política

Na Ales, deputados exigem expulsão de PM que espancou esposa e agrediu colegas

24 fev 2026 - 08:00

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

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Caso dominou a pauta na Assembleia Legislativa do ES. Parlamentares cobraram ação rigorosa da Corregedoria e alertaram para o risco de manter na corporação agentes com perfil violento
Deputados exigem expulsão de PM que agrediu esposa e colegas de farda. Foto: Kamyla Passos

A agressão cometida por um soldado da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) contra sua esposa, também militar, e contra os agentes que atenderam a ocorrência no último sábado (21), pautou os discursos na Assembleia Legislativa (Ales). Durante a sessão extraordinária realizada na tarde desta segunda-feira (23), deputados estaduais cobraram a expulsão do agressor e exigiram punições severas, ressaltando que o comportamento compromete a imagem da corporação e representa perigo para a sociedade.

Histórico de violência e agressão a agentes
O presidente da Comissão de Segurança da Casa, deputado Delegado Danilo Bahiense (PL), informou que solicitará uma apuração urgente à Corregedoria da PMES. O parlamentar detalhou o histórico do caso e a gravidade da ocorrência no momento da prisão.

“Ela já vinha sendo violentada há anos por ele, inclusive, com violência financeira e o argumento dele é que se ela não cedesse ele daria um tiro na mão e no pé para ficar incapacitada para a profissão”, relatou Bahiense.

O deputado explicou que a população tentou conter o agressor no momento da abordagem, sem sucesso. “Os policiais da guarnição também não [conseguiram conter], tendo em vista o porte físico dele, precisou de quatro policiais para dominar ele, tiveram que usar spray de pimenta e ele agrediu um sargento com um soco no rosto”, detalhou.

Para Bahiense, agentes de segurança são vistos como figuras de proteção, e desvios de conduta prejudicam a maioria dos policiais corretos. ”Situações como essas não podem ocorrer, os servidores da segurança pública são heróis, mas quando um comete um crime como esse tem que ser punido exemplarmente”, frisou.

“Perda da farda” e rigor na seleção
A exigência de expulsão do soldado foi endossada por outros parlamentares. O deputado Engenheiro José Esmeraldo (PDT) foi categórico ao afirmar que o policial não deve retornar às atividades. “Esse cara não pode voltar a vestir a farda honesta da Polícia Militar, um indivíduo desse não tem jeito mais. Olha o que ele fez com os policiais, as pessoas e a mulher dele, é um cara perigoso que com arma na cintura é capaz de tudo”, salientou.

A deputada Janete de Sá (PSB) identificou os envolvidos, classificando a ação do soldado Marcelo Ramos de Araújo, de 32 anos, contra a companheira, de 26 anos, como um “ataque covarde e violento”.

A parlamentar defendeu a responsabilização civil, criminal e administrativa do soldado. “Precisa perder a farda. Precisamos de uma seleção mais rigorosa (na PMES). Não podem integrar nossos quadros um policial que, se faz isso com a mulher, imagina numa abordagem a um cidadão comum”, questionou, acrescentando que ele “não merece a qualificação e o status” de integrar a Polícia Militar.

Dados da violência contra a mulher no ES
Aproveitando o debate sobre o caso, o deputado Danilo Bahiense apresentou estatísticas oficiais sobre a violência contra a mulher no Espírito Santo:

Dados de 2024:

  • Atendimentos pelo Ligue 180: 15.954
  • Denúncias formais: 2.670 (aumento de 21% em relação a 2023)
  • Casos de violência doméstica notificados: 22.985 (média de 62 vítimas por dia e aumento de 7,8% ante 2023)
  • Feminicídios: 39 casos no ano
  • Dados de 2025 apresentados em plenário:
  • Homicídios de mulheres: 75 (menor número desde 1996)
  • Feminicídios (dado geral): 33 (redução de 15,4% em relação a 2024)
  • Feminicídios (janeiro a julho): 16 (queda de 40,7% comparado ao mesmo período de 2024), destacando-se que o mês de junho foi encerrado sem registros desse crime.

CPI investiga morte de cachorro a machadadas em Afonso Cláudio
Outro caso de violência repercutido na sessão foi o assassinato de um cachorro no município de Afonso Cláudio, ocorrido no dia 14 de fevereiro. O assunto foi levado ao plenário pela deputada Janete de Sá, que também preside a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus-Tratos da Ales.

De acordo com a parlamentar e com vídeos que circulam nas redes sociais, uma mulher matou o animal de estimação utilizando um machado. “A mulher brigou com o marido e desforrou no animal de estimação. Matou ele a machadadas. A perversidade escolhe os mais fracos da sociedade: os animais, as mulheres, as crianças e os idosos. Nossa sociedade está adoecida a ponto da bondade não sobreviver muito tempo”, lamentou a deputada.

A presidente da CPI garantiu que a comissão acompanhará o caso. “Já sabemos onde encontrar essa criminosa, que se evadiu do local e fugiu do flagrante. Estamos tentando uma prisão preventiva para essa covarde ser punida com os rigores da lei por esse crime covarde e cruel”, finalizou.

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Atualizado: 24/02/2026 10:01

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