geral

Guardas de Serra e Linhares protestam contra feminicídio após assassinato de comandante em Vitória

25 mar 2026 - 14:20

Redação Em Dia ES - por Julieverson Figueredo

Share
Vídeo de agentes rasgando cartazes com frases de agressão cobra o fim da omissão institucional. Especialistas apontam que o crime praticado por agente da PRF escancara a vulnerabilidade de mulheres na segurança pública e as falhas no monitoramento de agressores
Guardas de Serra e Linhares protestam contra feminicídio após assassinato de comandante em Vitória. Foto: Reprodução

A morte da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, assassinada a tiros pelo ex-namorado e policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza na madrugada da última segunda-feira (23), provocou uma onda de manifestações nas corporações de Serra e Linhares.

Em resposta ao crime, agentes municipais publicaram um vídeo rasgando cartazes com frases comumente repetidas em episódios de agressão, alertando que não há espaço para omissão diante da violência contra a mulher. O caso, que terminou com o suicídio do atirador, mobilizou especialistas em segurança pública para o debate sobre as falhas no acompanhamento de agentes de Estado denunciados por abusos.

Protesto e dimensão estrutural do crime
Dayse Barbosa foi a primeira mulher a comandar a Guarda de Vitória e era reconhecida no Espírito Santo por sua atuação na área de proteção feminina.

Para a professora e pesquisadora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Rosely Silva Pires, o assassinato da comandante ultrapassa a definição de crime passional e deve ser classificado como um crime de ódio. A pesquisadora avalia que o episódio reforça a dimensão estrutural da violência, evidenciando que mulheres em posições de poder também são alvos preferenciais.

Dados nacionais recentes de segurança pública indicam que cerca de 10 mulheres são assassinadas diariamente no Brasil, sendo quatro delas vítimas de feminicídio. A especialista da UFES alerta que a inércia do Estado atua como um agravante: “Se eu sou uma gestora ou gestor e chega para mim uma denúncia, que eu não encaminho, eu sou responsável pelo feminicídio que essa mulher está na iminência de sofrer”.

Silêncio na segurança pública e risco institucional
As investigações apontam que o autor do crime tinha acesso a arma de fogo, treinamento tático e já era alvo de uma investigação interna na Polícia Rodoviária Federal (PRF). Diego Oliveira de Souza respondia a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) por importunação sexual e tentativa de estupro contra uma colega de farda no Rio de Janeiro, aberto em 2025. Para especialistas do setor, cenários envolvendo agentes de segurança exigem rigor redobrado na análise de risco e no monitoramento interno, protocolos que falharam em impedir o acesso do policial ao armamento utilizado no homicídio.

O ambiente das forças de segurança também impõe barreiras para que as próprias vítimas busquem socorro. A gerente de Proteção à Mulher da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (SESP), Michele Meira, explica que profissionais dessa área são frequentemente cobradas por uma postura de resiliência, o que camufla situações de vulnerabilidade.

“Elas sentem vergonha de denunciar, principalmente pelo medo da exposição no ambiente de trabalho e das possíveis consequências que a situação pode trazer para a carreira profissional”, afirma Meira. A gerente reforça que a quebra desse silêncio e a adoção de medidas protetivas são etapas decisivas para evitar desfechos letais.

Dinâmica e premeditação do homicídio
O crime ocorreu por volta da 1h da manhã. Inconformado com o fim do relacionamento, Diego Oliveira de Souza chegou à residência de Dayse Barbosa de carro. A Polícia Civil confirmou que a ação foi premeditada: o policial levou uma escada para acessar a sacada da casa, além de ferramentas (alicate, chave de corte, canivete e faca) para arrombar o imóvel.

A comandante foi surpreendida enquanto dormia e atingida por disparos na cabeça. A Polícia Militar foi acionada para atender à ocorrência, mas, ao chegar ao local, equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já prestavam os primeiros atendimentos, constatando o óbito de Dayse e do atirador, que tirou a própria vida na sequência.

0
0
Atualizado: 25/03/2026 14:25

Se você observou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, nos avise. Clique no botão ALGO ERRADO, vamos corrigi-la o mais breve possível. A equipe do EmDiaES agradece sua interação.

Comunicar erro

* Não é necessário adicionar o link da matéria, será enviado automaticamente.

A equipe do site EmDiaES agradece sua interação.