Saúde

Inicia vacinação contra a Covid-19 de pessoas com comorbidades no ES

03 maio 2021 - 11:21

Redação Em Dia ES

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Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 600 mil capixabas devem ser imunizados nesta etapa

O Governo do Espírito Santo iniciou, na manhã desta
segunda-feira (03), em ato simbólico realizado no Palácio Anchieta, a
vacinação de pessoas com comorbidades, deficiência permanente, gestantes
e puérperas em mais uma etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a
Covid-19. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 600 mil
capixabas devem ser imunizados nesta etapa, sendo 401.670 pessoas com
comorbidades; 148.611 pessoas com deficiência permanente e 47.965
gestantes e puérperas.

De acordo com o governador Renato
Casagrande, o Estado já tem aproximadamente 200 mil doses para iniciar a
vacinação desse grupo. “Com a chegada de mais doses, será possível
avançar na imunização de pessoas com outras comorbidades. A partir de
agora, essas pessoas vão entrar em um grupo maior de proteção. Já
sentimos a redução de óbitos nas faixas etárias que foram vacinadas.
Mesmo assim, precisamos que a população continue colaborando, pois ainda
não temos vacinas para todos”, afirmou.

Casagrande repetiu a
importância de seguir todos os protocolos de biossegurança, como o uso
de máscaras, a higienização constante das mãos e objetos, assim como
evitar aglomerações. “A quarentena no Espírito Santo mostrou resultados
em um momento delicado da pandemia. Conseguimos atender a todos os
capixabas que precisaram do sistema de saúde e salvamos mais de 800
vidas, de pessoas que não se infectaram durante o período”, destacou.

Em
sua fala, o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, ressaltou a
importância de receber os representantes das Apaes e da Pestalozzi,
podendo garantir o início da vacinação deste grupo. “Foi simbólico poder
trazê-los aqui hoje. Entendemos que nessa fragilidade conseguimos
expressar mais cuidado, uma maior quantidade, conseguimos de fato
expressar nossa prioridade com a vida”, disse.

Nésio Fernandes
pontuou que inicialmente, de acordo com o quantitativo de doses que
estavam chegando, seria possível dividir esta nova etapa em duas fases.
Entretanto, com a concomitância de chegadas de doses ao Ministério da
Saúde, a expectativa é de que esta semana o Espírito Santo possa avançar
ainda mais na vacinação contra o novo Coronavírus (Covid-19).

“Será
uma semana que vamos vacinar em uma proporção muito maior. A boa
surpresa é que tivemos a chegada de vacinas da Organização Mundial da
Saúde (OMS), do Butantan e da Fiocruz. A nossa expectativa é que
consigamos avançar na fase dois. Nós gostamos de celebrar a vacinação
dessa maneira, quando é possível imunizar universalmente grandes grupos
populacionais”, declarou.

As doses referentes ao grupo começaram a
ser distribuídas na última quinta-feira (29), com o envio de 6,1% de
doses para primeira dose de comorbidades; 4,7% de doses a pessoas com
deficiência permanente; e 10% de doses às gestantes e puérperas. A
distribuição pode ser acompanhada no site Coronavírus ES, por meio do
Painel de Vacinação, disponível no link:
https://coronavirus.es.gov.br/painel-vacinacao.

As ações de
vacinação deverão seguir as estratégias definidas em pactuação entre o
Estado e os municípios, na Comissão Intergestores Bipartite, por meio da
Resolução CIB nº 048/2021, na qual define as fases a serem seguidas, de
acordo com o quantitativo de doses disponibilizadas e a relação do
documento comprobatório que deverá ser apresentado no ato da vacinação.

Expectativa e muita felicidade na primeira dose

Durante
o evento, os alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do
Espírito Santo (Apaes), Daniele de Jesus Belo, com síndrome de Down, e
Adenilton Alex Waucher, autista com deficiência intelectual, puderam
iniciar o esquema de vacinação contra a Covid-19. Os familiares que
acompanhavam os alunos não esconderam a emoção com a aplicação da
primeira dose do imunizante.

Acompanhada pelos pais Maria Márcia e
José Maria Belo, a jovem Daniele de Jesus Belo, 31 anos, demonstrou a
sua alegria. “Que bom que temos essa vacina agora para as pessoas com
deficiência intelectual. Muito feliz também porque meus amigos poderão
ser vacinados”, disse a representante da Apae de Ibatiba.

O pai
de Daniele informou que a família saiu no dia anterior para não perder a
oportunidade. “Saímos de casa ontem para poder estar aqui cedinho. É
uma oportunidade ímpar e um momento de muita satisfação, por termos
conseguido uma vitória deste tamanho”, disse José Maria Belo.


Nilton Carlos Waucher, pai de Adenilton Alex Waucher (42 anos, autista e
aluno APAE de Cariacica), também declarou sua satisfação com o momento.
“Estou feliz e tranquilo, na verdade, em poder aguardar a primeira dose
da vacina”, revelou.

Como será a vacinação dos grupos de pessoas com comorbidades, deficiência permanente, gestantes e puérperas

Pactuado
entre Estado e municípios por meio da Comissão Intergestores Bipartite
(CIB), o Espírito Santo seguirá as definições para a vacinação de
pessoas com comorbidades, deficiência permanente, gestantes e puérperas
de acordo com a Resolução CIB nº 048/2021. Com a estimativa de imunizar
mais de meio milhão de capixabas nesta nova etapa, a vacinação ocorrerá
em duas fases, seguindo os critérios de vacinação abaixo:

– Na Fase I, vacinar proporcionalmente, de acordo com o quantitativo de doses disponibilizadas:

a)
na faixa etária entre 18 e 59 anos de idade:
pessoas com Síndrome de
Down ou deficiência intelectual/mental (autismo, paralisia cerebral ou
outras síndromes que desencadeiam a deficiência intelectual/mental);
pessoas com doença renal crônica em terapia de substituição renal
(diálise); pessoas com fibrose cística; gestantes e puérperas com
comorbidades pré-determinadas no Plano Nacional (PNO); e pessoas com
obesidade mórbida (índice de massa corpórea – IMC =40);

b) na
faixa etária entre 55 e 59 anos de idade:
pessoas com Deficiência
Permanente cadastradas no Programa de Benefício de Prestação Continuada
(BPC).

– Na Fase II, vacinar proporcionalmente, de acordo com o quantitativo de doses disponibilizado:


Pessoas com comorbidades pré-determinadas no PNO; gestantes e puérperas
independentemente de condições pré-existentes; pessoas com Deficiência
Permanente cadastradas no Programa de Benefício de Prestação Continuada
(BPC). Nesta fase, a imunização será realizada também segundo as faixas
de idade de 50 a 59 anos; 40 a 49 anos; 30 a 39 anos; e 18 a 29 anos.

Ainda
segundo a Resolução CIB nº 048/2021, como comprovação para a vacinação,
a pessoa deverá apresentar um dos seguintes documentos: laudo médico,
prescrição médica ou declaração do enfermeiro do serviço de saúde onde o
usuário faz tratamento, além do documento de identificação com foto. O
cidadão deverá levar duas cópias do documento comprobatório, uma vez que
os serviços de vacinação deverão reter a cópia.

Quanto a data do
documento comprobatório, deverá ser de 2018 em diante, ou seja, dos
últimos três anos, para condições permanentes e 90 dias para condições
adquiridas e transitórias.

Comorbidades definidas pelo Plano Nacional de Vacinação

Abaixo,
a descrição das comorbidades incluídas como prioritárias para vacinação
contra a Covid-19 no Plano Nacional de Operacionalização (PNO) da
Vacinação:

 

GRUPO DE COMORBIDADES

DESCRIÇÃO

Diabetes mellitus

Qualquer indivíduo com diabetes

Pneumopatias crônicas graves

 

Indivíduos com pneumopatias graves incluindo doença pulmonar
obstrutiva crônica, fibrose cística, fibroses pulmonares,
pneumoconioses, displasia broncopulmonar e asma grave (uso recorrente de
corticoides sistêmicos, internação prévia por crise asmática).

Hipertensão Arterial Resistente (HAR)

 

HAR= quando a pressão arterial (PA) permanece acima das metas
recomendadas com o uso de três ou mais anti-hipertensivos de diferentes
classes, em doses máximas preconizadas e toleradas, administradas com
frequência, dosagem apropriada e comprovada adesão ou PA controlada em
uso de quatro ou mais fármacos antihipertensivos

Hipertensão arterial estágio 3

PA sistólica =180mmHg e/ou diastólica =110mmHg independente da presença de lesão em órgão-alvo (LOA) ou comorbidade

Hipertensão arterial estágios 1 e 2 com lesão em órgão-alvo e/ou comorbidade

PA sistólica entre 140 e 179mmHg e/ou diastólica entre 90 e 109mmHg na presença de lesão em órgão-alvo e/ou comorbidade

DOENÇAS CARDIOVASCULARES

Insuficiência cardíaca (IC)

 

 

 

Cor-pulmonale e Hipertensão pulmonar

 

 

 

Cardiopatia hipertensiva

 

 

 

 

Síndromes coronarianas

 

 

 

Valvopatias

 

 

 

 

 

 

Miocardiopatias e Pericardiopatias

IC com fração de ejeção reduzida, intermediária ou preservada; em estágios B, C ou D, independente de classe funcional da New York Heart Association.

 

Cor-pulmonale crônico, hipertensão pulmonar primária ou secundária.

 

 

Cardiopatia hipertensiva (hipertrofia ventricular esquerda ou
dilatação, sobrecarga atrial e ventricular, disfunção diastólica e/ou
sistólica, lesões em outros órgãos-alvo).

 

Síndromes coronarianas crônicas (Angina Pectoris estável, cardiopatia isquêmica, pós Infarto Agudo do Miocárdio, outras).

 

Lesões valvares com repercussão hemodinâmica ou sintomática ou com
comprometimento miocárdico (estenose ou insuficiência aórtica; estenose
ou insuficiência mitral; estenose ou insuficiência pulmonar; estenose ou
insuficiência tricúspide, e outras).

 

Miocardiopatias de quaisquer etiologias ou fenótipos; pericardite crônica; cardiopatia reumática.

Doenças da Aorta, dos Grandes Vasos e Fístulas arteriovenosas

 

 

Arritmias cardíacas

 

 

 

Cardiopatias congênitas no adulto

 

 

 

Próteses valvares e Dispositivos cardíacos implantados

 

Aneurismas, dissecções, hematomas da aorta e demais grandes vasos.

 

Arritmias cardíacas com importância clínica e/ou cardiopatia associada (fibrilação e flutter atriais; e outras).

 

Cardiopatias congênitas com repercussão hemodinâmica, crises
hipoxêmicas; insuficiência cardíaca; arritmias; comprometimento
miocárdico.

 

 

Portadores de próteses valvares biológicas ou mecânicas; e
dispositivos cardíacos implantados (marca-passos, cardio
desfibriladores, ressincronizadores, assistência circulatória de média e
longa permanência).

Doença cerebrovascular

Acidente vascular cerebral isquêmico ou hemorrágico; ataque isquêmico transitório; demência vascular.

Doença renal crônica

Doença renal crônica estágio 3 ou mais (taxa de filtração glomerular < 60 ml/min/1,73 m2) e/ou síndrome nefrótica.

Imunossuprimidos

Indivíduos transplantados de órgão sólido ou de medula óssea; pessoas
vivendo com HIV; doenças reumáticas imunomediadas sistêmicas em
atividade e em uso de dose de prednisona ou equivalente > 10 mg/dia
ou recebendo pulsoterapia com corticoide e/ou ciclofosfamida; demais
indivíduos em uso de imunossupressores ou com imunodeficiências
primárias; pacientes oncológicos que realizaram tratamento
quimioterápico ou radioterápico nos últimos 6 meses; neoplasias
hematológicas.

Hemoglobinopatias graves

Doença falciforme e talassemia maior

Obesidade mórbida

Índice de massa corpórea (IMC) = 40

Síndrome de down

Trissomia do cromossomo 21

Cirrose hepática

Cirrose hepática Child-Pugh A, B ou C


Fonte: CGPNI/DEVIT/SVS/MS. Com base nas revisões de literatura contidas nas referências deste documento.

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Atualizado: 03/05/2021 11:21

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