A nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (22), aponta que o presidente Lula (PT) ampliou de 3 para 9 pontos percentuais a sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas intenções de voto para o primeiro turno da eleição presidencial. O levantamento, realizado entre os dias 20 e 21 de maio em 139 municípios, capta a repercussão das denúncias do caso “Dark Horse”, que envolve o parlamentar e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. No cenário atual, Lula atinge 40% das intenções de voto contra 31% de Flávio Bolsonaro.
Movimentação nos cenários de primeiro e segundo turno
Na medição realizada na semana anterior, a maioria das entrevistas havia ocorrido antes do surgimento do caso. Naquela ocasião, Lula e Flávio Bolsonaro figuravam em empate técnico dentro da margem de erro, com 38% e 35%, respectivamente.
Na simulação de segundo turno entre os dois pré-candidatos, o cenário de igualdade em 45% registrado na semana passada foi alterado: Lula oscilou para 47% e Flávio Bolsonaro passou para 43% das intenções de voto.
Atrás dos dois líderes na disputa de primeiro turno, aparecem empatados o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD-GO), com 4%, Romeu Zema (Novo-MG), com 3%, Renan Santos (Missão), com 3%, e Samara Martins (UP), também com 3%.
Na sequência, aparecem:
- Augusto Cury (Avante): 2%
- Rui Costa Pimenta (PCO): 1%
- Cabo Daciolo (Mobiliza): 1%
- Aldo Rebelo (DC): 1% (retirado da disputa pelo partido após o registro da pesquisa)
O impacto do caso ‘Dark Horse’ e as versões do candidato
O recuo de Flávio Bolsonaro ocorre após a publicação de uma reportagem pelo site Intercept Brasil, apontando que o senador solicitou recursos financeiros ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sob a justificativa de produzir um filme chamado “Dark Horse”, sobre a campanha de Jair Bolsonaro em 2018. A Polícia Federal investiga se parte dos valores foi destinada a custear despesas do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
De acordo com o Datafolha, o episódio alcançou ampla difusão: 64% dos entrevistados afirmaram ter conhecimento do caso, e o mesmo percentual (64%) declarou avaliar que o senador agiu mal na situação.
O senador mudou suas explicações públicas ao longo dos dias. Inicialmente, classificou a denúncia como inverídica. Posteriormente, confirmou o pedido de dinheiro para a produção cinematográfica, negando encontros pessoais com o ex-banqueiro. Contudo, após o site Metrópoles revelar uma visita ao empresário em prisão domiciliar, Flávio Bolsonaro admitiu, na terça-feira (19), ter se reunido com Vorcaro após a saída deste da prisão. O Banco Master, controlado por Vorcaro, foi liquidado no ano anterior em meio a investigações de fraudes em ativos financeiros e títulos públicos.
Diante do desgaste político e da perda de apoio em setores econômicos e religiosos, a campanha do senador efetuou a troca do marqueteiro na quarta-feira (20), mantendo a decisão de seguir na disputa eleitoral.
Simulações com Michelle Bolsonaro e outros concorrentes
O instituto de pesquisa também testou o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Em uma eventual simulação de primeiro turno, Michelle pontua menos que o enteado, obtendo 22% contra 41% de Lula e 6% de Romeu Zema.
Já em um eventual segundo turno direto contra o atual presidente, Michelle atinge um patamar semelhante ao de Flávio: 43% contra 48% do petista. No momento, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o PL planejam a candidatura de Michelle ao Senado Federal pelo Distrito Federal.
Nas simulações de segundo turno com outros nomes da oposição, Lula oscilou de 46% para 48%, enquanto Ronaldo Caiado registrou 39%. Contra Romeu Zema, Lula obteve a mesma variação (48%), enquanto o governador mineiro passou de 40% para 39%.
Atributos e rejeição dos pré-candidatos
O Datafolha também mediu o índice de rejeição e a percepção de atributos dos concorrentes. No quesito rejeição, Flávio Bolsonaro lidera com 46%, seguido de perto por Lula, com 45%. Michelle Bolsonaro registra 31% de rejeição, sendo desconhecida por 13% do eleitorado (Flávio é desconhecido por 7%). Ronaldo Caiado e Romeu Zema possuem taxas de desconhecimento superiores a 50%, com rejeições de 15% e 18%, respectivamente.
Na pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são apresentados, Lula mantém 28% das menções e Flávio Bolsonaro soma 17%. Michelle não foi citada de forma espontânea.
Em relação à imagem dos candidatos, a pesquisa detalha divisões no eleitorado:
- Experiência: Lula é apontado por 55% dos entrevistados como o mais experiente, ante 18% de Flávio Bolsonaro.
- Modernidade e Inovação: Flávio Bolsonaro lidera com 31%, contra 26% de Lula.
- Moralidade: Lula foi indicado como “o mais corrupto” por 46% dos ouvidos, ante 30% atribuídos ao senador.
- Defesa de classes: 53% avaliam que Flávio Bolsonaro é o candidato que mais defende os ricos, contra 18% de Lula.
- Proximidade com a população: Lula possui 52% das menções como quem “tem mais a cara da população brasileira”, contra 23% de Flávio.
- Autoritarismo: 40% consideram Flávio Bolsonaro o mais autoritário, ante 26% que atribuem a característica a Lula.
- Segurança pública e combate à violência: Flávio Bolsonaro é apontado por 33% como o mais preparado, ante 29% de Lula e 5% de Ronaldo Caiado.
- Defesa das mulheres: O presidente lidera com 38%, seguido por Flávio Bolsonaro (19%) e Samara Martins (8%).
O perfil de apoio dos dois principais concorrentes não registrou mudanças estruturais. Lula preserva vantagens entre mulheres, eleitores de menor renda e instrução, católicos e na região Nordeste. Flávio Bolsonaro obtém percentuais mais elevados entre o eleitorado masculino, evangélicos, moradores das regiões Sul, Norte e Centro-Oeste, e nas faixas de classe média.
O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-07489/2026. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com a oitiva de 2.004 eleitores de 16 anos ou mais.


















