Um levantamento recente da OCDE mostra que crianças brasileiras de 5 anos têm desempenho acima da média global em linguagem, com 502 pontos, mas ficam atrás em matemática, com 456.
A diferença também reflete desigualdade social: 80% das crianças de famílias mais ricas reconhecem números nessa idade, contra 68% entre as mais pobres. O dado indica que a defasagem em raciocínio lógico começa antes mesmo do ensino fundamental.
O que explica a dificuldade em matemática?
O cenário ajuda a explicar os resultados mais adiante. Segundo o PISA 2022, apenas 27% dos estudantes brasileiros de 15 anos atingem o nível mínimo de proficiência em matemática.
Para o diretor-geral do Colégio Sigma, Marcelo Tavares, a dificuldade precoce em matemática tende a se acumular ao longo da trajetória escolar. “Quando o aluno não desenvolve o raciocínio lógico desde cedo, ele chega às etapas seguintes com lacunas que impactam diretamente o aprendizado”, afirma.
Diante desse quadro, escolas têm adotado estratégias para tentar melhorar o desempenho, com foco em resolução de problemas, desafios e participação ativa dos alunos. A proposta é desenvolver o raciocínio lógico e tornar o aprendizado mais aplicável ao cotidiano.
Competições como o Concurso Canguru de Matemática, presente em mais de 100 países, fazem parte desse movimento ao propor questões que estimulam lógica, interpretação e criatividade.
Segundo Tavares, o engajamento é um dos principais desafios. “Quando o aprendizado se apresenta em forma de desafio, ele deixa de ser abstrato e passa a fazer sentido. Isso ajuda a aproximar o aluno da matemática”, diz.


















