Está presa uma mulher acusada de aplicar o chamado “golpe do amor” contra um idoso de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, e que há um ano pôs fim à própria vida. O homem, de 70 anos, foi encontrado morto dentro de casa em um caso confirmado como suicídio e que ganhou contornos ainda mais graves.
Segundo o Ministério Público (MPES), tudo aconteceu porque ele sofreu um golpe de Sileide Maria Rodrigues, com quem se relacionou, e acabou tirando a própria vida em Colatina.
Após perder todas as economias que fez só longo da vida, o idoso passou a viver de modo precário, sem exercer cuidados básicos de higiene e tendo que pedir dinheiro emprestado a terceiros, segundo o relato de testemunhas próximas.
Sileide é ré pelos crimes de estelionato, agravado pelo fato de a vítima ser idosa, e extorsão “por diversas vezes”, conforme consta em decisão da 3ª Vara Criminal de Colatina, onde o caso tramita. A denúncia, relata que Sileide e o idoso mantiveram um relacionamento durante alguns meses. Mas, do início a agosto de 2024, ela, de forma reiterada, constrangeu a vítima mediante grave ameaça “com o intuito de obter para si vantagem econômica indevida”.
Sileide dizia ao idoso que tinha câncer e precisava de remédios que custavam até R$ 40 mil. Afirmava ainda que o dinheiro seria destinado ao pagamento de honorários advocatícios e despesas processuais, além de despesas decorrentes do falecimento de familiares.
Testemunhas disseram tê-la visto mais de uma vez com o idoso durante saques em uma casas lotéricas, ocasiões em que se apresentava como filha dele. O homem chegou a pegar empréstimos com amigos e familiares para suprir as exigências dela, o que afetou de tal maneira que, no dia 10 de agosto de 2024, ele foi encontrado morto dentro de casa.
“Os elementos postos indicam, em tese, que a conduta imputada não se trata de ato isolado, mas sim de verdadeiro esquema fraudulento, ardilosamente articulado e executado ao longo do tempo, o que denota sofisticação delitiva”, diz a justiça.
Sileide já estava presa por estelionato. Conforme outra denúncia, ela deu um golpe, que ultrapassa os R$ 31 mil, em uma senhora que não sabe ler e assinou documentos. O caso aconteceu em Marilândia no ano de 2018.
“A acusada ostenta condenação penal transitada em julgado por crime da mesma natureza, o que fortalece o risco de reiteração delitiva, caso permaneça em liberdade. Reforce-se que o dito histórico criminal evidencia que a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão se mostra inviável, pois estas não são adequadas para neutralizar o risco que a liberdade da denunciada representa à ordem pública, conforme preceitua o art. 319 do CPP”.
O caso tramitava sob sigilo e a defesa de Sileide tentou manter, mas a justiça negou, alegando que a fase de investigação já foi concluída e não há outra justificativa concreta para a medida. Os prejuízos causados ao idoso ultrapassam R$ 600 mil.


















