Saúde

Casos de sarampo disparam 32 vezes nas Américas e Brasil reforça alerta para viajantes

05 fev 2026 - 08:30

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Enquanto continente registra quase 15 mil infecções e 29 mortes em um ano, puxado pela América do Norte, Brasil sustenta certificação de área livre da doença, mas especialistas alertam para riscos com a Copa do Mundo de 2026
Explosão de casos de sarampo nas Américas acende alerta da OPAS; Brasil reforça vigilância nas fronteiras. Foto: Getty Images Signature

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um alerta epidemiológico nesta terça-feira (3) após constatar um aumento vertiginoso nos casos de sarampo na região das Américas. O continente registrou um crescimento de 32 vezes no número de infecções em apenas um ano, saltando de 466 notificações em 2024 para 14.891 casos confirmados em 2025. Embora o epicentro do surto esteja na América do Norte, o Brasil contabilizou 38 diagnósticos no ano passado, associados majoritariamente à importação do vírus, e mantém o monitoramento ativo para preservar o certificado de país livre da doença.

O cenário epidemiológico de 2026 já apresenta indicadores preocupantes. Apenas nas primeiras três semanas de janeiro, a OPAS registrou 1.031 novos casos nas Américas, um número quase 45 vezes superior aos 23 casos identificados no mesmo período de 2025.

América do Norte concentra infecções
Os dados do relatório apontam que México, Canadá e Estados Unidos são responsáveis por cerca de 95% dos casos registrados em 2025. O México liderou com 6.428 infecções, seguido pelo Canadá (5.436) e Estados Unidos (2.242).

A falta de cobertura vacinal é apontada como o principal fator para a disseminação. Nos Estados Unidos, 93% dos infectados não eram vacinados ou tinham status vacinal desconhecido. No México e no Canadá, esses índices foram de 91,2% e 89%, respectivamente.

O perfil das vítimas revela a alta vulnerabilidade de grupos específicos. Crianças menores de cinco anos concentram as maiores taxas de incidência, especialmente bebês com menos de um ano. Das 29 mortes confirmadas no continente em 2025, 22 ocorreram em populações indígenas, representando 73% dos óbitos.

Situação no Brasil: casos importados e controle
O Brasil confirmou 38 casos de sarampo em 2025. Até o momento, nas primeiras semanas de 2026, não houve registro de novos infectados. Segundo a OPAS, dos casos brasileiros no ano passado, 10 foram importados (infecção no exterior), 25 foram relacionados à importação e três tiveram fonte desconhecida.

A distribuição geográfica das infecções em 2025 foi a seguinte:

  • Tocantins: 25 casos
  • Mato Grosso: 6 casos
  • São Paulo: 2 casos
  • Rio de Janeiro: 2 casos
  • Distrito Federal: 1 caso
  • Maranhão: 1 caso
  • Rio Grande do Sul: 1 caso

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica a dinâmica do surto ocorrido no Tocantins. “A maioria foi no Tocantins, depois que uma família de caminhoneiros foi à Bolívia e voltou com sarampo, o que acabou gerando um surto em uma comunidade com baixíssima cobertura vacinal por questões religiosas”, detalha.

Apesar dos registros, o Brasil recuperou em novembro de 2024 a certificação de país livre do sarampo. “A recertificação trouxe mais segurança; o reconhecimento foi reconquistado não apenas pelas altas coberturas vacinais, mas também pela vigilância ativa”, afirma Kfouri. Ele ressalta que os casos importados atuais não se traduzem em “circulação ativa do vírus” no território nacional.

Vacinação é a principal barreira
Dados preliminares do Ministério da Saúde indicam que a cobertura da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) no Brasil subiu de 80,7% em 2022 para 93,78% em 2025 na primeira dose. No entanto, a aplicação da segunda dose, essencial para a proteção completa, está em 78,9%. A meta para evitar surtos é de 95%.

O Ministério da Saúde informou que intensificou a vacinação nos estados que fazem fronteira com a Bolívia, Argentina e Uruguai, além de doar mais de 640 mil doses para o governo boliviano. “As medidas incluem a investigação rápida de casos suspeitos e a ampliação das coberturas vacinais”, comunicou a pasta.

Copa do Mundo de 2026 e alerta aos viajantes
A proximidade da Copa do Mundo da FIFA 2026, que ocorrerá na América do Norte, preocupa autoridades sanitárias devido ao intenso fluxo de turistas. A OPAS destaca o evento como um fator de risco.

“Voos diários do Canadá, México e Estados Unidos para cá fazem com que seja inexorável a entrada de alguém com sarampo no nosso território”, alerta Renato Kfouri. Ele reforça que a vacinação deve ocorrer pelo menos 14 dias antes da viagem.

As recomendações para viajantes incluem:

  • Vacinação antecipada: Viajantes com mais de 6 meses devem se vacinar duas semanas antes do embarque.
  • Dose zero: Bebês de 6 a 11 meses que viajam para áreas de transmissão devem receber uma dose extra, que não substitui o esquema de rotina.
  • Monitoramento: Ao retornar, deve-se estar atento a sintomas como febre, manchas vermelhas (exantema), tosse, coriza e conjuntivite.

Entenda a doença
O sarampo é uma doença viral grave e altamente contagiosa, transmitida por vias aéreas. Pode causar sequelas permanentes, como cegueira e encefalite, ou levar à morte.

Principais sintomas:

  • Manchas vermelhas na pele (começam no rosto e descem para o corpo).
  • Manchas brancas na parte interna da bochecha.
  • Febre alta.
  • Tosse persistente.
  • Irritação nos olhos (conjuntivite) e fotofobia.
  • Coriza.

A vacina tríplice viral está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). O esquema padrão prevê a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses de idade. Adultos até 29 anos devem ter duas doses; entre 30 e 59 anos, é necessária apenas uma dose.

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