Saúde

ES registra queda de 17% nas mortes por aids e acompanha recorde nacional

08 dez 2025 - 09:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Recuo nos óbitos é atribuído à ampliação de testes e tratamentos modernos no SUS. Brasil atinge menor índice de fatalidade da doença em três décadas
ES registra queda de 17% nas mortes por aids e acompanha recorde nacional. Foto: Reprodução

O Espírito Santo reduziu em 17,2% o número de mortes causadas pela aids entre 2023 e 2024, passando de 197 para 163 óbitos. O dado integra o novo Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde e acompanha a tendência nacional, que registrou uma queda de 13% nos óbitos pela doença no mesmo período. No cenário brasileiro, o número de vítimas caiu de mais de 10 mil para 9,1 mil, o menor patamar observado nos últimos 30 anos.

Os indicadores positivos são reflexo direto dos avanços nas políticas de prevenção, diagnóstico e, sobretudo, no acesso gratuito a terapias de ponta oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento atual permite que a carga viral se torne indetectável, tornando o vírus intransmissível e melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os números representam um marco na saúde pública. “Hoje é um dia de luta, mas também de conquista histórica: alcançamos o menor número de mortes por aids em 32 anos. Esse resultado só foi possível porque o SUS oferece gratuitamente as tecnologias mais modernas de prevenção, diagnóstico e tratamento. Os avanços também permitiram ao país alcançar as metas de eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública”, afirmou.

Cenário de casos no estado e no país
Além da redução na mortalidade, houve diminuição no registro de novos casos da doença. Em 2024, o Espírito Santo notificou 627 casos de aids e 1.151 registros de pessoas vivendo com HIV ou aids. Nacionalmente, a queda nos casos de aids foi de 1,5%, passando de 37,5 mil em 2023 para 36,9 mil no último ano. O total de pessoas vivendo com HIV ou aids no Brasil em 2024 foi de 68,4 mil, mantendo a estabilidade dos anos anteriores.

Outro avanço significativo ocorreu no combate à transmissão vertical (de mãe para filho). O Brasil cumpriu as metas internacionais e eliminou essa forma de contágio como problema de saúde pública, mantendo a taxa de transmissão abaixo de 2% e a incidência em crianças inferior a 0,5 caso por mil nascidos vivos.

Os dados mostram ainda uma queda de 7,9% nos casos de gestantes com HIV e de 4,2% no número de crianças expostas ao vírus. O início tardio da profilaxia neonatal caiu 54%, indicando melhoria na assistência pré-natal e nas maternidades, com mais de 95% de cobertura em testagem e tratamento para gestantes.

Prevenção combinada e novos tratamentos
A estratégia adotada pelo Brasil, denominada Prevenção Combinada, diversificou os métodos de proteção para além do uso de preservativos. A política incluiu ferramentas como a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP).

O uso da PrEP cresceu mais de 150% desde 2023, totalizando atualmente 140 mil usuários diários. Para atrair o público jovem, o Ministério da Saúde também adquiriu 380 milhões de unidades de camisinhas texturizadas e sensitivas.

No campo do diagnóstico, a oferta de exames foi ampliada com a compra de 6,5 milhões de duo testes (para HIV e sífilis) e a distribuição de 780 mil autotestes. Já o tratamento antirretroviral, garantido pelo SUS, conta com um esquema de dose única diária, combinando lamivudina e dolutegravir, utilizado por mais de 225 mil pessoas. O medicamento oferece alta eficácia e menos efeitos colaterais.

Essas ações aproximam o Brasil das metas globais “95-95-95”: garantir que 95% das pessoas com HIV conheçam seu diagnóstico, 95% destas estejam em tratamento e 95% das tratadas tenham supressão viral. O país já cumpriu duas dessas três metas.

Investimento social e campanha
Com o objetivo de reforçar a participação da sociedade no enfrentamento à doença, a pasta lançou editais no valor de R$ 9 milhões voltados para organizações da sociedade civil. Além disso, foi criado um comitê interministerial para a eliminação de doenças determinadas socialmente.

O lançamento dos dados ocorre em meio à campanha de conscientização “Viver sem aids: essa é a vida que eu quis”, que reforça a importância do diagnóstico precoce e da adesão ao tratamento.

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Atualizado: 08/12/2025 09:53

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