Um relatório publicado em junho de 2026 por entidades chinesas aponta o Brasil na liderança do desenvolvimento de infraestrutura entre as nove nações de língua portuguesa. O país atingiu a primeira posição do Índice de Desenvolvimento de Infraestrutura de Países de Língua Portuguesa (BRIDi) com 129 pontos, impulsionado pelas obras e investimentos do Novo PAC. Ao contrário de outros países lusófonos, o mercado brasileiro se destaca pela autonomia de suas políticas públicas e pela menor dependência de financiamento externo.
O levantamento foi produzido em conjunto pela China International Contractors Association (CHINCA) e pela seguradora estatal China Export and Credit Insurance Corporation. De acordo com o documento, a trajetória ascendente do Brasil, que registrou uma alta de um ponto em relação a 2025, é explicada diretamente pela expansão dos investimentos em energia elétrica, transportes e infraestrutura digital, apontados como os vetores centrais do crescimento econômico nacional.
Diferença estrutural no cenário lusófono
O relatório analisa nove países e situa o Brasil no topo do ranking. O segundo lugar ficou com Moçambique, que somou 118 pontos impulsionado por projetos de energia e pelo apoio de instituições financeiras multilaterais. Angola aparece na terceira posição, com 115 pontos, devido aos avanços no corredor ferroviário de Lobito e na expansão da energia solar no sul do seu território.
A análise destaca uma distinção precisa entre as trajetórias das nações avaliadas. Enquanto os demais países lusófonos dependem de financiamento externo e de parcerias com empreiteiras estrangeiras para viabilizar seus projetos, o Brasil dispõe de uma política pública própria de infraestrutura. Segundo a CHINCA, que orienta investimentos de construtoras em mais de 70 países, o planejamento de longo prazo e a capacidade de execução contínua do Novo PAC conferem ao mercado brasileiro maior proteção contra oscilações resultantes de ciclos internacionais.
O Brasil também lidera os subíndices de demanda, com 161 pontos, e de temperatura de mercado, com 133 pontos. Ambos os indicadores são os maiores entre as nove nações avaliadas e refletem o volume de projetos atualmente em fase de licitação e execução.
Expansão de energia limpa e investimentos em transportes
A transição energética é um dos pontos centrais da demanda projetada pelo índice para o Brasil em 2026. Espera-se um crescimento de 23,4% na capacidade instalada de energia eólica e solar em comparação com o ano anterior. Esse avanço é liderado por duas entregas localizadas na Bahia que somam 1.246 MW de energia limpa na rede elétrica: o complexo fotovoltaico Rui Barbosa, de 400 MW, e o parque eólico Serra do Assuruá, de 846 MW.
O Novo PAC também impulsionou a construção de corredores de transmissão de alta tensão ligando o Nordeste, principal produtor de energia renovável, aos centros de consumo do Sudeste. Com isso, a participação de fontes renováveis não hídricas na matriz elétrica brasileira deve atingir 39% em 2026, superando os 32% registrados em 2024.
No setor de mobilidade e transportes, o programa sustenta investimentos expressivos. O estado de São Paulo atingiu o recorde histórico de R$ 79,9 bilhões aportados em trilhos, com o início das obras da ferrovia intercidades São Paulo a Campinas, orçada em R$ 142 bilhões. No âmbito federal, foram lançadas oito licitações ferroviárias com traçados que somam 9 mil quilômetros e R$ 140 bilhões em investimentos diretos. No setor portuário, foram aprovados nove projetos de modernização que somam R$ 5,1 bilhões.
Conectividade digital e tecnologia no campo
O avanço da infraestrutura digital também foi integrado aos investimentos físicos monitorados pelo relatório. A expansão da rede 5G para o interior do país é citada como um salto qualitativo, especialmente no Centro-Oeste agrícola, onde a conectividade possibilita a automação, o monitoramento remoto e a redução de perdas na cadeia de abastecimento de alimentos.
Outro modelo destacado é a implantação de grandes data centers verdes em São Paulo e em Fortaleza. Alimentadas diretamente por energia solar, essas estruturas fundem capacidade computacional e energia renovável, o que cria um diferencial competitivo para o Brasil na América Latina, em conformidade com as diretrizes do programa federal.
Continuidade e avaliação institucional
Para a coordenação do programa governamental, os dados do relatório internacional sinalizam a consistência das ações adotadas.
“O Novo PAC reafirma o compromisso desta gestão com uma infraestrutura moderna, integrada e orientada para o desenvolvimento do país. O reconhecimento do Brasil como líder em infraestrutura entre os países de língua portuguesa demonstra que investimentos planejados, executados com continuidade e voltados para resultados concretos fortalecem nossa capacidade de crescer, atrair investimentos e gerar oportunidades para a população”, afirmou Roberto Garibe, secretário especial do Novo PAC da Casa Civil da Presidência da República.


















