A Secretaria da Saúde do Espírito Santo (Sesa) divulgou uma série de diretrizes voltadas para pais, estudantes e responsáveis visando a promoção do bem-estar integral no retorno às atividades escolares. As orientações integram o Programa Saúde na Escola (PSE) e focam no fortalecimento de hábitos saudáveis, abrangendo desde a atualização vacinal até cuidados com a alimentação e a saúde mental para favorecer o desempenho durante o ano letivo.
O PSE é executado de forma conjunta por profissionais da Atenção Primária à Saúde e da educação básica, articulando as secretarias de Saúde (Sesa) e da Educação (Sedu). No biênio 2025/2026, todos os 78 municípios do Estado formalizaram a adesão à iniciativa, garantindo acesso a ações de promoção e prevenção de saúde para crianças e jovens das redes municipais e estaduais.
Entre as temáticas abordadas pelo programa estão a prevenção à Covid-19, combate à obesidade, saúde bucal, ocular e auditiva, além da prevenção de violências, acidentes e uso de drogas. Josymara Siqueira Duque, referência técnica da Gerência de Políticas e Organização de Redes de Atenção à Saúde (Geporas), destaca o impacto da iniciativa.
“Quando uma criança ou adolescente participa das atividades propostas pelo Programa, temos ali uma pessoa que vai contribuir com boas práticas no ambiente escolar e até mesmo em casa ou em seu bairro. E esse é o objetivo das nossas ações, promover para esses alunos o entendimento que a saúde é coletiva”, afirma Josymara.
Vacinação e exigência legal
A atualização do cartão de vacinação é apontada como medida fundamental devido à facilidade de transmissão de doenças em ambientes com grande circulação de pessoas, como as escolas. A imunização previne enfermidades como coqueluche, caxumba, rotavírus, meningites, sarampo e gripe (influenza), além da Covid-19.
No Espírito Santo, a Lei nº 10.913, de 1º de novembro de 2018, torna obrigatória a apresentação da declaração da situação vacinal atualizada no ato da matrícula e rematrícula para estudantes da educação infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, tanto na rede pública quanto na privada. Caso haja pendências, os responsáveis devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima.
“Por ser um ambiente onde as crianças e a adolescentes permanecem por um longo período, e muitas vezes estão em constante contato, a facilidade de transmissão de diversas doenças aumentam consideravelmente. Então, vacinar esse grupo significa protegê-las de uma grande parte das doenças transmissíveis, além de evitar possíveis efeitos destas doenças”, ressalta o subsecretário de Vigilância em Saúde, Orlei Cardoso.
Nutrição e rendimento escolar
A Sesa também alerta para a relação direta entre alimentação e capacidade de aprendizado. Raiany Boldrini Christe Jalles, nutricionista e referência em Alimentação e Nutrição da Sesa na Atenção Primária, explica que hábitos adequados aumentam a disposição e previnem a fadiga.
“Quando os pais e responsáveis adotam uma dieta equilibrada e disciplinada, garantem que as crianças e adolescentes recebam os nutrientes necessários para enfrentar a rotina escolar, uma boa alimentação pode aumentar a disposição e prevenir quedas de energia nos alunos durante o dia, o que pode causar desatenção e sonolência durante o período de aula e durante o dia”, pontua a nutricionista.
As recomendações incluem um café da manhã balanceado com carboidratos, proteínas, vitaminas e minerais (como pão, leite, queijo e frutas). Para os lanches, a orientação é priorizar opções naturais e evitar refrigerantes, balas e produtos industrializados. A hidratação contínua com água e o consumo de alimentos ricos em fibras também são indicados para o bom funcionamento do corpo e da mente.
Monitoramento da saúde mental
Além dos aspectos físicos, o estado emocional dos estudantes é um ponto de atenção. A Sesa orienta que pais e educadores observem mudanças de comportamento e promovam espaços de diálogo e acolhimento para identificar sinais de ansiedade, estresse ou tristeza.
A Chefe do Núcleo Especial de Atenção Especializada (NEAE), Franciely da Costa Guarnier, reforça a necessidade de integração entre as instituições de ensino e as famílias. “O seio familiar e a escola devem ser sinônimos de segurança para as crianças e adolescentes, então é fundamental identificar, tanto na sala de aula quanto no contexto familiar, os sinais de algo que esteja desencadeando um possível sofrimento psíquico”, declara.
Em casos de necessidade de acompanhamento profissional, a porta de entrada para o atendimento são as Unidades Básicas de Saúde (UBS), que podem direcionar o paciente para outros serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).


















