Saúde

Diabetes avança e idade de rastreamento no Brasil cai para 35 anos

14 nov 2025 - 10:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Nesta sexta-feira (14), Dia Mundial do Diabetes, especialistas alertam para riscos da doença, que atinge 20 milhões no país, e destacam ligação com poluição e saúde bucal
Diabetes avança e idade de rastreamento no Brasil cai para 35 anos. Foto: Proxima Studio

O Dia Mundial do Diabetes, que ocorre nesta sexta-feira (14), marca um alerta sobre o avanço da condição, que atinge 20 milhões de pessoas no Brasil. O crescimento da obesidade e do sedentarismo levou a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) a reduzir a idade recomendada para o início dos exames de rastreamento de glicemia de 45 para 35 anos. Especialistas alertam que a doença é silenciosa e, além das complicações renais e cardiovasculares, também impacta severamente a saúde bucal.

A data visa a conscientização sobre os riscos. “O diabetes é uma doença silenciosa e muitos não sabem dessa condição, o que pode acarretar complicações sérias, como problemas renais e cardiovasculares, neuropatias e até cegueira”, alerta o presidente da SBD, dr. Ruy Lyra.

Ele destaca ainda a condição de pré-diabetes, que exige atenção. “Outros, ainda, não têm diabetes, mas estão no limite, conhecido como pré-diabetes, quando é verificado o aumento da glicemia, mas não em níveis altos que diagnostiquem diabetes”, afirma. “Isso significa que a pessoa apresenta um grande risco para desenvolver o diabetes tipo 2.”

Cenário mundial e poluição
A situação no Brasil acompanha a tendência global. Durante o 25º Congresso da Sociedade Brasileira de Diabetes, o presidente da Federação Internacional de Diabetes (IDF), dr. Peter Schwarz, alertou que o Atlas da IDF registra 590 milhões de pessoas com a doença no mundo, com projeção de atingir 853 milhões em 2050.

“Os países de baixa renda são os mais afetados”, alertou Schwarz. A vice-presidente da IDF, dra. Hermelinda Pedrosa, adverte: “Um dado preocupante é que mais de 40% das pessoas desconhecem o diagnóstico”.

Dr. Peter Schwarz apontou que estudos indicam a poluição ambiental como uma das responsáveis pelo aumento de casos do diabetes tipo 2. Segundo ele, um quinto de todos os casos (DM2) estão associados à resistência à insulina causada pela poluição do ar. Como países menos desenvolvidos utilizam mais veículos movidos a óleo diesel, que elevam a poluição, a expectativa é de aumento no número de casos. “Projeções indicam que o número de casos vai duplicar na África”, disse.

O impacto na saúde bucal
Segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), mais de 16 milhões de brasileiros convivem com a condição, que também afeta a saúde bucal e a estética do sorriso.

De acordo com o Dr. Paulo Yanase, dentista da Oral Sin, rede de implantes dentários, o diabetes pode causar níveis elevados de glicose no sangue que se refletem na saliva, criando um ambiente ideal para a proliferação de bactérias e fungos. “Esse desequilíbrio aumenta o risco de inflamações na gengiva, como gengivite e periodontite, além de causar boca seca, mau hálito e maior propensão a infecções”, explica o dentista.

Esses problemas afetam a estética, pois a inflamação pode levar à retração gengival, inchaço ou sangramentos. A boca seca, por sua vez, favorece o aparecimento de manchas e deixa os dentes com aparência opaca.

O Dr. Yanase ressalta que o diabetes descompensado interfere na capacidade de cicatrização do corpo. “Pacientes com glicemia fora de controle têm mais dificuldade de cicatrização após procedimentos como implantes e podem ter menor durabilidade em tratamentos estéticos. Por isso, manter o diabetes controlado é essencial para garantir resultados satisfatórios e um sorriso saudável”, comenta.

O especialista reforça a necessidade de higiene bucal e acompanhamento regular. Gengiva inchada ou sangrando, mau hálito persistente, boca seca, gosto metálico e infecções recorrentes são sinais de alerta. “Em muitos casos, o dentista é o primeiro profissional a perceber que há algo errado com o controle glicêmico do paciente, e pode indicar uma investigação médica mais aprofundada”, finaliza.

Globalmente, o acesso a medicamentos, em especial a insulina, permanece como um grande desafio, segundo o presidente da IDF.

No Brasil, o dr. Ruy Lyra lembra que a SBD atua junto ao governo para que os pacientes recebam insumos mais modernos. “Também é muito importante que o SUS passe a fornecer novas tecnologias às pessoas com diabetes”, conclui.

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