economia

Alckmin diz que fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho é tendência mundial

24 fev 2026 - 09:45

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de Agência Brasil

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Presidente da República em exercício recusou pedido para adiar debate trabalhista em ano eleitoral. Evento em São Paulo formalizou medidas de defesa comercial e tratou dos cenários para a taxa Selic e exportações
Fim da escala 6x1 acompanha tendência global, avalia Alckmin ao assinar acordos com o setor industrial. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O presidente da República em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, assinou na noite desta segunda-feira (23) protocolos de intenção com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O objetivo da parceria é promover e fortalecer o combate a práticas desleais e ilegais no comércio exterior brasileiro.

Durante a cerimônia, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, aproveitou o encontro para pedir que a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 seja adiada para o próximo ano. O dirigente argumentou que o debate pode ser prejudicado pelo atual cenário político. “A gente precisa que essa discussão vá para 2027. Nós estamos abertos sempre a debater tudo. Só que, em ano eleitoral, as emoções, os sentimentos e as motivações muitas vezes conflitam com os interesses do país”, disse Skaf.

Em resposta, Alckmin defendeu a necessidade de analisar as mudanças na jornada de trabalho, ressaltando que o movimento ocorre em âmbito internacional. “Há uma tendência mundial de redução. Aliás, isso já vem acontecendo. Esse é um debate que não deve ser feito às pressas e deve ser aprofundado, já que você tem situações muito distintas dentro do próprio setor produtivo. Mas isso é uma tendência”, declarou o presidente em exercício.

Defesa comercial e desburocratização
Ao lado de Paulo Skaf, Alckmin assinou dois documentos técnicos. O primeiro foca na defesa comercial, enquanto o segundo aborda a melhoria do ambiente regulatório, visando combater a burocracia e impulsionar a competitividade nacional. “A cooperação com o setor produtivo na defesa comercial vai contribuir para fortalecer o comércio justo e promover um ambiente concorrencial mais equilibrado”, afirmou o ministro.

De acordo com a federação, o protocolo de defesa institucional estabelece bases para o uso adequado de instrumentos legais voltados à contenção de irregularidades de mercado. Entre as ações previstas estão o compartilhamento de ferramentas técnicas e a criação de uma calculadora de margem de dumping.

Já o segundo acordo visa reduzir custos administrativos e sistêmicos para as empresas. A proposta inclui o desenvolvimento de ações para destravar investimentos no país, como a ampliação da digitalização dos serviços públicos e a integração de sistemas.

“Nós vamos tomar uma medida formal hoje objetivando avançar e ter no Brasil, realmente, uma defesa comercial eficiente, para não permitir que os nossos setores e os nossos empregos sejam atacados de forma injusta”, reforçou Skaf durante a reunião da diretoria.

Otimismo com a redução da Selic
Em seu discurso direcionado aos empresários, Alckmin também expressou otimismo em relação à taxa básica de juros (Selic), atualmente fixada em 15% ao ano. Ele espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) inicie um ciclo de cortes já na próxima reunião, agendada para março.

“Estamos confiantes de que na próxima reunião do Copom comece a redução da taxa de juros”, destacou. Segundo o presidente em exercício, a perspectiva de melhora na economia baseia-se na recente apreciação do real e na desinflação dos alimentos.

Benefícios da nova taxação americana
Outro ponto abordado foi a nova tarifa global de 15% para importações estabelecida nesta semana pelo governo dos Estados Unidos. Anunciada por Donald Trump em resposta à decisão da Suprema Corte norte-americana, que derrubou as tarifas globais aplicadas no ano passado, a medida padroniza o índice para todos os países, substituindo o modelo anterior que aplicava variações drásticas por nação.

Para Alckmin, o cenário que previa sobretaxas focadas no Brasil era altamente prejudicial, e a nova padronização cria oportunidades. “O problema dos 10% mais 40% [de taxas] era um problemão. Mas essa decisão não tem problema, porque são 15% para nós e para o mundo inteiro”, explicou.

O presidente em exercício concluiu sua fala destacando o saldo positivo da mudança para o mercado interno: “O país mais beneficiado no mundo com essa decisão foi o Brasil. Abre-se aí uma avenida em termos de voltar a ter um comércio exterior importante com os Estados Unidos”.

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Atualizado: 24/02/2026 10:05

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