política

Após manifestações, Motta fala em retirar ‘pautas tóxicas’ e focar em economia

22 set 2025 - 12:05

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo, com informações de g1

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Presidente da Câmara dos Deputados reage a manifestações nacionais contra a PEC da Blindagem e a anistia, e indica mudança de foco nos trabalhos legislativos para temas como a reforma administrativa e o imposto de renda
Após manifestações, Motta fala em retirar 'pautas tóxicas' e focar em economia. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Um dia após manifestações ocorrerem em todas as capitais do país, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (22) que “é o momento de tirar da frente todas essas pautas tóxicas”. A declaração foi feita durante um evento para o mercado financeiro em São Paulo e responde diretamente à repercussão negativa da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que blinda parlamentares e da urgência para o projeto de lei da anistia, pautas que motivaram os protestos no domingo.

“Talvez a Câmara dos Deputados tenha tido, na semana passada, a semana mais difícil e mais desafiadora. Mas este presidente que vos fala… nós decidimos que vamos tirar essas pautas tóxicas porque ninguém aguenta mais essa discussão”, declarou Motta. Segundo ele, o foco do Legislativo deve se voltar para o que realmente importa ao país. “O Brasil tem que olhar pra frente, tem que discutir aquilo que realmente importa, que é uma reforma administrativa, questão do imposto de renda, da segurança pública.”,

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Reação aos protestos
Ao ser questionado sobre os atos populares, Hugo Motta afirmou que tanto as manifestações de domingo quanto as que ocorreram semanas antes, a favor da anistia, “demonstram que a nossa democracia segue mais viva do que nunca”. Ele acrescentou ter grande respeito pelas manifestações e que elas mostram que a população está nas ruas defendendo suas crenças.

O presidente da Câmara ponderou que precisa agir com “cautela” diante do “momento desafiador” do país. Ele também avaliou que o Parlamento tem aprovado matérias importantes que perdem visibilidade para pautas de conflito. “O Parlamento tem conseguido aprovar matérias importantes que acabam não tendo muita visibilidade porque a pauta que vemos o noticiário liderar, é sempre a pauta do conflito, a pauta que anima esses polos e deixa aqueles assuntos bem mais importantes e fazem parte da nossa população num segundo plano”, disse.

O acordo por trás das votações
As votações da PEC da Blindagem e da urgência da anistia foram o resultado de um acordo político firmado por Motta com a bancada bolsonarista e o Centrão. O pacto foi selado em agosto, após um motim em que os grupos tomaram as mesas diretoras da Câmara e do Senado como forma de protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A negociação, que teve como fiador o ex-presidente da Câmara e liderança do Centrão, Arthur Lira (PP-AL), visava atender aos interesses de ambas as partes. Enquanto os bolsonaristas buscam a anistia para Bolsonaro, o Centrão almeja a aprovação da PEC da Blindagem para barrar investigações contra parlamentares, especialmente as relacionadas a emendas. Atualmente, mais de 80 deputados são alvo de apurações no Supremo Tribunal Federal (STF). A articulação permitiu que os temas fossem pautados e que a urgência da anistia fosse aprovada, possibilitando que o texto siga diretamente para votação em Plenário.

Novos rumos na pauta
A repercussão negativa das aprovações, contudo, já impacta o cenário político. Segundo informações do blog da Andréia Sadi, do g1, as chances de a PEC da Blindagem ser aprovada no Senado são mínimas no momento.

Diante disso, de acordo com o blog do Valdo Cruz, aliados têm aconselhado Hugo Motta a focar os trabalhos da Câmara em pautas positivas e de interesse da população. O Palácio do Planalto, por sua vez, avalia que o momento de fragilidade do presidente da Câmara pode ser favorável à agenda econômica do governo. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, planeja se reunir com Motta para pedir a votação, ainda nesta semana, do projeto que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil, uma prioridade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o semestre.

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Atualizado: 22/09/2025 12:14

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