Nesta terça-feira (24), o governador capixaba Renato Casagrande anunciou que o Espírito Santo está pronto para auxiliar o governo de Minas Gerais no enfrentamento à tragédia climática que atinge a Zona da Mata mineira. A mobilização ocorre após fortes temporais, iniciados na tarde de segunda-feira (23), devastarem cidades como Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, resultando em pelo menos 22 vítimas fatais, dezenas de desaparecidos e um cenário de calamidade pública na região.
O chefe do Executivo capixaba direcionou a mensagem ao governador mineiro, Romeu Zema, prestando solidariedade diante dos desastres causados pelas precipitações extremas em um relevo acidentado próximo à divisa com o Rio de Janeiro.
“Coloquei o Espírito Santo à disposição do governador Romeu Zema para ajudar no que for necessário diante da tragédia das chuvas em Juiz de Fora e região. Os capixabas se unem em solidariedade aos mineiros neste momento de dor”, declarou Casagrande por meio de suas redes sociais.
Calamidade em Juiz de Fora
O município de Juiz de Fora é um dos mais afetados. A prefeita Margarida Salomão (PT) decretou estado de calamidade pública, com validade de 180 dias, após a cidade registrar 183 milímetros (mm) de chuva em um único dia e acumular 584 mm ao longo de fevereiro. O volume quebra o recorde histórico para o mês, que era de 456 mm em 1988, e representa mais que o triplo da previsão da Defesa Civil de 170,3 mm para todo o período.
Até a manhã desta terça-feira, a administração municipal contabilizava 16 mortes e 440 pessoas desabrigadas. O maior número de vítimas fatais está concentrado nos bairros JK e Santa Rita. Em vídeo publicado no Instagram, a prefeita detalhou o impacto do volume pluviométrico.
“Considerando a gravíssima situação que a cidade experimenta com a precipitação de chuvas intensas e persistentes, que faz com que, neste momento, tenhamos 584 milímetros de chuva acumulada nesse período, o que faz do mês de fevereiro o mais chuvoso da história da cidade”, afirmou Salomão. A prefeita acrescentou que o cenário trouxe transtornos severos, com ao menos 20 soterramentos concentrados, em especial, na Região Sudeste.
A infraestrutura da cidade sofreu bloqueios significativos. O Rio Paraibuna e diversos córregos transbordaram, isolando bairros inteiros. Pontes e o mergulhão de acesso ao Centro foram fechados, além do registro de quedas de árvores. As aulas na rede municipal foram suspensas e a orientação oficial é para que a população evite deslocamentos desnecessários. Famílias desabrigadas estão sendo acolhidas nas escolas municipais Paulo Rogério dos Santos (Monte Castelo), Murilo Mendes (Alto Grajaú) e Nilo Camilo Ayupe (Paineiras).
Resgates e desaparecidos
O Corpo de Bombeiros realiza buscas por pelo menos 45 pessoas desaparecidas na região, operando em conjunto com a Defesa Civil e com o apoio de empresas particulares. Somente na madrugada de terça-feira, a corporação atendeu a mais de 40 chamadas emergenciais referentes a vias bloqueadas, moradores ilhados e imóveis atingidos.
No bairro Parque Burnier, um dos locais mais críticos, os bombeiros registraram 17 desaparecidos, grupo que inclui mais de cinco crianças. Nove pessoas já foram resgatadas com vida nesta área e encaminhadas ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), unidade de referência do município.
“Deslocamos no início da madrugada equipes do Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a desastres ambientais, mais de 20 militares e cães de busca para reforçar a operação”, explicou o tenente Henrique Barcellos, dos bombeiros de Juiz de Fora.
Vítimas em Ubá e ações em Matias Barbosa
Os estragos e a perda de vidas se estendem a outras cidades da Zona da Mata. Em Ubá, a prefeitura confirmou seis mortes decorrentes das chuvas após o município registrar um acumulado de 124 milímetros em um intervalo de apenas seis horas. O Ribeirão Ubá transbordou na noite de segunda-feira (23), inundando a Avenida Beira Rio. Equipes do Corpo de Bombeiros, da Guarda Municipal e da Defesa Civil trabalham no local para contabilizar danos, embora as identidades das vítimas ainda não tenham sido divulgadas.
Em Matias Barbosa, o Executivo municipal também decretou estado de calamidade pública devido às enchentes que atingiram várias partes da cidade. A medida, segundo a prefeitura local, visa agilizar as ações emergenciais, garantir o atendimento às famílias atingidas e viabilizar o acesso a recursos do governo federal. As administrações alertam que a previsão é de continuidade das chuvas na região.


















