por morangos graúdos, alterou a rotina de produtores rurais e confeitarias da Grande Vitória.
A alta expressiva quebrou um período de relativa estabilidade nos preços neste mês de julho.
| Dia | Preço Médio (R$) |
|---|---|
| 01 | R$ 21,88 |
| 02 | R$ 18,23 |
| 03 | R$ 17,08 |
| 04 | R$ 17,08 |
| 07 | R$ 16,67 |
| 08 | R$ 17,36 |
| 09 | R$ 18,67 |
| 10 | R$ 17,29 |
| 11 | R$ 18,06 |
| 14 | R$ 16,67 |
| 15 | R$ 16,67 |
| 16 | R$ 16,67 |
| 17 | R$ 16,11 |
| 18 | R$ 16,25 |
| 21 | R$ 16,67 |
| 22 | R$ 23,10 |
| 23 | R$ 21,25 |
Demanda supera a oferta
O impacto da nova tendência é sentido diretamente no campo. Em Santa Maria de Jetibá, na Região Serrana, o produtor Roberto Starles, de 22 anos, colhe meia tonelada de morangos por dia de seus mais de 25 mil pés, mas a produção não tem sido suficiente para atender a todos os pedidos. A procura, segundo ele, é maior do que a registrada na época do Natal, tradicionalmente o período de maior venda.
“Nunca tinha acontecido isso, normalmente a época do ano que mais vende é o Natal, mas esse período está superando. Ainda mais os morangos graúdos, que é a procura de agora para o doce. E nessa época mais fria o fruto não amadurece tanto e fica maior”, relata o produtor.
Inspirado na tradicional “maçã do amor”, o bombom é feito com morango, brigadeiro branco e uma casquinha crocante. A alta procura pelo doce já gera filas em confeitarias de Vila Velha e da Serra. A demanda específica por morangos maiores fez com que Starles reajustasse o preço da caixa com cerca de 1,2 kg de R$30 para R$35, para cobrir os custos de buscar a fruta em outras propriedades.
“Estou tendo que ir na roça vizinha para conseguir o produto. Então, o custo aumentou um pouco, foi pra R$35. Ainda assim está faltando. Tem gente que nem pergunta o preço e está querendo pagar. Gente mandando mensagem, pegando o número de telefone e fazendo o Pix de madrugada falando que já está encomendado”, detalha Roberto, que afirma que os pedidos triplicaram em relação ao mesmo período do ano passado.
Entre as entregas, o produtor e sua esposa, Rillary, que trabalham juntos, provaram o doce. “Está aprovado! É isso tudo mesmo que as pessoas estão atrás. Espero que façam muito ainda”, disse ele.
Confeitarias alteram rotina
A febre do “morango do amor” também está mudando a operação de docerias no estado. Pelo menos duas confeitarias fecharam as portas por um dia para se dedicar exclusivamente à produção do bombom. Milena Moreira, 26 anos, proprietária de uma loja em Alecrim, Vila Velha, viu sua produção diária saltar de 400 para 800 unidades nos últimos 15 dias.
“Nesta terça (22), eu nem abri a loja para focar na produção. Semana passada eu não estava conseguindo atender nem o delivery. Era doce só para venda na loja mesmo. Está uma loucura!”, afirmou a empresária.


















