Mais uma operação de fiscais do Trabalho resgatou 10 trabalhadores em condições análogas à escravidão em uma propriedade rural de café em Vila Pavão, no Noroeste do Espírito Santo. Os trabalhadores, de Sergipe e Alagoas, estavam sendo submetidos a condições degradantes de trabalho e ainda pagavam pela comida, pelo transporte e pelos instrumentos de trabalho.
Além dos fiscais do Ministério do Traballho, participaram da operação o Ministério Público do Trabalho, do Ministério Público Federal, da Defensoria Pública da União e da Polícia Federal.
Segundo os trabalhadores, um grupo de 28 pessoas foram contratadas para colher café a convite de uma mulher que prometeu salário vantajoso, bom alojamento, alimentação farta e passagens de ida e volta, tudo por conta do empregador. Quando chegaram à propriedade, os trabalhadores se depararam com uma situação completamente diferente da que foi prometida pela mulher.
As duas casas onde foram alojados não contavam com camas, armários para guardar as roupas e objetos pessoais, mesa e cadeiras para realizarem as refeições.
Em uma das casas não havia forro, o piso era de madeira e havia vãos no chão, entre os telhados e as paredes dos cômodos, permitindo a passagem de insetos e outros animais.
Os trabalhadores tinham dois banheiros pequenos e em um deles o piso era de cimento rústico. O outro tinha um pequeno buraco, no alto de uma das paredes, que servia como janela. Não havia chuveiros e a água do banho saía de canos.
Descontos indevidos
Os auditores também verificaram que o pagamento estava longe de atingir um salário mínimo mensal. Cada trabalhador recebida R$ 16 por cada saca de 60 kg de café colhido, porém, o trabalho era feito de forma manual sem qualquer ferramenta que facilitasse a retirada dos grãos dos galhos dos pés de café.
Com isso, os trabalhadores iniciavam o dia de trabalho logo cedo, só terminavam no final da tarde e mal conseguiam colher três sacas de café por dia.


















